Projeto aproxima o pop das tradições afro-brasileiras, ganha os palcos em uma turnê de grande produção e inspira manifestações de fé entre os fãs
Anitta vive um dos momentos mais autorais e simbólicos de sua carreira. Com o projeto “EQUILIBRIVM”, a cantora apresenta uma nova fase artística, marcada pela espiritualidade, pela valorização das raízes brasileiras e por referências ao Candomblé e às tradições de origem iorubá.
Desenvolvido em diferentes etapas, o trabalho mistura funk, samba, bossa nova, reggae, ijexá, afrobeats e música eletrônica. Segundo a própria artista, algumas canções homenageiam Orixás e entidades da cultura iorubá, enquanto outras abordam sua relação pessoal com Deus, a natureza e o processo de autoconhecimento. A proposta foi apresentada por Anitta como uma jornada cultural e espiritual, de acordo com entrevista concedida à Associated Press.
A temática foi aprofundada em “EQUILIBRIVM II”, álbum que incorpora ritmos, símbolos e sonoridades ligados aos terreiros, combinando elementos tradicionais com a produção contemporânea do pop. O disco conta com participações de nomes como Maria Bethânia, Mart’nália, MC Tha, Alexandre Carlo e Alceu Valença. A obra foi apontada pela crítica como um dos trabalhos mais ousados e representativos da trajetória da cantora, conforme análise publicada pela Folha de S.Paulo.
Do sagrado ao profano nos palcos
A atmosfera espiritual também foi transportada para a “EQUILIBRIVM Tour”. Os shows combinam música, dança, elementos visuais, ancestralidade e momentos de contemplação, sem abandonar a energia e a sensualidade que sempre fizeram parte da identidade artística de Anitta.
A turnê reúne mais de quarenta canções e percorre diferentes momentos da carreira da artista. Uma das apresentações, realizada no Caminho Niemeyer, em Niterói, teve transmissão pelo Multishow e pelo Globoplay. A Folha de S.Paulo definiu o espetáculo como parte de uma fase inspirada na espiritualidade e na ancestralidade.
A mistura entre o sagrado e o profano não aparece como uma contradição, mas como parte do conceito do projeto. A cantora busca apresentar diferentes dimensões de sua identidade: fé, sensualidade, festa, silêncio, força feminina e conexão com suas origens.
Figurinos de fãs provocam repercussão
O conceito visual da turnê ultrapassou o palco e chegou ao público. Alguns fãs passaram a comparecer aos shows usando roupas e adereços inspirados em Orixás e entidades das religiões de matriz africana.
A manifestação ganhou repercussão nas redes sociais e abriu um debate sobre os limites entre homenagem, representatividade e respeito aos símbolos considerados sagrados. Ao comentar o assunto, Anitta defendeu que as manifestações sejam feitas sem desrespeitar a fé ou as pessoas que seguem essas tradições, segundo registros divulgados nas redes sociais.
O episódio reforça a necessidade de tratar as religiões afro-brasileiras com conhecimento e responsabilidade, evitando que seus elementos sejam reduzidos a fantasias ou acessórios meramente estéticos.
Com “EQUILIBRIVM”, Anitta não apresenta apenas um novo repertório. A cantora transforma sua experiência pessoal, sua fé e sua identidade brasileira em uma declaração artística sobre pertencimento, diversidade e liberdade. O projeto também amplia a visibilidade das religiões de matriz africana em um país ainda marcado pela intolerância religiosa.






