Primeira duplicata escritural é negociada no Brasil por Monkey e B3

Primeira duplicata escritural é negociada no Brasil por Monkey e B3

A Monkey, fintech global de antecipação de recebíveis, e a B3, a bolsa do Brasil e uma das escrituradoras autorizadas pelo Banco Central, anunciam a realização da primeira operação de duplicata escritural. A transação marca a estreia de um dos movimentos mais transformadores do crédito corporativo brasileiro das últimas décadas, apelidado por parte do mercado de “Pix do crédito empresarial”, com potencial para destravar cerca de R$ 11 trilhões em recebíveis e obrigatoriedade prevista a partir de 2027.

A duplicata escritural substitui o modelo físico e fragmentado por um registro eletrônico centralizado em escrituradoras autorizadas pelo Banco Central, como a B3, eliminando riscos como duplicidade de títulos, dupla cessão e a chamada “duplicata fria”, título emitido sem lastro em uma operação real. Na prática, cada duplicata passa a ter um registro único e rastreável, e a registradora rejeita a cessão do mesmo título a mais de um comprador, impedindo que uma única nota fiscal seja usada como garantia em mais de uma operação de crédito simultaneamente. Historicamente, esses eram os principais gargalos que geravam custos, fraudes e insegurança jurídica para empresas que dependem de crédito de curto prazo para financiar o capital de giro.

O potencial de mercado é expressivo. O Brasil gera atualmente entre R$ 10 trilhões e R$ 13 trilhões anuais em duplicatas, mas apenas uma fração, estimada entre 10% e 15% do total, é efetivamente utilizada em operações de crédito. Ao transformar esses recebíveis em ativos digitais, seguros e rastreáveis, a duplicata escritural pode destravar cerca de R$ 11 trilhões em crédito, ampliando o acesso ao financiamento e pressionando o custo de capital para baixo, sobretudo para pequenas e médias empresas historicamente distantes do mercado de capitais.

A operação realizada em conjunto pela Monkey e pela B3 marca a estreia prática das duas empresas nesse modelo, que vinha sendo debatido no mercado ao longo de 2026. A estrutura reuniu quatro pontas: um fornecedor, na condição de cedente do recebível; um sacado; a B3, responsável pela escrituração do título e pelo registro da negociação; e a Echoes Capital, instituição financeira que aportou o capital da operação. A Monkey atuou como plataforma de originação e antecipação, conectando o fornecedor ao capital de giro necessário para sustentar sua atividade.

“Essa operação com a B3 é um marco importante para a Monkey. A duplicata escritural é muito mais do que a digitalização de um título: é uma nova infraestrutura de crédito que resolve gargalos históricos como a duplicidade e a fraude, e que pode destravar trilhões de reais em recebíveis que hoje estão parados. Para o CFO e o tesoureiro que trabalham conosco, isso significa acesso a crédito mais barato, mais rápido e com muito mais segurança jurídica. É esse tipo de infraestrutura que queremos ajudar a construir no Brasil”, afirma Roberta Ferraz, diretora de Novos Negócios da Monkey.

Do lado da B3, a operação reforça o papel da companhia como infraestrutura central do mercado de capitais e do crédito privado no país. “A B3 tem um papel natural como registradora de ativos financeiros, e a duplicata escritural é uma extensão lógica desse papel para o mercado de recebíveis. Essa parceria com a Monkey mostra o modelo funcionando na prática e reforça nosso compromisso com a evolução desse mercado”, afirma Roberta Fortunato, superintendente de Duplicata Escritural da B3.

Responsável por aportar o capital da operação, a Echoes Capital representou a ponta financiadora, que assume o recebível e disponibiliza os recursos ao fornecedor. “O que torna a duplicata escritural transformadora para quem aloca capital é a confiança no ativo. Quando o recebível é registrado de forma única e rastreável, e a própria infraestrutura impede a dupla cessão, o risco de fraude cai drasticamente e conseguimos precificar melhor a operação. Isso significa mais crédito disponível, a um custo mais justo, para as empresas que realmente geram o recebível. Participar da primeira operação da Monkey com a B3 nesse modelo é apostar em uma nova classe de ativos que deve ganhar escala rapidamente no Brasil. É um marco importante para nós e um passo na direção de um mercado de crédito mais eficiente, transparente e conectado”, afirma Richemn Mourad, sócio e CEO da Echoes Capital.

A operação acontece pouco depois de o Banco Central lançar oficialmente o ecossistema da duplicata escritural, em 30 de junho de 2026, dando início à fase de produção assistida ao longo do segundo semestre do ano. A obrigatoriedade será escalonada de acordo com o porte das empresas: grandes companhias a partir de julho de 2027, médias em dezembro de 2027 e pequenas em julho de 2028, em um cronograma que deve impactar cerca de 2 milhões de empresas emissoras de duplicatas no país.

Para a Monkey, que atua há dez anos no mercado de antecipação de recebíveis e opera em países como o Chile, onde a fatura eletrônica serve de lastro para operações de crédito desde a legislação de 2004, a operação com a B3 representa um passo concreto nesse movimento. A experiência internacional reforça a leitura da companhia sobre o potencial da duplicata escritural. No mercado chileno, o modelo de cessão eletrônica de recebíveis tornou-se uma das principais fontes de financiamento para empresas, chegando a movimentar o equivalente a cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Essa experiência sustenta a participação ativa da Monkey nas discussões sobre o tema no Brasil e a defesa da padronização eletrônica como caminho para reduzir fraudes, custos de capital e riscos de crédito na cadeia de fornecedores.

 


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