
Na semana onde a escala 6×1 foi derrubada por decisão do Congresso Nacional, o posicionamento de Flávio Bolsonaro sobre o tema foi um dos pontos principais da sua entrevista à TV Globo na noite de hoje.
Desde que a pauta foi levantada por parlamentares da esquerda, Flávio se mostrou contrário a ela e chegou a chamá-la de “eleitoreira” e “oportunista”, mas decidiu votar a favor de forma remota, já que estava em uma agenda de campanha no Rio Grande do Sul.
Ainda de acordo com o candidato, sua mudança de postura se deu porque ouviu muitos trabalhadores pelo Brasil. Em contrapartida, disse que preferia outras formas de trabalho onde haja maior liberdade para que o funcionário dialogue com o patrão, mas quando questionado se revogará a decisão do Congresso foi categórico ao dizer que irá respeitá-la.
Durante a entrevista, comandada pela jornalista Renata Lo Prete, Flávio teve que responder às diversas polêmicas que envolvem as duas candidaturas: um dos principais temas defendidos pela campanha de Lula é que, se eleito, Flávio promoverá um “tesouraço” em gastos do governo, o que afetaria uma série de programas sociais, como Farmácia Popular, Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida.
Ao negar que os mais pobres seriam afetados, Flávio se contradisse ao dizer que é possível alcançar R$ 250 de economia: para ele, uma das fontes desse dinheiro viria de royalties de petróleos da margem equatorial, o de acordo com os especialistas, só vai acontecer na próxima década. Ele também alegou que pretende cortar dez ministérios e comissionados, além de criar um fundo de gestão com imóveis da União inutilizados.
O candidato também trouxe o legado de seu pai, Jair Messias Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. Apesar de ser chamado de “mais moderado”, Flávio repetiu alguns motes que alçaram seu pai à presidência, como a importância de liberar o armamento para cidadãos comuns.
Sobre a tentativa de golpe de 08 de janeiro de 2023, disse que acha um exagero as penas impostas aos envolvidos, inclusive seu pai. Quando questionado se Jair Bolsonaro fosse solto teria espaço em seu governo, Flávio desconversou e deixou em aberto.
Diferentemente de quando a apresentadora o questionou se Eduardo Bolsonaro, seu irmão, seria ministro das Relações Exteriores, Flávio foi categórico ao dizer que não, mas citou Eduardo como um exilado político nos EUA fugindo de possíveis perseguições do STF.
Aliás, as críticas à Suprema Corte, outra linha do bolsonarismo, foram citadas durante toda a entrevista com ataques ao ministro Alexandre de Moraes e aos indicados por Lula, como Flávio Dino e Cristiano Zanin. Kássio Nunes Marques, indicado ao STF por Bolsonaro, foi poupado pelo candidato apesar de revelações desta semana sobre relações de Marques com Daniel Vorcaro.
E finalmente, o tema do banco Master também foi alvo de perguntas da apresentadora. O candidato afirmou que procurou Daniel Vorcaro sem saber das irregularidades do Banco Master e que seu pedido de dinheiro para o filme Dark Horse, que conta a história de seu pai, foi um patrocínio privado.
Os dois candidatos se encontram pessoalmente no debate da TV Bandeirantes no próximo domingo.






