RM transforma volta do BTS a Chicago em ponte entre música e arte e revela origem de exposição histórica nos EUA

RM transforma volta do BTS a Chicago em ponte entre música e arte e revela origem de exposição histórica nos EUADurante primeiro show do grupo na cidade em sete anos, Namjoon relembrou visita ao Art Institute of Chicago que mudou sua relação com a arte; oito anos depois, líder do BTS prepara exposição inédita no SFMOMA com cerca de 200 obras

O retorno do BTS a Chicago na noite desta quinta-feira, 27 de agosto, poderia ter sido lembrado apenas como mais uma parada gigantesca da turnê mundial “ARIRANG”. Mais de 60 mil fãs ocuparam o Soldier Field para a primeira apresentação do grupo na cidade em sete anos, transformando o estádio em um dos principais acontecimentos musicais da semana nos Estados Unidos.

Mas, para Kim Namjoon, o RM, Chicago representa algo muito maior.

Foi justamente nessa cidade, durante uma passagem do BTS em 2018, que uma visita ao Art Institute of Chicago despertou no artista um interesse que acabaria modificando profundamente sua relação com as artes visuais.

Oito anos depois, ele voltou ao palco do Soldier Field podendo contar ao público que aquela visita aparentemente comum resultou em algo que dificilmente imaginaria na época: sua coleção particular será apresentada em uma grande exposição de museu nos Estados Unidos.

A mostra “RM x SFMOMA: Between You and Me” será aberta em 3 de outubro de 2026, no San Francisco Museum of Modern Art, e ficará em cartaz até 7 de fevereiro de 2027. Será a primeira exposição de museu dedicada às obras da coleção pessoal de RM e reunirá aproximadamente 200 trabalhos de sua coleção e do próprio SFMOMA.

A história transformou um comentário feito entre músicas em uma das cenas mais simbólicas da passagem do BTS por Chicago.

Porque Namjoon não estava apenas falando sobre arte.

Estava contando como uma experiência vivida enquanto era um jovem astro do K-pop abriu uma segunda trajetória cultural que, anos depois, o colocaria também diante do público de um dos museus mais importantes dos Estados Unidos.

A visita de 2018 que mudou tudo

RM já é conhecido entre os fãs por uma relação intensa com museus, galerias, livros e artistas contemporâneos.

Mas, segundo o próprio cantor, existe um ponto de partida bastante específico.

Durante uma visita ao Art Institute of Chicago em 2018, enquanto estava em turnê com o BTS, Namjoon se deparou pessoalmente com obras de artistas que conhecia até então principalmente pelos livros.

A experiência provocou uma constatação.

Ele dominava referências como Picasso e Van Gogh, mas percebeu que conhecia relativamente pouco sobre artistas de seu próprio país.

Foi a partir dali que começou a pesquisar de maneira mais aprofundada a produção artística coreana e a formar a coleção que hoje possui. Em entrevista publicada neste mês, RM contou que aquela visita o levou a buscar suas próprias raízes culturais e a olhar de outra forma para artistas da Coreia.

A consequência dessa curiosidade foi muito além de um hobby de celebridade.

Namjoon tornou-se colecionador.

Passou a visitar museus regularmente.

Ajudou a dar visibilidade internacional a artistas coreanos.

E desenvolveu uma coleção suficientemente relevante para protagonizar uma exposição dentro do SFMOMA.

É uma trajetória particularmente incomum no universo da música pop.

Existem artistas que compram obras.

Existem celebridades que investem no mercado de arte.

RM passou a ocupar outro espaço: o de alguém que procura construir relações entre obras, artistas, períodos históricos e identidade cultural.

Cerca de 200 obras e uma exposição inédita

O projeto em San Francisco evidencia o tamanho dessa transformação.

A exposição reunirá obras modernas e contemporâneas da Coreia ao lado de trabalhos de artistas internacionais presentes na coleção do SFMOMA.

Entre os nomes coreanos estão Yun Hyong-keun, Park Rehyun, Kwon Okyon, Kim Yun Shin, To Sangbong e Chang Ucchin.

Esses trabalhos aparecerão em diálogo com artistas conhecidos mundialmente, incluindo Mark Rothko, Agnes Martin, Henri Matisse, Georgia O’Keeffe e Paul Klee.

Muitas das peças pertencentes a RM nunca foram exibidas publicamente nos Estados Unidos.

O projeto também possui outro detalhe incomum: Namjoon participa da curadoria.

“RM x SFMOMA: Between You and Me” é organizada pelo museu e tem RM como curador ao lado de profissionais da instituição, numa colaboração que aproxima definitivamente as duas dimensões públicas de sua carreira.

De um lado, um integrante do maior fenômeno global do K-pop.

Do outro, um colecionador interessado em apresentar artistas coreanos dentro de uma narrativa internacional.

O SFMOMA define a mostra como a primeira exposição de museu da coleção pessoal de RM e destaca que ela pretende colocar a arte moderna e contemporânea da Coreia em diálogo com obras produzidas em diferentes países e períodos.

A exposição será apresentada exclusivamente em San Francisco nos Estados Unidos.

BTS voltou a Chicago diante de mais de 60 mil fãs

A revelação aconteceu em uma noite que já tinha importância histórica para o BTS.

Os shows de 27 e 28 de agosto no Soldier Field marcam a primeira passagem do grupo por Chicago em sete anos.

A apresentação de quinta-feira reuniu mais de 60 mil integrantes da ARMY, segundo a cobertura local. O volume de público foi tão grande que a administração do estádio antecipou a abertura dos portões.

Os dois concertos fazem parte da gigantesca turnê mundial “ARIRANG”, que atravessa dezenas de cidades e representa o grande retorno do BTS aos palcos como grupo depois do período em que seus integrantes cumpriram o serviço militar obrigatório na Coreia do Sul.

Há uma correção importante em relação a algumas publicações que circularam nas redes: a turnê não começou em Chicago.

O calendário oficial registra o início em 9 de abril de 2026, em Goyang, na Coreia do Sul. Chicago é uma das grandes paradas norte-americanas e recebe duas apresentações consecutivas em 27 e 28 de agosto.

O retorno à cidade assumiu tamanho significado local que o governador de Illinois, JB Pritzker, declarou os dias 27 e 28 de agosto como “BTS Day” no estado após uma mobilização de fãs e organizações locais.

Para RM, entretanto, a cidade carregava ainda aquela memória de 2018.

Durante sua fala no palco, ele relembrou a visita ao museu e observou que, sete ou oito anos depois daquela experiência, estava prestes a abrir sua própria exposição nos Estados Unidos.

Poucas falas resumiriam tão bem a transformação pessoal ocorrida no período.

Da música coreana para a arte coreana

A história também evidencia como a influência cultural do BTS ultrapassou há muito tempo as fronteiras da música.

O grupo desempenhou papel decisivo na expansão internacional do K-pop. Agora, individualmente, seus integrantes também passaram a projetar outras expressões da cultura sul-coreana.

No caso de RM, isso acontece principalmente por meio das artes visuais.

Sua coleção dedica espaço expressivo a artistas coreanos do século XX, muitos deles ligados a períodos históricos marcados pela ocupação japonesa, pela Guerra da Coreia e pelas décadas posteriores de profundas transformações sociais e políticas.

Ao colocá-los ao lado de nomes amplamente reconhecidos no circuito internacional, a exposição também apresenta ao público norte-americano uma produção artística que permanece muito menos conhecida fora da Ásia do que o próprio K-pop.

É uma inversão interessante.

Em 2018, Namjoon entrou no Art Institute of Chicago sabendo muito sobre artistas ocidentais e percebendo que precisava conhecer melhor os artistas de seu próprio país.

Em 2026, é ele quem ajuda a levar uma parte da história artística coreana para um dos grandes museus americanos.

Até a roupa de RM virou assunto entre os fãs

Como costuma acontecer em praticamente todas as apresentações do BTS, os detalhes de palco também rapidamente chegaram às redes sociais.

Entre os assuntos comentados pela ARMY depois da primeira noite em Chicago esteve um dos figurinos utilizados por RM, especialmente uma calça com recortes e rasgos bastante marcantes, que gerou brincadeiras e comentários entre fãs que compartilhavam imagens da apresentação.

Outros pequenos momentos também chamaram atenção: em uma troca de figurino, Namjoon apareceu usando óculos inspirados no Pikachu, provocando risadas no estádio.

É o contraste típico da cultura que se formou em torno do BTS.

Em poucos minutos, RM consegue discutir arte coreana, falar sobre memória e identidade cultural — e, logo depois, transformar uma peça de roupa ou um acessório divertido em assunto mundial entre fãs.

Uma volta a Chicago com outro significado

A história contada por Namjoon transforma Chicago em uma espécie de ponto de encontro entre duas fases de sua vida.

Em 2018, ele chegou à cidade como integrante de um grupo que avançava rapidamente para se transformar em fenômeno mundial.

Entrou em um museu.

Observou obras.

Percebeu uma lacuna no próprio conhecimento.

Começou a pesquisar.

Começou a colecionar.

Oito anos depois, retornou à cidade diante de dezenas de milhares de pessoas sabendo que, em pouco mais de um mês, uma parte da coleção construída durante aquele período ocupará o sétimo andar do SFMOMA.

O show termina.

A turnê continua.

O próximo estádio virá.

Mas aquela visita ao museu ficou.

Talvez seja justamente por isso que a passagem por Chicago tenha se tornado diferente para RM.

O artista voltou ao lugar onde começou a olhar para a arte de outra maneira — desta vez não apenas como visitante de museu, mas como alguém prestes a abrir as portas de sua própria coleção para o mundo.

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