
A Cloudera nasceu em 2008 em pleno Vale do Silício, fundada por ex-executivos do Google, Yahoo, Facebook e Oracle. Surgiu como uma das primeiras empresas a falar sobre a importância do Big Data. Hoje, atua no mundo todo vendendo soluções de IA para administrar dados de algumas das maiores corporações globais.
Na América Latina, o Brasil sempre foi seu principal foco: no País desde 2018, hoje o mercado brasileiro representa 50% do fluxo de negócios da Cloudera na região, onde também atua em países como Chile e Costa Rica. Mesmo sem abrir dados de faturamento por questão de compliance, Cesar Gomes, VP e principal liderança da Cloudera no Brasil, garante que o crescimento anual no País deve ser acima de 10% pelo menos nos próximos dois anos.
“Não basta ter acesso ao dado. Precisa governá-lo e ver qualidade. As empresas além de ter o desafio de não conseguir explorá-lo na intensidade que deveriam, precisam ter uma plataforma que ajuda a ter controle. É o que nós propomos”, afirmou o executivo, que antes de assumir a Cloudera no Brasil, passou quase 20 anos como executivo da HP. Ele substitui Rubia Coimbra, ex-Dell e SAP, que recentemente se tornou VP da companhia na América Latina.
Cesar cita que as soluções globais criadas pela Cloudera abrem espaço para que sejam adaptadas ao mercado brasileiro, onde os setores público, bancário e telecomunicações, respondem por 90% dos negócios da companhia no País, incluindo como clientes os maiores bancos instalados no Brasil. Ele lembra a importância do Open Finance neste processo.
“Essa tendência faz com que bancos compartilhem informações de correntistas. A partir do momento que as instituições tem acesso a dados de quem não é necessariamente cliente, aumenta a quantidade de informações disponíveis para gerar mais serviços. Gera hiperpersonalização e maior valor agregado aos clientes e prospects.
Entre os exemplos estão a parceria da companhia com o laboratório francês de IA Mistral para unir as duas plataformas e garantir que as organizações trabalhem diretamente nos seus dados em ambientes de nuvem, sem exigir que informações confidenciais saiam do seu controle. Cesar Gomes lembra que empresas que gerenciam os maiores e mais sensíveis conjuntos de dados do mundo tinham essa demanda alegando maior segurança.
Outro exemplo citado pelo executivo é a criação da plataforma Cloudera Anywhere Cloud que permite acelerar casos de uso com IA e a implementação de Private AI, reduzindo o tempo de execução dos projetos de meses para minutos e antecipando a geração de valor.
“A plataforma foi construída pela empresa com o objetivo de ajudar os clientes a acessar sua nuvem de qualquer lugar e de maneira mais rápida. O que antes levava dias ou meses para se fazer, com ela as empresas podem subir informações rapidamente”, afirmou.
Impacto em telecom
De onde vêm os desafios, também vêm as oportunidades. Devido à importância do mercado de telecomunicações para a Cloudera, onde no Brasil as maiores empresas do setor são clientes, a companhia mediu como executivos da área em todo o mundo, inclusive no mercado brasileiro, enxergam a importância dos dados.
De acordo com o estudo “The Data Readiness Index 2026”, 90% dos líderes do setor de telecomunicações notam problemas de desempenho da infraestrutura que prejudicam suas metas operacionais. Enquanto isso, 89% dos entrevistados acreditam ter total visibilidade sobre a localização de seus dados, mas só 60% admitem que, na prática, não conseguem acessar os dados necessários para suas iniciativas estratégicas.
“Ao mesmo tempo que eles acessam um enorme volume de dados, eles têm na infraestrutura desafio para conseguir realmente explorar toda essa informação, extrair valor e gerar e potencializar negócios. É preciso governar os dados”, enfatizou Cesar Gomes.
Com a penetração cada vez maior do 5G neste mercado, o estudo revela que lacunas fundamentais na acessibilidade, no desempenho e na governança dos dados estão prejudicando os esforços de transformação digital no setor de telecomunicações como um todo, mostrando que existe uma necessidade crítica do setor apostar ainda mais na estratégia de IA privada na rede para fechar essas lacunas e obter vantagens competitivas.






