“Teremos governabilidade isolando a extrema-direita”, diz líder do governo na Câmara

“Teremos governabilidade isolando a extrema-direita”, diz líder do governo na Câmara

O jornalista e técnico agrícola Paulo Pimenta estreou na Câmara dos Deputados em 2003, no início do primeiro mandato do presidente Lula. De lá para cá, reelegeu-se para o cargo em todas as eleições, sempre pelo PT do Rio Grande do Sul, mas, neste ano, ficou em 4º lugar na disputa pelo Senado gaúcho. Em mais de 20 anos de vida pública em Brasília, ocupou a presidência da Comissão Mista de Orçamento, uma das mais importantes do Congresso Nacional, e da CPI do Tráfico de Armas.

No início do atual governo Lula, foi nomeado ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), sendo substituído por Sidônio Palmeira em janeiro de 2025, em meio às críticas de que a comunicação petista não soube lidar com a repercussão de um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), no qual o parlamentar acusava o governo de querer acabar com o Pix no Brasil. Naquele mês, a popularidade de Lula desabou, em meio à repercussão do vídeo, cujas alegações foram posteriormente contestadas. Em entrevista exclusiva ao BRAZIL ECONOMY, logo após a confirmação da reeleição de Lula, Pimenta aborda alguns pontos que marcaram a campanha e as perspectivas para o quarto mandato do presidente. Confira:

A que o senhor atribui a virada histórica do presidente Lula no 2º turno das eleições?
Essa virada se deve a vários fatores: mobilização nas ruas e nas redes, além da presença mais intensa da juventude. O desempenho do presidente nos debates e a oportunidade de mostrar para a população, de forma mais nítida, as nossas propostas. Isso gerou uma grande mobilização social, que certamente foi o grande diferencial para que conseguíssemos mais de dez milhões de votos no 2º turno em relação ao 1º.

O senhor sofreu algumas críticas pela comunicação dentro do governo. Acha que a esquerda conseguiu se reinventar nesse sentido?
Não é que se reinventou. Utilizou de forma mais adequada e intensa as redes sociais e as plataformas digitais. Criou uma sinergia muito grande com a juventude, que foi muito importante. E ela nos ensinou que há uma necessidade para a gente ajustar nossa maneira de trabalhar, as mudanças tecnológicas e as novas maneiras que o mundo moderno coloca. Foi um aprendizado muito grande.

Existe um temor do governo em relação à dificuldade de lidar com um Congresso majoritariamente de direita?
Vamos desenvolver uma pauta para o País em torno de um objetivo: reduzir a taxa de juros. Com isso, vamos aumentar as exportações e apoiar o setor produtivo. Sempre com um olhar muito especial para a área social. O presidente Lula tem muita capacidade de diálogo nesse sentido. O governo vai compor uma maioria na Câmara e no Senado e isolar os radicais. Tenho certeza de que desenvolveremos uma governabilidade bastante profícua para o País. Em resumo, teremos governabilidade isolando a extrema-direita.

Hoje, o mercado reagiu mal à eleição de Lula. Isso deve ser passageiro?
O mercado financeiro está especulando, como sempre faz. Logo, logo ele vai se estabilizar. O presidente Lula é uma pessoa muito respeitada dentro e fora do Brasil, e os investidores vão entender a segurança que é investir aqui. Nós não representamos nenhum tipo de aventura ao País e, por isso, essa questão da Bolsa é mera especulação do capital financeiro.

O senhor é cotado para assumir algum ministério?
Não tem qualquer conversa de cargos ou funções. O presidente Lula sabe que pode contar comigo, como sempre pôde. Hoje sou líder do governo e tenho muito trabalho pela frente. No momento adequado, o presidente vai decidir qual a melhor maneira de eu contribuir para o nosso projeto, representando o Rio Grande do Sul e também o governo.

Existe o temor de algum tipo de caos social estimulado pelos apoiadores de Flávio Bolsonaro?
Não creio que haja qualquer tipo de repercussão ou tentativa de deslegitimar o resultado da eleição. O presidente teve uma vitória com mais de quatro milhões de votos. Ninguém da imprensa brasileira ou algum jurista acredita que houve qualquer questionamento. Nem o próprio Flávio Bolsonaro terá condição de manter esse discurso, tamanha a distância entre o que as urnas disseram e qualquer tentativa de perturbação nesse sentido. O resultado está consolidado.

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