Um casarão do século XIX, um acervo dedicado à presença Tupinambá na Região dos Lagos e uma história que deveria estar acessível ao público. O cenário atual, no entanto, é outro: fechado e com parte de sua estrutura comprometida, o Museu Arqueológico de Araruama voltou ao centro das atenções após o historiador Acioli Júnior mostrar, nas redes sociais, as condições do imóvel.
O vídeo percorreu as redes nos últimos dias e colocou novamente em discussão o destino de um patrimônio que já foi referência para estudantes, pesquisadores e visitantes interessados na história dos povos originários da região.
Nas imagens, Acioli mostra os danos no casarão e faz duras críticas à conservação do espaço. “O único museu que contava a história dos povos originários, especialmente dos Tupinambás, que eram os indígenas que habitavam essa região. Olha como está o Museu do Índio. Olha o descaso do poder público com o patrimônio”, afirmou.
Em outro momento, o historiador classifica a situação como “uma vergonha para Araruama” e cobra maior atenção do poder público com os bens culturais.
De referência arqueológica a portas fechadas
A dimensão do problema fica mais evidente quando se olha para o que existe por trás das paredes do antigo casarão. O Museu Arqueológico está instalado na antiga sede da Fazenda Aurora, às margens da Via Lagos. Construído em 1862, o imóvel é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e representa um exemplar da arquitetura rural do século XIX.
Araruama concentra importantes vestígios da ocupação indígena na Região dos Lagos, com cerca de 20 sítios arqueológicos cadastrados. Foi a partir desse patrimônio que surgiu a proposta de criar um espaço dedicado à preservação e divulgação da presença Tupinambá no território.
Criado por decreto municipal em 1998, o museu ganhou sede definitiva após a desapropriação e restauração da Fazenda Aurora e foi inaugurado em março de 2006. Cerâmicas, urnas funerárias, utensílios e materiais encontrados em pesquisas arqueológicas ajudavam a contar uma história muito anterior à formação das cidades que hoje compõem a Região dos Lagos.
O interesse pelo espaço chegou a ser significativo. Registros publicados em 2009 apontavam que mais de 38 mil pessoas já haviam visitado o museu.
Hoje, a realidade é diferente. O equipamento permanece fechado. A Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência registra a unidade sem previsão de reabertura.
O Portal Fonte Certa procurou a Prefeitura de Araruama para saber quais são as atuais condições estruturais do imóvel, se existe laudo técnico sobre o desabamento, quais medidas emergenciais serão adotadas e se há projeto ou prazo para recuperação e reabertura do museu. Até a publicação desta reportagem, a Prefeitura não havia encaminhado resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.
Fonte: Fonte Certa







