OPINIÃO: Emanoel Fernandes – é tempo de ter responsabilidade com os gastos públicos

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EMANOEL FERNANDES

Meus amigos, gostaria muito de começar este artigo falando sobre algum assunto mais ameno, de estar abordando um tema positivo para nossa cidade, mas em virtude dessa pandemia do coronavírus eu não poderia me abster de também abordar essa questão. Todos os dias os noticiários de todo mundo estão abordando o assunto. Alguns, de forma alarmista e sensacionalista, outros de forma ética e responsável.

Pessoalmente, acho que quanto mais informação, melhor, tendo em vista que trata-se de um novo tipo de vírus, ainda não totalmente conhecido, e que não sabemos quais consequências ele pode gerar no futuro de suas mutações. Já temos relatos de novos sintomas como perda do olfato e do paladar. E cada hora surge uma novidade. Neste momento, informação é o que temos de mais importante. Mas cuidado com as fontes que você não verifica para não acabar reproduzindo FAKE NEWS!

Por isso, gostaria de começar parabenizando o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, pela forma com que vem tratando o assunto e trazendo constantes esclarecimentos. O ministro que aliás também teve um áudio FAKE NEWS atribuído a ele disseminado pelas redes sociais. Também aos colegas da imprensa, profissionais de saúde, servidores públicos e ainda aos nossos garis que continuam trabalhando sem medir esforços. A vocês toda minha admiração e respeito.

Neste momento, concordo com todos os discursos de que ficar em casa é a melhor forma de prevenção. Não sou idoso, mas sou hipertenso, e portanto faço parte do grupo de risco. Meus filhos são jovens, fortes, possuem saúde em dia, mas nada impede que eles peguem o vírus na rua, não desenvolvam sintomas e me transmitam sem saber que estão infectados. Por isso o melhor a fazer é todo mundo se isolar, pelo bem coletivo, até porque nossa saúde pública não está nem um pouco preparada para o que está por vir, infelizmente.

A Itália é um país de primeiro mundo, tem quatro leitos de UTI para cada 10 mil habitantes, e está vivendo um colapso, tendo que escolher quem vai viver e que vai morrer. No Brasil nossa média é de apenas um leito para cada 10 mil habitantes na rede pública, que é pra onde vai a maioria da população que não pode pagar plano de saúde. Na nossa Região dos Lagos, o retrato é ainda pior: nossa média é de 0,007 leitos para cada 10 mil habitantes, ou seja, é o caos anunciado!

Falando especificamente da nossa cidade, em Cabo Frio temos algo em torno de 23 leitos de UTI ativos com ventilação mecânica, e 21 desativados, na Clínica São Miguel, devido ao descaso dos governos anteriores na manutenção desse serviço extremamente importante. Temos uma população estimada pelo IBGE (2019) de 226.525 pessoas, e segundo dados do Ministério da Saúde 20% da população faz parte do grupo de risco, ou seja, mais de 45 mil pessoas em Cabo Frio, para cerca de 23 leitos de UTI. Isso é algo extremamente preocupante.

Por isso, gostaria de sugerir ao prefeito que é médico, o Dr. Adriano, que transforme nossas escolas em hospitais de campanha: elas estão fechadas, sem aula. Ao invés de gastar milhões com licitações sem importância neste momento de crise e pandemia, como por exemplo comprar uniformes para os funcionário administrativos da Secretaria de Saúde, que invista colapsada saúde da população

Invista na compra de respiradores para ventilação mecânica. Mas, que pelo amor de Deus, faça alguma coisa e esqueça essas licitações absurdas, como a da limpeza urbana ao custo de R$ 53 milhões, a compra de ponto eletrônico, entre outros gastos desnecessários no momento. Agora, a prioridade deve ser minimizar o colapso na saúde pública e dar à nossa população garantias de atendimento digno para o caso de contágio. Por favor, Dr. Adriano, mostre que seu diploma na área da saúde serve pra alguma coisa além de ficar pegando poeira na parede: seja responsável, pelo amor de Deus. É só o que te pedimos. POR FAVOR!

*Presidente do Diretório Municipal em Cabo Frio do PSD/55

©Plantão dos Lagos
Fonte: OPINIÃO / Emanoel Fernandes
Fotos: divulgação