Eleitor de Flávio Bolsonaro é mais fiel a Tarcísio que lulista a Fernando Haddad

O eleitor de Flávio Bolsonaro (PL) em São Paulo demonstra uma adesão maior à candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo estadual do que o eleitor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta em relação a Fernando Haddad (PT). É o que revela o cruzamento entre as intenções de voto para presidente e governador da pesquisa encomendada pelo BRAZIL ECONOMY ao instituto Colectta.

Entre os paulistas que declaram voto em Flávio Bolsonaro para a Presidência, 81,7% também pretendem votar em Tarcísio para governador. No eleitorado de Lula, 67,2% escolhem Haddad na disputa estadual. A diferença entre os dois índices de alinhamento chega a 14,5 pontos percentuais.

O levantamento mostra, portanto, uma associação mais intensa entre as candidaturas de Flávio e Tarcísio do que entre Lula e Haddad no eleitorado paulista. Os números medem a coincidência das escolhas dos entrevistados e, isoladamente, não permitem determinar as razões dessa diferença.

A relação também ajuda a explicar a vantagem de Tarcísio na disputa estadual. O governador registra 42,1% das intenções de voto no primeiro turno, contra 30% de Haddad, uma distância de 12,1 pontos percentuais.  Considerando apenas os votos válidos, Tarcísio chega a 54,3%, percentual que, se reproduzido nas urnas, seria suficiente para uma definição no primeiro turno. A votação está marcada para 4 de outubro.

Voto cruzado

O cruzamento apresentado pela Colectta em pesquisa encomendada pelo BRAZIL ECONOMY revela ainda que os dois grupos não são completamente impermeáveis ao campo adversário. Entre os eleitores de Lula em São Paulo, 16,1% declaram voto em Tarcísio para governador. Já entre aqueles que pretendem votar em Flávio Bolsonaro, apenas 2,8% escolhem Haddad.

Essa assimetria é um dos dados mais relevantes do levantamento. Tarcísio consegue atrair uma parcela de dois dígitos do eleitorado de Lula, enquanto Haddad encontra uma penetração significativamente menor entre os eleitores de Flávio.

Em outras palavras, o eleitorado presidencial associado ao bolsonarismo apresenta maior concentração em Tarcísio, enquanto o voto de Lula em São Paulo se distribui de maneira mais ampla quando o eleitor passa da escolha presidencial para a estadual.

Além dos 67,2% que escolhem Haddad e dos 16,1% que votam em Tarcísio, entre os eleitores de Lula há 7% que ainda não sabem em quem votar para governador. Outros 3,9% declaram voto branco ou nulo, 1,5% dizem que não pretendem votar e 0,1% não respondem ou recusam a pergunta. Os demais se distribuem entre outros candidatos ao Palácio dos Bandeirantes.

Entre os eleitores de Flávio, a concentração é maior. Além dos 81,7% que escolhem Tarcísio e dos 2,8% que votam em Haddad, 6,5% ainda não sabem em quem votar para governador. Brancos e nulos representam 3,2%, enquanto 1,7% afirmam que não pretendem votar.

O comportamento se repete entre eleitores de outros candidatos à Presidência e ajuda a dimensionar a capacidade de Tarcísio de reunir votos provenientes de diferentes candidaturas nacionais.

Entre os eleitores do escritor Augusto Cury (Avante), 52,5% votam em Tarcísio, enquanto 10,9% escolhem Haddad. No eleitorado de Renan Santos (Missão), a proporção que apoia o governador paulista sobe para 67,2%, ante 13,4% para Haddad. Entre os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), 64,6% escolhem Tarcísio e 16,9%, Haddad.

Os percentuais devem ser interpretados considerando a observação metodológica da própria Colectta de que candidatos presidenciais com menos de 30 entrevistados na amostra foram agrupados em “outros candidatos”. Assim, os cruzamentos dos nomes individualizados refletem apenas aqueles que atingiram essa base mínima na pesquisa.

A fotografia produzida pelo levantamento indica que Tarcísio não depende exclusivamente do eleitorado de Flávio Bolsonaro para construir sua vantagem sobre Haddad. Embora encontre entre os eleitores do candidato do PL sua maior taxa de adesão, o governador também lidera entre os eleitores de Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado.

Haddad, por sua vez, apresenta sua maior concentração no eleitorado de Lula. Os 67,2% registrados nesse grupo estão muito acima dos índices obtidos pelo petista entre os eleitores dos demais candidatos presidenciais individualizados na pesquisa.

Campos distintos

Outros dados do levantamento mostram diferenças relevantes entre os dois principais eleitorados estaduais. Entre aqueles que pretendem votar em Tarcísio, 66,4% desaprovam a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). No eleitorado de Haddad, 56,5% aprovam a atuação da Corte e 29,6% desaprovam.

A distância também aparece quando a Colectta pergunta sobre a confiança na apuração eleitoral. Entre os eleitores de Tarcísio, 49,9% dizem não confiar que os votos serão contados corretamente, contra 13,7% entre os que pretendem votar em Haddad.

Esses resultados mostram uma associação entre a escolha para governador e diferentes percepções sobre instituições e sobre o processo eleitoral. Não significam, por si sós, que todos os eleitores de Tarcísio sejam bolsonaristas ou que todos os eleitores de Haddad sejam petistas, mas ajudam a identificar diferenças entre os grupos que sustentam as duas principais candidaturas estaduais.

Há também convergências que atravessam as divisões eleitorais. O programa Desenrola, por exemplo, é apoiado por 68,2% dos eleitores de Tarcísio, apesar de ter sido criado durante o governo Lula. Entre os eleitores de Haddad, a aprovação chega a 92,6%.

Voto consolidado

A maior associação entre Flávio e Tarcísio não significa que o voto do governador seja mais firme do que o de Haddad na disputa estadual.

Quando questionados diretamente sobre a possibilidade de mudar de candidato a governador, 75,2% dos eleitores de Haddad afirmam que a decisão é definitiva, percentual ligeiramente superior aos 71,8% registrados entre os eleitores de Tarcísio. No total da amostra, 63,3% dizem ter uma escolha definitiva e 34,7% admitem mudar de candidato até a eleição.

São, portanto, duas medidas diferentes. A primeira revela o alinhamento entre as escolhas presidencial e estadual: nesse indicador, o eleitor de Flávio Bolsonaro apresenta maior adesão a Tarcísio do que o eleitor de Lula a Haddad. A segunda mede a firmeza da escolha para governador, na qual os dois grupos aparecem próximos, com vantagem numérica para os eleitores de Haddad.

Para Rafael Adib, CEO da Colectta, a liderança de Tarcísio apresenta sinais de consolidação na reta final da campanha estadual. “A pesquisa mostra uma liderança consistente de Tarcísio, que aparece à frente de Haddad no voto espontâneo, no estimulado e em uma eventual disputa de segundo turno. Além disso, mais de sete em cada dez eleitores do governador afirmam que sua escolha já é definitiva. Isso indica um eleitorado relativamente consolidado nesta fase final da campanha”, afirmou Adib.

Em um eventual segundo turno, Tarcísio registra 48,3%, contra 37,3% de Haddad, diferença de 11 pontos percentuais. Brancos, nulos ou entrevistados que não pretendem votar somam 9,9%, enquanto 4,5% não sabem ou não responderam.

Metodologia

A Colectta realizou 1.800 entrevistas presenciais com eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 19 e 22 de setembro. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 2,3 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

Os levantamentos foram encomendados pelo BRAZIL ECONOMY e registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números SP-04186/2026, para governador de São Paulo, e BR-05255/2026, para presidente da República. O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro.

 




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