
A disputa pela Presidência da República chega ao segundo turno com um elevado índice de fidelidade eleitoral e pouca disposição dos brasileiros para mudar de candidato. Pesquisa realizada pela Colectta a pedido do BRAZIL ECONOMY revela que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) conseguiram preservar mais de 96% dos votos conquistados na primeira etapa da eleição. Com as duas candidaturas praticamente empatadas, a transferência de votos dos candidatos derrotados e a mobilização dos eleitores que não compareceram às urnas pode ser determinante para o resultado.
Entre os entrevistados que votaram em Lula no primeiro turno, 97,1% afirmam que pretendem repetir a escolha. No caso de Flávio Bolsonaro, o índice de fidelidade alcança 96,4%, uma diferença de apenas 0,7 ponto percentual entre os dois candidatos.
A migração direta de votos entre os adversários é reduzida. Apenas 1,4% dos eleitores que escolheram Lula no primeiro turno declaram agora preferência pelo senador. No sentido contrário, 2,1% dos que votaram em Flávio Bolsonaro afirmam que pretendem apoiar o presidente.
Os números indicam que as bases eleitorais dos dois candidatos estão praticamente consolidadas, o que restringe o espaço para conquistar votos diretamente do adversário nesta reta final de campanha.
“Os dados mostram que os dois candidatos chegam ao segundo turno com um eleitorado extremamente fiel. Quem votou em Lula ou Flávio Bolsonaro no primeiro turno, em sua ampla maioria, pretende manter a escolha. Isso faz com que a disputa se concentre nos eleitores que apoiaram outras candidaturas e naqueles que não participaram da primeira votação”, afirmou Rafael Adib, CEO da Colectta.
Votos de terceiros
Entre os eleitores que apoiaram os candidatos derrotados no primeiro turno, Flávio Bolsonaro apresenta vantagem numérica nas intenções de voto, embora nenhum dos dois finalistas consiga reunir a maioria absoluta desses grupos.
No eleitorado de Augusto Cury, 37,5% declaram preferência pelo senador, enquanto 33,4% pretendem votar em Lula. A diferença é de 4,1 pontos percentuais a favor de Flávio.
Entre os brasileiros que escolheram Renan Santos, a vantagem do candidato do PL é maior. Flávio concentra 40,9% das intenções de voto, contra 30,4% do presidente, uma distância de 10,5 pontos percentuais.
O cenário é semelhante entre os eleitores de Ronaldo Caiado. Nesse segmento, Flávio Bolsonaro aparece com 35,9% das preferências, enquanto Lula registra 30,7%, uma diferença de 5,2 pontos percentuais.
Apesar da vantagem numérica do senador nos três grupos, os resultados mostram que uma parcela relevante dos eleitores dos candidatos eliminados não declarou preferência por nenhum dos dois finalistas. Isso abre espaço para votos brancos, nulos e indecisos, dependendo da distribuição das respostas em cada segmento.
“Flávio Bolsonaro apresenta uma capacidade numericamente maior de atrair eleitores das candidaturas que ficaram fora do segundo turno”, disse Adib. “Entretanto, essa vantagem precisa ser analisada considerando o tamanho de cada grupo e a parcela que ainda não escolheu um dos finalistas. Em uma eleição tão equilibrada, pequenas diferenças podem ter importância.”
Peso dos ausentes
Se Flávio Bolsonaro leva vantagem entre os eleitores dos candidatos derrotados, Lula aparece à frente entre aqueles que não compareceram às urnas no primeiro turno.
Nesse grupo, que representa 7,4% da amostra ponderada da pesquisa, o presidente registra 51,8% das intenções de voto, contra 34,3% do senador. A vantagem de Lula chega a 17,5 pontos percentuais.
O resultado coloca a mobilização dos ausentes entre os fatores potencialmente relevantes para a definição da eleição. Entretanto, a preferência declarada por esses entrevistados não significa necessariamente que eles comparecerão às urnas no segundo turno.
A capacidade das campanhas de transformar intenção de voto em comparecimento efetivo pode, portanto, influenciar o desempenho dos candidatos, especialmente em um cenário de diferença reduzida nas pesquisas.
“Existe uma vantagem importante de Lula entre os eleitores que não participaram do primeiro turno. O desafio, nesse caso, é transformar essa preferência em votos efetivos. Não basta que o eleitor declare apoio a um candidato. É necessário que ele compareça às urnas, e a pesquisa não permite antecipar esse comportamento”, avaliou o CEO da Colectta.
Origem dos votos
A composição atual do eleitorado dos dois candidatos reforça a importância da fidelidade observada desde o primeiro turno.
Entre os brasileiros que agora declaram voto em Lula, 82,5% já haviam escolhido o presidente na primeira etapa da eleição. Outros 8,2% são eleitores que não compareceram às urnas naquela ocasião.
No caso de Flávio Bolsonaro, a dependência do eleitorado original é ainda maior. Segundo a pesquisa, 86,1% de seus atuais apoiadores já haviam votado no senador no primeiro turno. Outros 5,8% vieram de candidaturas derrotadas, enquanto 5,7% são de eleitores que não participaram da votação anterior.
Os percentuais indicam estratégias distintas de ampliação das bases eleitorais. Flávio apresenta vantagem numérica na atração de apoiadores de outros candidatos, enquanto Lula registra maior participação dos ausentes do primeiro turno na composição de seu eleitorado atual.
Os dados também revelam que, com índices de fidelidade superiores a 96%, a margem para mudanças expressivas nas preferências dos eleitores que já escolheram um dos finalistas é limitada.
Nesse contexto, o resultado poderá depender não apenas da conquista de novos apoios, mas também da capacidade de cada campanha de mobilizar seus eleitores e reduzir a abstenção.
O levantamento BRAZIL ECONOMY | Colectta ouviu presencialmente 3 mil eleitores em 23 de outubro de 2026. A pesquisa tem margem de erro geral de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-05601/2026.






