
A divisão farmacêutica da Bayer no Brasil avançou em sua estratégia comercial ao firmar um novo acordo para a gestão de dois medicamentos oncológicos no país. A parceria envolve os produtos Nexavar (sorafenibe), indicado para o tratamento de câncer de fígado, rim e tireoide, e Stivarga (regorafenibe), utilizado em tumores do trato gastrointestinal.
O movimento representa uma mudança relevante no posicionamento da companhia. Pela primeira vez, a Bayer estabelece uma parceria voltada ao mercado institucional, com foco em hospitais, clínicas privadas e operadoras de saúde. Até então, os acordos estavam concentrados em medicamentos destinados ao varejo farmacêutico, especialmente produtos de prescrição mais ampla, como anticoncepcionais.
A operação será conduzida pela Farmarin Humanova Brasil, empresa de origem peruana com presença consolidada no segmento oncológico. Com 60 anos de atuação, a companhia reúne 33 moléculas registradas entre América Latina e Europa, sendo 12 já disponíveis no mercado brasileiro.
De acordo com Kauê Cunha, diretor de excelência comercial da divisão farmacêutica da Bayer para o Brasil e América Latina, o modelo permite otimizar a alocação de recursos e ampliar o foco em inovação. Segundo o executivo, a estratégia combina a continuidade dos investimentos em medicamentos já consolidados com a priorização de lançamentos que concentram avanços terapêuticos relevantes.
No campo da oncologia, a Bayer tem direcionado seus esforços principalmente para a darolutamida, medicamento indicado para o tratamento do câncer de próstata. A molécula já possui duas indicações aprovadas no Brasil e deve ampliar esse escopo em breve. Na América Latina, a expectativa é de que o produto alcance vendas de pico estimadas em 300 milhões de euros.
Pelo acordo, a Bayer mantém a titularidade dos registros e a produção dos medicamentos, enquanto a Humanova passa a assumir as atividades de distribuição, comercialização e promoção médica a partir de abril. O formato segue uma diretriz que vem sendo ampliada pela companhia nos últimos anos como forma de ganhar escala e eficiência.
O primeiro contrato desse tipo na região foi firmado no Brasil, em parceria com a Biolab, para o anticoncepcional Qlaira. Desde então, a empresa expandiu esse modelo e hoje soma 14 acordos na América Latina, incluindo mercados como Argentina, Chile, Colômbia, Uruguai e Costa Rica.
Atualmente, cerca de 25% das vendas da Bayer na região já são provenientes desse arranjo comercial. Segundo a companhia, a estratégia tem permitido preservar a relevância de marcas consolidadas enquanto direciona esforços internos para o desenvolvimento de novos tratamentos.
Na avaliação de André Luís Ramos Coutinho, diretor global de Oncologia e Doenças Raras da Humanova Lab Corporation, a parceria deve ampliar o acesso a terapias especializadas no Brasil. Ele afirma que a combinação entre o portfólio da Bayer e a capacidade de execução da Humanova tende a gerar valor para o sistema de saúde de forma sustentável ao longo do tempo.


