Ataque com drones a mercado em Abyei deixa mais de 220 mortos, diz autoridade local

Ataque com drones a mercado em Abyei deixa mais de 220 mortos, diz autoridade localNova estimativa foi divulgada após balanço de 153 vítimas; bombardeio atingiu região disputada entre Sudão e Sudão do Sul.

O ataque com drones ao mercado de Amiet, em Abyei, na segunda-feira (19), deixou mais de 220 mortos, segundo Yohana Akol Ngor, ministro interino da Informação da administração local. A atualização foi divulgada pela Eye Radio nesta terça-feira (20). O Sudans Post também publicou um balanço de 220 mortes, atribuído às autoridades.

Mais cedo, Reuters e Associated Press haviam informado 153 mortes, citando declarações de Ngor. Os números são balanços divulgados pelas autoridades locais, e a contagem permanece provisória.

O bombardeio atingiu também um depósito de combustíveis. Segundo os relatos reunidos pela Reuters, o incêndio continuava ativo na terça-feira e dificultava o trabalho das equipes que tentavam localizar e retirar as vítimas.

À Eye Radio, o ministro afirmou que mais de 8 mil pessoas fugiram após o ataque. Parte dos deslocados procurou abrigo na cidade de Abyei e em áreas próximas. A autoridade pediu ajuda urgente a organizações humanitárias e agências da ONU.

Médicos Sem Fronteiras informou ter atendido mais de 20 feridos no hospital Ameth Bek, incluindo pacientes com queimaduras.

O governo do Sudão do Sul responsabilizou o Exército sudanês. À AP, um oficial dessa força, que falou sob anonimato, afirmou que os drones miraram caminhões de combustível destinados às Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar em guerra com o Exército. Ele negou ataques a civis. A agência informou não ter conseguido verificar de forma independente essa versão sobre os alvos e as vítimas.

Abyei é uma região disputada por Sudão e Sudão do Sul. Seu status permanece sem solução desde a independência sul-sudanesa, em 2011. O mercado de Amiet funciona como ponto de comércio para comunidades da região e pessoas deslocadas pela guerra.

A administração local pediu aos governos dos dois países e à comunidade internacional uma investigação sobre o episódio e as mortes de civis.