
O Ibovespa encerrou setembro com valorização de 5,03%, registrando seu melhor desempenho mensal desde janeiro. Nesta quarta-feira (30), último pregão do mês e do terceiro trimestre, o principal índice da Bolsa brasileira subiu 1,37%, aos 186.340,46 pontos.
Durante a sessão, o indicador chegou à máxima de 187.834,97 pontos. O volume financeiro negociado somou R$ 28,1 bilhões. Com o resultado, o Ibovespa acumulou avanço de 8,32% no terceiro trimestre e passou a registrar ganho de 15,65% em 2026.
O movimento positivo ganhou força após a divulgação de dados de inflação dos Estados Unidos. O índice de preços de gastos com consumo, o PCE, utilizado pelo Federal Reserve como uma das principais referências para suas decisões de política monetária, apresentou números abaixo das expectativas.
O núcleo do PCE avançou 0,2% em agosto, ante projeção de 0,3%, enquanto o índice cheio teve alta de 0,3%, abaixo dos 0,4% esperados. Os números reduziram parte das preocupações dos investidores com a possibilidade de uma nova elevação dos juros americanos no curto prazo.
Juros mais altos nos Estados Unidos tendem a elevar a atratividade dos títulos do Tesouro americano e podem reduzir o fluxo de recursos destinado a mercados emergentes. Por isso, uma perspectiva menos restritiva para a política monetária americana costuma favorecer ativos de risco.
No câmbio, o real também ganhou terreno. O dólar comercial terminou a sessão em queda de 0,81%, negociado a R$ 5,17. Em setembro, a moeda americana acumulou recuo de 0,15%. Os juros futuros domésticos, por sua vez, apresentaram comportamento misto no encerramento do dia.
Entre as ações de maior peso na Bolsa, os bancos tiveram papel relevante na valorização do índice. Os papéis do Banco do Brasil avançaram 4,67%, enquanto Bradesco subiu 4,11% e Itaú Unibanco ganhou 4,68%. Na direção contrária, as units do Santander recuaram 2,77%. As ações da B3 tiveram alta de 2,46%.
O varejo também apresentou ganhos expressivos. Magazine Luiza disparou 12,52%, enquanto C&A avançou 5,47% e Assaí teve valorização de 3,70%. A Natura terminou o dia com alta de 3,05%.
Entre as empresas ligadas a commodities, a Vale subiu 0,43%, beneficiada pelo avanço do minério de ferro. A Petrobras chegou a ganhar força acompanhando a valorização do petróleo, mas perdeu impulso durante a sessão. As ações preferenciais da estatal encerraram com alta de 0,04%. A PRIO seguiu direção oposta e caiu 1,14%.
Saldo trimestral
O desempenho de setembro ajudou a consolidar um terceiro trimestre positivo para a Bolsa. Entre julho e setembro, o Ibovespa acumulou valorização de 8,32%, ampliando para 15,65% o ganho registrado desde o início do ano.
No mês, Magazine Luiza esteve entre os principais destaques do índice, com valorização superior a 50%. Na outra ponta, Natura, Tenda, CSN Mineração, Cury e Vale figuraram entre as maiores quedas acumuladas de setembro.
No exterior, os principais índices de Wall Street terminaram o último pregão do trimestre sem direção única. O alívio proporcionado pelos dados de inflação americana foi parcialmente compensado pela alta do petróleo e pelos rendimentos ainda elevados dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
Com o início de outubro, as atenções dos investidores permanecem voltadas para a trajetória dos juros nos Estados Unidos e no Brasil, além dos indicadores de atividade econômica e dos fatores domésticos capazes de alterar as expectativas para os ativos brasileiros.






