Violência é o maior medo dos eleitores, sejam eles de Tarcísio ou de Haddad

A violência e a insegurança são os principais temores dos eleitores paulistas diante de uma eventual vitória tanto do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) quanto de Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo de São Paulo. O grau de preocupação, porém, varia de acordo com o candidato: 47% afirmam ter “muito medo” de que a violência aumente em um novo governo Tarcísio, enquanto o percentual chega a 59% na hipótese de uma gestão Haddad.

Os dados fazem parte de pesquisa encomendada pelo BRAZIL ECONOMY ao instituto de pesquisas Colectta e mostram como os paulistas percebem riscos associados aos dois principais candidatos na reta final da eleição. O levantamento mediu o grau de medo dos entrevistados diante de nove situações envolvendo segurança, serviços públicos, emprego, renda, economia, instituições e polarização política.

Na comparação direta, uma eventual administração de Haddad provoca percentuais maiores de “muito medo” em oito dos nove cenários apresentados aos entrevistados. A única exceção é o aumento das brigas e divisões políticas, que preocupa mais na hipótese de continuidade de Tarcísio: 36% contra 33% em um eventual governo do petista.

“Os resultados mostram que o medo do eleitor não está concentrado em uma única dimensão. Segurança aparece na liderança para os dois candidatos, mas questões econômicas e a qualidade dos serviços públicos também ocupam um espaço importante. A diferença é que, no caso de Haddad, esses receios aparecem com intensidade maior na maior parte dos temas pesquisados”, afirmou Rafael Adib, CEO da Colectta.

Medos com Tarcísio

No cenário de uma vitória de Tarcísio, 47% dos entrevistados dizem ter muito medo de que a violência e a insegurança aumentem. Logo atrás aparecem três preocupações praticamente empatadas: piora da educação pública, aumento da pobreza e deterioração da saúde pública, todas mencionadas como motivo de muito medo por 46% dos eleitores.

As preocupações econômicas também ocupam posição relevante. Segundo a pesquisa, 43% têm muito medo de que a renda das famílias diminua em um eventual novo mandato de Tarcísio, enquanto 42% temem fortemente o aumento do desemprego.

Outros 40% dizem ter muito medo de interferência política na Justiça e em órgãos públicos, mesmo percentual dos que manifestam forte preocupação com uma eventual piora da economia. O aumento das brigas e divisões políticas aparece no fim da lista, com 36%.

Os números indicam que, mesmo entre os eleitores diante de um cenário de continuidade da atual gestão estadual, há receios relevantes relacionados a segurança pública, serviços essenciais e condições econômicas. A pergunta não mede a probabilidade de cada situação ocorrer, mas o grau de medo declarado pelos entrevistados diante de cada hipótese.

Temores com Haddad

Na hipótese de vitória de Haddad, os percentuais de “muito medo” são mais elevados na maior parte dos itens. Além dos 59% que temem fortemente o aumento da violência e da insegurança, 57% demonstram o mesmo grau de preocupação com o avanço da pobreza.

A piora da saúde pública é apontada por 56%, enquanto 54% afirmam ter muito medo de deterioração da educação pública. Questões diretamente relacionadas ao bolso também ultrapassam a metade dos entrevistados: 51% temem fortemente uma redução da renda das famílias e outros 51%, aumento do desemprego.

A possibilidade de piora da economia desperta muito medo em 48% dos paulistas diante de uma eventual administração Haddad. Já 42% demonstram forte preocupação com interferência política na Justiça e em órgãos públicos.

O único dos nove indicadores em que o percentual atribuído a Haddad fica abaixo do registrado para Tarcísio é a intensificação das brigas e divisões políticas. Nesse caso, 33% dizem ter muito medo de que isso ocorra em um governo do petista, ante 36% na hipótese de um novo mandato do atual governador.

“Há um componente importante de voto defensivo nesses números. Quando o eleitor avalia o candidato rival, não está olhando apenas para aquilo que espera de seu preferido, mas também para aquilo que deseja evitar. A pesquisa sugere que segurança, pobreza, serviços públicos e economia formam hoje um conjunto de riscos percebidos capaz de influenciar a decisão eleitoral”, disse Adib.

Diferenças

A maior distância entre os dois cenários está justamente na segurança pública. O percentual dos que têm muito medo do aumento da violência é 12 pontos percentuais superior diante de uma eventual gestão Haddad: 59%, contra 47% para Tarcísio.

A pobreza apresenta diferença de 11 pontos, com 57% no cenário Haddad e 46% no cenário Tarcísio. Na saúde pública, são dez pontos de distância, 56% contra 46%. Em relação à educação, a diferença chega a oito pontos, 54% a 46%.

A mesma distância de oito pontos aparece na renda das famílias, 51% contra 43%, e na percepção de risco de piora da economia, 48% contra 40%. No desemprego, a diferença é de nove pontos, 51% ante 42%. A preocupação com interferência política na Justiça e em órgãos públicos é mais próxima entre os dois cenários: 42% para Haddad e 40% para Tarcísio.

A pesquisa, portanto, não indica que esses eventos ocorreriam em qualquer dos dois governos. Os resultados retratam exclusivamente a percepção de risco e o grau de temor declarado pelos eleitores diante das hipóteses apresentadas pelo instituto.

Metodologia

A Colectta realizou 1.800 entrevistas presenciais com eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 19 e 22 de setembro, em todo o Estado de São Paulo. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 2,3 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

Os levantamentos foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números SP-04186/2026 e BR-05255/2026.

 




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