Água de tonalidade escura atravessa a faixa de areia e se mistura às ondas; encontro evidencia a ligação entre a lagoa e o oceano.
Uma passagem aberta na faixa de areia transforma a paisagem da Praia do Foguete, em Cabo Frio. Em um vídeo identificado com o perfil @ericnapraia, a água da lagoa aparece escoando em direção ao mar e se encontrando com as ondas.
O registro destaca o contraste entre a água escura que atravessa a praia e a espuma da arrebentação. A ligação expõe uma dinâmica característica dos ambientes costeiros: a conexão entre um corpo d’água situado atrás da praia e o oceano.
A data de captação do arquivo recebido não foi confirmada. O perfil do autor também mantém uma publicação em que identifica um episódio de abertura da lagoa como gravado em 2018.
Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), lagoas costeiras podem se conectar ao mar quando ocorre o rompimento da barra arenosa que as separa do oceano. Essa faixa de areia funciona como uma barreira entre os ambientes.
No caso mostrado no vídeo, as imagens registram a passagem já aberta e o escoamento da água. A causa específica da abertura depende de confirmação técnica.
A conexão pode modificar as condições do ambiente lagunar. Em um estudo sobre a Lagoa de Iquipari, no Norte Fluminense, pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) documentaram mudanças no volume de água, na salinidade e nas comunidades aquáticas após uma abertura artificial de barra. O trabalho oferece contexto para compreender os efeitos que esse tipo de ligação pode provocar.
A tonalidade escura também exige uma leitura cuidadosa. Ao explicar as lagoas de Jurubatiba, o ICMBio relaciona diferenças de coloração à matéria orgânica dos ecossistemas do entorno e ao volume de água de cada lagoa.
Essa explicação geral ajuda a compreender por que águas de lagoas e do mar podem apresentar cores diferentes. Determinar a origem da coloração no Foguete, porém, exige avaliação específica. A aparência registrada em vídeo, por si só, não comprova contaminação nem atesta condições adequadas para banho.
Para avaliar a balneabilidade, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) utiliza indicadores bacteriológicos, como enterococos e coliformes termotolerantes. A classificação depende de amostras coletadas e analisadas segundo critérios técnicos.
O órgão recomenda evitar o banho de mar próximo à saída de canais ou galerias de águas pluviais e nas primeiras 24 horas após chuvas de maior intensidade. Trata-se de uma orientação geral de prevenção, que não equivale a uma interdição específica do trecho filmado.
Antes de entrar na água, moradores e visitantes podem consultar os boletins oficiais de balneabilidade do Inea e observar a localização e a data de cada ponto avaliado.
Vídeo: @ericnapraia.
Fontes: publicação do autor sobre registro de 2018, ICMBio — lagoas costeiras, estudo da UENF sobre Iquipari e Inea — monitoramento das praias.





