Irã promete endurecer reação e prolongar guerra com EUA, elevando risco à economia global

Irã promete endurecer reação e prolongar guerra com EUA, elevando risco à economia global

O Irã está disposto a sustentar uma guerra prolongada e deverá intensificar seus contra-ataques se os Estados Unidos mantiverem as ofensivas contra o território, os petroleiros e a infraestrutura do país. A avaliação foi apresentada por uma autoridade graduada da República Islâmica, que falou sob condição de anonimato.

Segundo a fonte, Teerã não pretende recuar diante do bloqueio naval imposto por Washington. Embora reconheça o agravamento da pressão econômica, a liderança iraniana considera o confronto uma ameaça à própria sobrevivência do regime e entende que há poucas opções além da continuidade dos combates.

As forças iranianas vêm recompondo sua capacidade militar desde abril, quando terminou a fase mais intensa do conflito. A autoridade afirmou que o país mantém um estoque de mísseis suficiente para enfrentar uma disputa de longa duração.

A declaração foi feita no momento em que a guerra entre os dois países entra no sétimo mês sem sinais de trégua. Os Estados Unidos informaram que um navio militar precisou desviar de um ataque iraniano e que cinco petroleiros da República Islâmica foram destruídos em resposta.

Teerã reagiu com o lançamento de aproximadamente 20 mísseis contra uma base aérea na Jordânia usada pelas forças americanas. O Irã também anunciou ataques contra embarcações da Marinha dos Estados Unidos e navios comerciais.

Explosões foram registradas nas proximidades da costa de Jask, perto do Estreito de Ormuz, por volta das 19h20 no horário local desta quarta-feira (9), de acordo com a agência semioficial iraniana Fars. O episódio pode estar relacionado a novas operações militares americanas.

A escalada provocou reflexos imediatos no mercado de energia. O petróleo Brent ultrapassou US$ 100 por barril e acumula valorização de cerca de 65% em 2026. Nos Estados Unidos, o diesel atingiu preço recorde na semana passada, aumentando a pressão política sobre o presidente Donald Trump.

O avanço dos combustíveis ocorre a menos de dois meses das eleições legislativas americanas, marcadas para 3 de novembro. Segundo Dina Esfandiary, da Bloomberg Economics, integrantes da liderança iraniana avaliam que o governo Trump reage principalmente a ameaças e ao agravamento das hostilidades. Eles acreditam ainda que a Casa Branca está mais vulnerável aos custos políticos da guerra durante o período eleitoral.

O novo chefe de segurança do Irã, Mohsen Rezaee, afirmou nesta semana que a estratégia militar contra bases e embarcações americanas foi “fundamentalmente recalibrada”. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que chegou ao fim a fase das “respostas proporcionais”.

A guerra começou no fim de fevereiro, após Estados Unidos e Israel iniciarem ataques contra o território iraniano. Desde então, o Estreito de Ormuz tornou-se um dos principais focos do confronto, em razão de sua importância para o transporte mundial de petróleo. As tentativas de negociação permanecem interrompidas há meses.

Washington procura evitar a retomada dos ataques em larga escala registrados entre março e abril. Além dos efeitos sobre os combustíveis, os Estados Unidos consumiram uma parcela significativa de seus mísseis interceptadores durante a ofensiva.

A estratégia americana passou a concentrar-se no bloqueio econômico e na pressão sobre governos e empresas que mantêm relações comerciais com Teerã. O objetivo é obrigar o país a liberar integralmente a navegação pelo Estreito de Ormuz e retornar às negociações de paz.

O governo iraniano, por sua vez, reivindica o direito de controlar o tráfego na rota marítima e continua atacando embarcações que cruzam a região sem autorização. Essa postura aumenta o risco de uma nova ampliação do conflito.

As restrições já atingem duramente a economia do Irã. As dificuldades para vender petróleo e importar produtos essenciais levaram a inflação para perto de 90%, enquanto o rial sofre forte desvalorização. A crise econômica desencadeou protestos em massa no fim do ano passado, reprimidos pelas autoridades.

Parte do governo iraniano, incluindo o presidente Masoud Pezeshkian, defende a retomada das conversas com Washington para aliviar a pressão sobre o país. Teerã, no entanto, exige que os Estados Unidos suspendam primeiro o bloqueio e retomem as condições do memorando firmado em junho, cujo cessar-fogo durou pouco tempo.

 




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