Lula é reeleito na disputa mais apertada da história; BRAZIL ECONOMY|Colectta acertou

Lula é reeleito na disputa mais apertada da história; BRAZIL ECONOMY|Colectta acertou

Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente da República após uma disputa histórica contra o senador Flávio Bolsonaro. O resultado confirmou a tendência apontada pela pesquisa do Instituto Colectta, encomendada pelo BRAZIL ECONOMY e divulgada na véspera da votação, que indicava 50,3% dos votos válidos para Lula, contra 49,7% para o adversário. A diferença de apenas 0,6 ponto percentual já sinalizava uma eleição extremamente competitiva, marcada pela polarização política e pela divisão do eleitorado brasileiro.

O levantamento do BRAZIL ECONOMY/Colectta contrariou a tendência indicada por pesquisas de institutos como PoderData/Aya, Veritá, Datafolha, Quaest e CNT/MDA, que apontavam vantagem para o candidato bolsonarista. A confirmação da vitória de Lula reforçou a importância de fatores como abstenção, distribuição regional dos votos e perfil socioeconômico do eleitorado na interpretação das intenções de voto.

A apuração revelou uma disputa voto a voto. Lula começou na liderança, mas foi ultrapassado por Flávio Bolsonaro quando 13,65% das urnas estavam apuradas. O petista recuperou a primeira posição quando a totalização se aproximava de 47% e manteve a vantagem até a definição do vencedor.

O mapa eleitoral evidenciou a divisão política do País. Lula venceu nos nove estados do Nordeste, além de Minas Gerais, Amapá, Amazonas e Pará. Flávio Bolsonaro, por sua vez, conquistou a maioria dos votos em todos os estados do Sul e do Centro-Oeste, além de Acre, Rondônia, Roraima, Tocantins, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro. O resultado mostrou a força regional dos dois candidatos e a importância dos estados mais populosos na definição da eleição.

Pesquisa eleitoral

Realizada em 23 de outubro, dois dias antes do segundo turno, a pesquisa BRAZIL ECONOMY/Colectta ouviu presencialmente 3 mil eleitores em todo o País. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-05601/2026, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Segundo Rafael Adib, CEO da Colectta, a metodologia considerou variáveis que ajudam a compreender o comportamento do eleitorado e a composição dos votos válidos.

“Trazemos a abstenção como um fator que ponderamos, junto com região, renda, instrução e Bolsa Família. Nossas perguntas são extremamente relevantes para o questionário e temas como renda, instrução, assistencialismo pautam a discussão eleitoral na atualidade”, afirma Adib.

A proximidade entre os percentuais dos candidatos também refletiu a dificuldade de antecipar o comportamento de um eleitorado dividido, especialmente diante do peso da abstenção e das diferenças de preferência política entre regiões, faixas de renda e níveis de escolaridade.

Para Jaqueline Mendes, editora do BRAZIL ECONOMY, o segundo turno representou um dos momentos mais marcantes da cobertura política recente, tanto pela intensidade da disputa quanto pela imprevisibilidade do resultado.

“O que mais me impressionou foi o nível de acirramento, sendo uma eleição totalmente competitiva. A guinada do Lula do primeiro pro segundo turno mostra a indecisão do eleitor brasileiro. Fazer uma cobertura jornalística de uma eleição como essa nos permite fazer parte do processo democrático. É assistir de camarote a história do Brasil sendo escrita”, afirmou.

A reeleição de Lula também abre uma nova etapa de desafios políticos e econômicos. O presidente terá pela frente a necessidade de construir uma base de sustentação no Congresso Nacional, enfrentar as pressões sobre as contas públicas e buscar condições para o crescimento econômico em um país que chega ao fim do processo eleitoral profundamente dividido.

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