Caraguatatuba comemora 169 anos. Confira algumas curiosidades sobre a cidade: – Notícias das Praias


Caraguatatuba, em tupi guarani significa “lugar de muitos caraguatás”, o termo deriva da união de caraguatá (uma bromélia típica da Mata Atlântica) + tyba (abundância)

 

Por Salim Burihan

 

Caraguatatuba comemora 169 anos nesta segunda-feira, dia 20. A cidade tem cerca de 135 mil habitantes. O município cresce ano a ano, estimulado pela construção civil, possui boa infraestrutura de saneamento básico e é considerado o centro comercial e educacional do Litoral Norte.

 

Praça Cândido Mota em 1928

 

Caraguatatuba superou dois momentos difíceis ao longo de sua história: uma epidemia de varíola em 1693 e uma catástrofe natural, em 1967, que obrigaram muitos habitantes a deixarem a cidade. Ao longo dos anos, foi se recuperando e tornou-se a “capital” do Litoral Norte.

 

Caraguatatuba tem algumas curiosidades bem interessantes, entre elas, o fato de ter sido fundada por um “Doria” e já ter pertencido ao município de São Sebastião.

 

Consta que a cidade tenha surgido em 1665, fundada por Manoel de Faria Doria, na época capitão-mor da Capitania de Itanhaém.  Caraguatatuba começou a ser povoada no início de 1600, através das Sesmarias. Consta em alguns livros antigos que inicialmente surgiu um povoado junto ao rio Juqueriquerê.

 

Até 1609 a área onde fica Caraguatatuba teria sido doada pelo Capitão-mor Gaspar Conqueiro aos antigos moradores de Santos, Miguel Gonçalves Borba e Domingos Jorge, como prêmio por serviços prestados a Capitania de São Vicente. Em 1666, os dois teriam repassados a área ao Manoel de Faria Doria.

 

A região do Juqueriquerê oferecia boas condições favoráveis aos colonos. Com o surto da varíola em 1693, que matou boa parte da população e muitos moradores foram para São Sebastião e Ubatuba, o vilarejo ficou conhecido como a Vila que desertou.

 

Após a varíola, o vilarejo começou a ser formado próximo a Igreja de Santo Antônio, por sinal, criada em 1853, antes da fundação da cidade em 1857. O vilarejo se concentrava entre os rio Santo Antônio e Guaxinduba, pertencia ao município de São Sebastião. A população sobrevivia da cana, café, mandioca, milho e alguns legumes. Uma Lei Provincial nº. 30 de 20 de abril de 1857, elevou a cidade à Categoria de Município e desde então, deixou de pertencer a São Sebastião, cuja cidade foi emancipada em 1636.

 

Maior tragédia natural do país

 

Em 1967 cidade ficou parcialmente destruída

 

Em 1967 a cidade foi atingida por uma tromba d’água e foi parcialmente destruída, cerca de 2 mil pessoas perderam a vida na tragédia que foi considerada a maior até então ocorrida no país. Foi realmente, uma tragédia impressionante, em dois dias ( 17 e 18 de março) a precipitação pluviométrica foi de 580 milímetros, ou seja, choveu em Caraguatatuba em apenas dois dias a quantidade de chuva acumulada de seis meses.

 

Segundo um dos maiores especialistas mundiais em mecânica de solos e fundações, o professor Artur Casagrande, que na época prestava assessoria aos EUA, Índia e Suíça: “Nunca vi coisa igual na minha vida. Isso só ocorre a cada milênio. O que ocorreu em Caraguatatuba foi um evento natural- tromba d’água fato raro, raríssimo. Na história do Brasil nunca ocorreu nada igual”.

 

Foi segundo os cientistas, a maior tragédia natural ocorrida no Brasil até então. E, como tradicionalmente ocorre em situação de calamidade pública, o prefeito na ocasião quis aproveitar a situação para faturar recursos junto aos governos estadual e federal. O comércio, no entanto, não aceitou tal politicagem.

 

Em 1968, uma manifestação interessante foi organizada pelos comerciantes d Caraguatatuba em plena  capital para mostrar que a cidade já tinha superado a calamidade e que os turistas poderiam voltar com tranquilidade a frequentar as praias do município. O movimento foi providencial porque o então prefeito José Geraldo Nogueira da Silva, fazia a questão de manter o estado de calamidade no município para continuar recebendo recursos do estado e doações das pessoas para a supostas famílias ainda necessitadas. Essa situação, no entanto, afetava e muito o comércio pois o estado de calamidade e as entrevistas do então prefeito em emissoras de rádio e jornais do Vale e capital afugentava os turistas da cidade.

 

 

 

Divisa Polêmica

 

Divisa ficou no Perequê-Mirim a partir de 1948

 

Em 1948, o governo do estado alterou os limites entre São Sebastião e Caraguatatuba e a cidade ganhou mais cinco bairros: Porto Novo, Travessão, Pegorelli, Barranco Alto e Perequê-Mirim, que até então, pertenciam a São Sebastião. Desde 1636, a divisa entre os dois municípios era o rio Juqueriquerê, em 1948, um projeto do deputado Diógenes Ribeiro de Lima alterando os limites para o rio Perequê-Mirim, foi aprovado pelo governador Adhemar de Barros. São Sebastião perdeu de um lado mais ganhou de outro, a divisa com Bertioga que antes era o rio Parateus, foi estendido até Boracéia.

 

Na década de 90, surgiu um movimento para recuperar para São Sebastião, os bairros perdidos para Caraguatatuba, encabeçado pelo então vereador Carlos Elpídio. O vereador fez um abaixo assinado coletando assinaturas para que assembleia legislativa alterasse novamente o limite para o rio Juqueriquerê. O movimento não vingou.  O prefeito de São Sebastião, Paulo Julião, não entrou na briga, porque na época, já traçava sua candidatura a deputado estadual e não quis perder os votos da cidade vizinha onde por sinal foi muito bem votado nas duas vezes que se elegeu deputado estadual

 

 

Economia

 

Fazenda dos Ingleses

 

Em 1927 surgiria em Caraguatatuba o maior investimento da região: a Fazenda São Sebastião, que passou a ser conhecida como “Fazenda dos Ingleses”. A fazenda ocupava uma área de 4 mil alqueires, plantava banana e laranja(grapefruit) para o mercado inglês. A laranja era a preferida do rei George VI. Entre 1929 e 1939 as barcas deixavam o rio Juqueriquerê, superlotadas, com banana e laranja, para abastecer os navios da companhia inglesa.

 

A fazenda era uma “cidade” dentro do município de Caraguatatuba. A economia da cidade vivia e dependia da movimentação comercial da fazenda. A fazenda tinha uma ferrovia de cerca de 80 quilômetros e foi desativada em 1967 após a catástrofe e sua área vendida para a Serveng Civilsan, empresa da família Pelerson Soares Penido, que implantou no local a Fazenda Serramar, que atua exclusivamente no ramo pecuário e imobiliário (shopping Serramar). Penido faleceu janeiro de 2012, aos 93 anos. Numa parte da área da fazenda foi construído o Serramar Shopping, o maior shopping do Litoral Norte. Nas dependências da fazenda está sendo construído o Aeródromo da cidade.

 

Pré-sal

 

UTGCA em Caraguatatuba

 

A partir da década de 70 Caraguatatuba passou a viver do turismo. Na década de 90 recebeu indenização do estado referente as áreas do Parque Estadual da Serra do Mar. No início dos anos 2000 passou a receber royalties pelo petróleo que passa pelos dutos da Petrobrás instalados em seu território.

 

 

Um grande investimento foi iniciado em 2008 pelo então presidente Luiz Inácio  Lula da Silva no município: Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato (UTGCA). A unidade, que foi concluída em 2011 no governo da presidente Dilma Rousselff, vem quebrando ano a ano recordes de produção, cerca de 700.000 m3 de GLP, valor que corresponde a mais de 27 milhões de botijões de 13 kg.  A UTGCA é a maior unidade de processamento de gás natural do Brasil.

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A unidade tem capacidade para processar diariamente até 20 milhões de m³ de gás natural, oriundo de diversas plataformas, interligadas à Plataforma de Mexilhão (PMXL-1), instalada a cerca de 140 quilômetros da costa. De lá, o produto chega à UTGCA por meio de um gasoduto. Depois do processamento na UTGCA, outro gasoduto leva o gás natural até a cidade de Taubaté (SP), de onde é lançado na malha de gasodutos da Petrobras, seguindo para distribuição. O GLP e o C5+ são enviados para São José dos Campos por meio dos oleodutos Caraguatatuba-Vale do Paraíba (Ocvap I e Ocvap II, respectivamente), de onde são distribuídos ao mercado.

 

Máquina de R$ 51 milhões enterrada na serra do Mar

 

Tuneladora enterrada na Serra. Foto: Reprodução Folha SP

 

Durante a perfuração do gasoduto Caraguatatuba-Taubaté, no trecho de serra em Caraguatatuba, a Petrobrás decidiu comprar por R$ 51 milhões o equipamento locado, uma máquina perfuradora de rochas, trazida da Itália, para a abertura do gasoduto e enterrá-lo.

 

A máquina usada para a abertura do gasoduto, transpondo a Serra do Mar por um túnel de 5 km de extensão com saída no município de Paraibuna, teria tido problemas e acabou sendo enterrada na Serra do Mar. A empresa informou na época que a decisão de enterrar a máquina ocorreu depois de uma avaliação econômica: a retirada da tuneladora após o término da perfuração poderia atrasar o início do escoamento do gás em seis meses, causando um prejuízo de cerca de R$ 700 milhões à Petrobrás.

 

Maior túnel do país

 

Túnel tem tem 5.555 metros de extensão

 

Caraguatatuba tem ligação como cidades vizinhas: Paraibuna, São Sebastião e Ubatuba. O acesso por estrada até São Sebastião foi aberto em 1938. Em 1939, seria inaugurado o acesso por terra até Paraibuna, que já tinha ligação até São José dos Campos, surgia a rodovia dos Tamoios, que se transformaria no principal acesso as praias do litoral norte. A ligação por terra com Ubatuba foi oficializada em 1955. A cidade tem ainda um acesso alternativo, conhecido como “estrada da Petrobras”, que liga o município até a cidade de Salesopolis.  A estrada, parte de cascalho e parte asfaltada, tem cerca de 70 quilômetros de extensão e foi construída para agilizar o acesso até uma base da Petrobras, onde é feita a transferência de óleo e derivados até Guararema.

 

A Rodovia dos Tamoios, a SP 99, possuí o maior túnel do Brasil.  O túnel 3/4, oficialmente denominado Túnel Antônio de Queiroz Galvão, fica na Serra Nova, tem 5.555 metros de extensão e é o túnel rodoviário mais longo do Brasil. A obra foi inaugurada em 26 de março de 2022, após quatro anos de escavações, com uma média de avanço de aproximadamente 1.250 metros por ano. A construção foi realizada pela Concessionária Tamoios, pertencente ao Grupo Queiroz Galvão. A denominação “Túnel 3/4” surgiu da alteração do projeto original, que previa a construção de dois túneis distintos, o Túnel 3 e o Túnel 4, separados por um viaduto. Para reduzir o impacto ambiental e otimizar a execução, os dois túneis foram integrados em uma única estrutura contínua.

 

Avenidas modernas

 

A duplicação e reurbanização da avenida da orla central transformou Caraguatatuba. A duplicação do trecho central, com 2.300 metros, entre o Camaroeiro e a ponte do Indaiá, foi iniciado em 1997 e concluído em 1998. A duplicação do segundo trecho na avenida Geraldo Nogueira da Silva, entre os bairros do Indaiá e Aruan, foi concluído em 2000. Obras executadas na administração de Antônio Carlos da Silva que acabaram transformando a cidade numa das mais modernas do litoral paulista.

 

Antiga avenida da praia central

 

O projeto arquitetônico foi elaborado por jovens arquitetos da cidade: Ana Cristina Dias, César Abboud, Jansen Di Tanno, José Galvão, Alexandre Stringari e Rodolfo Passos.A revitalização da orla, com a duplicação e urbanização, mudou o “perfil” e a “cara” da cidade, que antes das obras, pouco explorava sua faixa litorânea. A nova avenida  transformou a cidade, melhorou a autoestima da população, valorizou os imóveis próximos a praia, alavancou o turismo e gerou centenas de empregos através da construção civil.

 

A urbanização da avenida beira mar, com o calçadão e a ciclovia, melhorou a qualidade de vida de moradores e veranistas, que passaram a curtir a orla para atividades recreativas e esportivas. A orla da cidade possui espaços para inúmeras atividades esportivas, entre elas, canoagem, iatismo, natação, surfe, futebol, futevôlei, beach tênnis, vôlei, pickball, skate, tênis, basquete, ginástica, patinação, tai chi chuan, paraglider e futebol americano.

 

 

Areia que cura

 

 

Um craque da seleção brasileira tratou uma lesão séria no joelho com a areia monazítica existente na praia da Mococa, em Caraguatatuba. Trata-se de Dino Sani, na época, jogador do Milan, da Itália. Em 1962, Dino Sani enfrentava um lesão séria no joelho e ficou sabendo por um médico da areia medicinal existente na praia da Mococa.

 

 

O jogador chegou à cidade acompanhado de sua esposa dona Elza e se instalou num dos poucos hotéis da cidade. Ídolo do torcedor brasileiros pelo título de 1958 pela seleção e por suas passagens pelos clubes Palmeiras, São Paulo e Corinthians, Dino acabou se envolvendo com os moradores e fez muitos amigos na cidade.

 

Dino conviveu com muita gente na cidade, entre eles, João Baiano, dono do bar mais badalado naquela época; Iaiá, famoso por seus churrasquinho no pão e frango à passarinho; o jornalista Altamir Tibiriçá Pimenta; os comerciantes Jorge Burihan, Juca Carvalho, Zezinho do Posto; Neno Fida, José de Almeida Barbosa, Justo Arouca; e, políticos, como Boneca e o então prefeito Matheus.

Dino e sua esposa em jantar oferecido pelas autoridades

 

O tratamento durou alguns dias. Dino Sani passava algumas horas na Mococa, sentado na praia, com a areia monazítica sobre o joelho lesionado. O jogador foi muito paciente e dedicado. Não se sabe se pelo tratamento alternativo ou por todo o suporte que teve de renomados especialistas, o joelho foi recuperado e o jogador voltou aos jogos.

 

A areia monazítica sempre foi uma das atrações da praia da Mococa. Dizem que a areia monazítica ajuda no tratamento de artrites (inflamações nas articulações). A areia monazítica contém os minerais tório e urânio, responsáveis por sua radioatividade. Segundo alguns especialistas, a areia espalhada sobre as inflamações produz uma radiação que estimula os tecidos, favorecendo o fluxo sanguíneo na região afetada.

 

 

A Musa

 

 

Caraguatatuba teve dois artistas famosos que tiveram casa de veraneio na cidade e usaram suas atuações para divulgar o município. Um deles, foi Vicente Leporace, falecido em 1978, um dos maiores nomes do rádio brasileiro, que também foi compositor e ator.  Leporace trabalhou nas rádios Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro, Atlântica e Rádio Clube de Santos, Cruzeiro do Sul , Record e Bandeirantes. Um de seus programas mais famosos foi na Bandeirantes,  “O Trabuco”, que ficou no ar por muitos anos, sempre comentando os fatos políticos do dia. No cinema, Leporace teve três atuações: em 1949, em “Luar do Sertão?  depois  “Sai da Frente” e “Carnaval em Lá Maior”.  Como compositor, teve suas músicas gravadas por Silvio Caldas e Orlando Silva. Foi também colunista respeitado de vários jornais de São Paulo. Sua filha Liana Leporace chegou a residir por alguns anos em Caraguatatuba.

 

A apresentadora Hebe Camargo, falecida em 2012 devido as sequelas de um câncer, é considerada a veranista mais famosa de Caraguatatuba. Hebe começou a frequentar a cidade na década de 60 para visitar sua irmã Cida, que era casada com Rubens Gnecco, funcionário da prefeitura local. O casal residia na avenida Anchieta. Gnecco chegou a ocupar o cargo de prefeito por alguns meses em Caraguatatuba, na década de 60.

 

Na década de 80, Hebe construiu uma casa no condomínio Costa Verde Tabatinga, o mais badalado condomínio do litoral paulista. Fez grandes amigos no condomínio, entre eles, a empresária Cláudia Moraes (dona da Kopenhagen) e o jornalista e empresário J. Hawilla (na época, dono empresa de esportes Traffic).

 

Quando estava no condomínio, gostava de passear com sua lancha New Star em direção até a Ilha do Tamanduá e jogar pôquer com os vizinhos, entre eles, o ex-técnico Wanderley Luxemburgo e seu sobrinho e empresário Cláudio Pessuti.

 

Hebe Camargo adorava caminhava pela areia da praia de sua casa até o quiosque do Na Manhã, geralmente, acompanhada de amigas e amigos. Lá, apreciava caipirinhas e porções de pasteis e frutos do mar, preparados pelo casal Na Manhã e dona Glória. Hebe ajudou muito Caraguatatuba divulgando a cidade em seus programas na TV. Após sua morte, a família acabou vendendo a casa dela no condomínio Tabatinga.

 

 

 

 



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