MP amplia denúncia e pede aumento de pena para motorista que atropelou e matou criança de 3 anos

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O Ministério Público do Paraná (MP-PR) fez um pedido à Justiça para ampliar a denúncia contra o motorista Bruno Alisson Batista Ventura, que atropelou e matou uma criança de três anos no bairro Sítio Cercado, em Curitiba. De acordo com o documento assinado pelo promotor Marcelo Balzer Correia, “o crime foi praticado em via pública, tendo o denunciado acelerado seu veículo ‘dolosamente’ onde havia um grande agrupamento de crianças e pedestres”. Com isso, ele pediu nesta segunda-feira (9) que uma qualificadora seja incluída na acusação, já que teria provocado “perigo comum”.

Marcelo morreu aos três anos (Foto: Colaboração)

Em entrevista à Banda B, o assistente de acusação Jeffrey Chiquini avaliou como correta a decisão do MP-PR. “Com a conclusão da audiência de instrução, ficou demonstrado que Bruno cometeu homicídio doloso qualificado pelo perigo comum. As imagens comprovam que, no momento em que ele atropela, outras pessoas estavam ali. Então, acertadamente o MP-PR aditou a denúncia para que responda pelo perigo comum, já que poderia ter atropelado outras crianças além do Marcelinho”, disse.

O pequeno Marcelo Henrique Marques Jardim, de 3 anos, foi atropelado e morto em 25 de outubro do ano passado. O acidente aconteceu no cruzamento das ruas Kloldi Jane Assis e Armelindo Peruzzo. O menino teria largado da mão da tia e tentou atravessar a rua, mas foi atingido pelo automóvel. O motorista foi preso em flagrante após ser reprovado no teste do bafômetro. Ele apresentava 0,23 mg/L (miligramas de álcool por litros de ar expelido dos pulmões), acima do permitido.

Para o advogado Abner Fugaça, a instrução processual teria comprovado o contrário do que agora consta na denúncia aditada. “A defesa recebeu com surpresa essa mudança. As testemunhas, ao contrário do que fez parecer o promotor, não foram uníssonas em dizer o local onde aconteceu o atropelamento. Ao contrário, temos testemunhas que dizem que o atropelamento aconteceu no meio da rua e que esse menino se desvencilhou da pessoa que estava cuidando dela, então não haveria nenhuma possibilidade do condutor desviar da criança. Esse perigo comum não restou comprovado e, ainda que houvesse qualquer tipo de indício de perigo comum no decorrer da instrução processual, os elementos comuns utilizados pelo MP já existiam desde o início da ação penal, ou seja, não foi o processo que fez o MP alterar o entendimento. Eles buscaram provas anteriores para tentar mudar a narrativa fática sem motivo algum neste momento”, afirmou.

Bruno Alisson Batista Ventura segue preso pelo atropelamento. A Justiça chegou a reanalisar a preventiva dele recentemente e optou pela manutenção da prisão.

Em janeiro, Polícia Científica concluiu que Bruno estava acima da velocidade máxima permitida na via. De acordo com a análise das imagens, a velocidade do veículo não poderia ser inferior a 54 km/h. O documento conclui ainda que o acidente poderia ter sido evitado se o motorista estivesse dirigindo dentro da máxima permitida de 40 km/h.

Cinco meses

Perto de completar cinco meses do acidente, a mãe de Marcelo, Andressa Marques, também conversou com a Banda B.

Ela afirmou que nunca vai conseguir perdoar Bruno. “Tem sido muito difícil. Em todo lugar eu lembro dele, das coisas que gostava de fazer e dos lugares que gostava de brincar. Eu nunca vou conseguir perdoar o que ele fez”, declarou.

Assim como o MP, a família espera que Bruno responda ao processo no Tribunal do Júri de Curitiba, por homicídio com dolo eventual.


Fonte: Banda B