Chevrolet Celta nunca teve recall por falha em airbag apontado como causa da morte de motorista, diz Ministério da Justiça

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Fabricante pode ser multada em até R$ 10 milhões. Em janeiro, o motorista de um Celta morreu após estilhaços de um airbag Takata cortarem seu pescoço. Chevrolet Celta após acidente com airbag da Takata
Reprodução
A General Motors, dona da Chevrolet, nunca convocou o Celta para recall pela falha no airbag que pode projetar fragmentos metálicos, segundo a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) do Ministério da Justiça, órgão responsável por tratar dos recalls no Brasil.
Mas, na última quarta-feira (15), o modelo foi apontado pela polícia de Sergipe como envolvido naquela que seria a primeira morte em função dos “airbags mortais” da Takata no Brasil.
Polícia de Sergipe diz que peça de airbag causou morte de motorista em acidente em Aracaju
Após meses investigando um acidente ocorrido em janeiro deste ano, peritos concluíram que fragmentos do airbag que, segundo eles, foi fabricado pela fornecedora japonesa causaram ferimentos fatais ao motorista de um Celta 2014.
O caso chamou a atenção da polícia porque a batida foi a 40 km/h e não deveria, pela velocidade, ter causado esses ferimentos.
Acidente na Orla de Atalaia; airbag do Celta vitimou condutor
SSP/SE/Divulgação
Os “airbags mortais” da Takata já tinham causado a morte de outro motorista, no Rio de Janeiro, pelo mesmo motivo. Na ocasião, foi a Honda quem divulgou a ocorrência, que envolveu um Civic 2008.
No exterior, a falha é ligada a dezenas de mortes. E provocou o maior recall da história, a partir de 2013, quando o escândalo veio à tona, com chamados que continuam surgindo até hoje (leia mais ao fim da reportagem).
Somente no Brasil, foram convocados cerca de 3,5 milhões de veículos de diversas marcas que compraram airbags da Takata. Uma delas foi a Chevrolet. A marca da General Motors já fez recalls para esse problema com os modelos Agile, Montana, Sonic, Cruze e Tracker, que totalizam 291.619 veículos, de acordo com informações do Procon-SP:
Agile e Montana
Sonic, Cruze e Tracker 2012 e 2013
Sonic, Cruze e Tracker 2014 a 2018
Mas, segundo este órgão de defesa do consumidor e a Senacon, nenhuma campanha sobre “airbags mortais” envolveu o Celta.
Em nota, a Senacon afirmou que “não localizou campanha específica sobre o Chevrolet Celta sobre airbags. Por isso, na data em que teve conhecimento sobre o acidente, noticiado na imprensa, notificou a empresa para apresentar esclarecimentos e formalizar o recall do veículo afetado”.
Com a notificação pelo Ministério da Justiça, a GM deverá esclarecer se o Celta deve passar por recall. Em caso positivo, ainda deverá explicar por que isso ainda não havia sido feito.
Se houver a abertura de um processo administrativo e ficar comprovado que a fabricante tem algum tipo de culpa, ela poderá ser multada em até R$ 10 milhões. A Senacon afirma, porém, que a fabricante ainda será ouvida.
Ao G1, a GM respondeu na última quarta que não tinha conhecimento do caso de Aracaju, e que está apurando. A montadora não respondeu se o Celta era equipado com airbags da Takata nem se convovou recall para o modelo.
Loja oficial da Chevrolet no Mercado Livre anuncia airbag da Takata para o Celta
Reprodução
No entanto, a loja oficial de peças da empresa no Mercado Livre anuncia o airbag para o Celta da Takata, com o código de peça 94756022. A mesma peça também pode ser encontrada em uma revendedora especializada em componentes da Chevrolet.
O Celta ganhou airbags em 2013, pouco tempo antes de o item de segurança se tornar obrigatório, em 2014, e teve o equipamento até sair de linha, em meados de 2015.
Os acidentes
Acidente com o Chevrolet Celta
Reprodução
O acidente que matou o motorista em Sergipe aconteceu em 20 de janeiro. Depois de meses de investigações, a polícia local concluiu que o motorista morreu em decorrência de ferimentos no pescoço, causados por fragmentos metálicos expelidos pelo airbag, fabricado pela empresa japonesa Takata.
Em 27 de janeiro, um outro acidente, envolvendo um Honda Civic 2008, matou o motorista, também com ferimentos decorrentes da explosão. Na época, a perícia “determinou que houve a ruptura anormal do insuflador do airbag Takata, causando ferimentos que levaram à morte do motorista.”
Até, então, este era o único caso de morte envolvendo as bolsas da Takata. No total, há 40 casos de explosão de airbags no Brasil, 39 da Honda e 1 da Toyota, com 16 feridos.
‘Airbags mortais’
Airbag da Takata pode lançar pedaços de metal contra os passageiros
REUTERS/Joe Skipper
O escândalo dos airbags mortais foi descoberto em 2013, e já provocou o maior recall da história, envolvendo mais de 100 milhões de veículos em todo o mundo.
Ao menos 25 mortes e 300 feridos estão relacionados à falha, de acordo com agência Reuters.
O problema está em uma peça defeituosa chamada insuflador. Ela é um tipo de caixa metálica que abriga o gás que faz a bolsa de ar inflar.
O defeito nessa peça causa uma abertura forte demais quando o airbag é acionado. Além disso, a falha gera trincas no insuflador e, com a explosão do airbag, ele se estilhaça, atirando pedaços de metal contra os ocupantes, causando ferimentos que podem ser fatais.
Corey Burdick, uma das vítimas dos airbags da Takata, ficou cego de um olho
Reuters
A quebra do insuflador e a forte explosão do airbag resultam de uma combinação de 3 fatores.
Os airbags da Takata usam nitrato de amônio para fazer a bolsa de ar abrir. O nitrato, por si só, é relativamente pouco explosivo. Ele se apresenta como um pó branco e é seguro, desde que não aquecido. O risco é maior após longa exposição do carro ao calor ou a ambientes úmidos.
A montagem do dispositivo da Takata permite que a umidade penetre no airbag e corrompa partes metálicas, que se quebram na explosão, rompem a bolsa e atingem os ocupantes.
Entenda o caso dos ‘airbags mortais’ da Takata; Brasil tem recalls


Fonte: Auto Esporte