PM diz em nota que ‘ultrapassou limite’ em vídeo feito por porta-voz com ataques a repórter de EXTRA e O Globo

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Após a decisão do governador em exercício do Rio, Cláudio Castro, de exonerar do cargo a porta-voz da Polícia Militar, tenente-coronel Gabryela Dantas, que atacou pessoalmente o repórter Rafael Soares, de EXTRA e O Globo, num vídeo publicado em rede social da corporação, a PM se posicionou, no fim da tarde desta quarta-feira, por meio de seu site oficial, e afirmou que “ultrapassou um limite” ao “personalizar seu descontamento com um repórter” e reforçou reconhecer “o valor da liberdade de imprensa”. Leia abaixo abaixo do comunicado:

A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro é uma corporação fundamental para a sociedade democrática. É um dos alicerces da sociedade civilizada, com profissionais capacitados para exercer a nobre missão de servir e proteger. Assim como outras instituições, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro está, constantemente, sob avaliação crítica de setores da sociedade, como a imprensa.

A PM acolhe críticas construtivas. Todos devem buscar o equilíbrio em sua forma de atuação e evoluir para prestar melhores serviços à sociedade. Mas é necessário entender que ela é formada por homens e mulheres que se sentem atingidos quando as respostas a essas críticas não são acolhidas na sua integralidade.

A verdade é que podemos crescer juntos e, quando divididos, crescem os verdadeiros inimigos da ordem e da democracia. Neste sentido, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro esclarece que, ao personalizar esse descontentamento em um repórter, ultrapassou um limite que feriu o equilíbrio de sua atuação. Reconhecemos o valor da liberdade de imprensa.

O dever da Polícia Militar é proteger o cidadão e preservar vidas. De todos. Vamos seguir nesta missão“.

Quem também se manifestou, logo em seguida, foi o próprio governador exercício. Castro disse que “é preciso preservar e respeitar ambos os lados”.

“Confio no trabalho dos policiais que têm a nobre missão de servir e proteger. Todos os dias somos questionados e muitas vezes vítimas de acusações. Ainda assim, defendo o diálogo com a imprensa. O debate de ideias é importante, mas é preciso preservar e respeitar ambos os lados”, disse.

O caso

Gabryela atacou o repórter Rafael Soares, do EXTRA e do Globo, autor de uma reportagem sobre o aumento do número de descarte de munição usada por policiais do 15º BPM (Caxias). A oficial afirmava, em vídeo publicado na noite da última terça-feira nas redes sociais da corporação, que o jornalista agiu de “forma maldosa” e que se aproveitou “da comoção nacional (uma referência à morte de duas meninas em Caxias, por bala perdida) para colocar a população contra a Polícia Militar”.

O vídeo foi apagado na tarde desta quarta-feira pelo perfil oficial da PM. Em nota, a Editora Globo, que publica os dois jornais, repudiou o vídeo em que a porta-voz classifica o jornalista como inimigo da corporação e ainda incentiva a população a divulgar a gravação. Afirma que “faz parte da prática jornalística diária lidar com críticas, contestações e pedidos de reparação de alguma informação”. Acrescentou, no entanto, que “não é papel de uma instituição de Estado atacar pessoalmente um profissional nem incitar a população contra ele”.

‘Linchamento virtual’, diz Abraji em nota

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou o vídeo. “Incitar a população contra o jornalista mostra não só falta de respeito à liberdade de imprensa, mas claro objetivo de intimidar o repórter”. A Abraji também questionou afirmações feitas pela tenente-coronel no vídeo, e relatou um “linchamento virtual” ao repórter nesta quarta-feira:

“Nos últimos segundos do vídeo, a tenente-coronel dá a entender que o trabalho do repórter – que “ao longo dos anos” teria tentado rotular as tropas da corporação – poderia ter evitado a morte do cabo Derinaldo Cardoso dos Santos, baleado em Mesquita, também na Baixada Fluminense. Mas a oficial não detalha como o trabalho crítico da imprensa poderia interferir na morte de policiais durante um assalto.

A convocação para divulgar de forma massiva o vídeo teve efeito imediato. Em menos de uma hora, Rafael Soares foi obrigado a fechar suas redes sociais devido a centenas de notificações de ofensas, inclusive pedindo a prisão dele.

Investigação sobre a morte das primas na Baixada

Policiais do 15º BPM são investigados pelas mortes das meninas Emilly, de 4 anos; e Rebecca Santos, de 7, atingidas por um tiro de fuzil quando brincavam na porta de casa, na última sexta-feira, em Caxias. A PM nega que os cinco policiais que estavam de plantão no dia do crime tenham feito disparos, mas os fuzis e as pistolas que eles usavam foram apreendidos e enviados para perícia. Parentes das meninas afirmam que o tiro que as matou foi disparado por um policial militar. Um projétil encontrado no corpo de umas vítimas pode ajudar a esclarecer de que arma partiu a bala.

As primas Rebecca, de 7 anos, e Emilly, de 4 Foto: Reprodução



Fonte: Fonte: Jornal Extra