Grupo de 50 conselheiros do São Paulo pede impeachment do presidente Leco

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Um grupo de conselheiros do São Paulo protocolaram um pedido de impeachment contra o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. O documento foi assinado por 50 membros do Conselho Deliberativo nesta terça-feira, véspera da partida contra o Internacional, no Morumbi, que pode garantir a equipe na fase de grupos da próxima Copa Libertadores da América.

O requerimento foi feito com base em dois pontos. Os conselheiros reclamam que Leco firmou contratos sem a aprovação do Conselho e negou, sem qualquer justificativa, disponibilizar as cópias dos acordos para a apreciação deles. O outro fator que resultou no pedido de impeachment é, de acordo com o grupo, a gestão temerária da diretoria, já que estourou mais de 5% do orçamento, o máximo permitido pelo estatuto.

Entre janeiro e agosto de 2019, o clube já registrou um déficit de 76,5 milhões de reais e precisa vender jogadores para cobrir o rombo no caixa. O São Paulo se defende dizendo que o ano ainda está em curso e isso desqualifica a argumentação. O clube pretende negociar jovens jogadores para equilibrar suas finanças. Antony, Igor Gomes e Liziero são alguns dos nomes ventilados.

O pedido será encaminhado para que o presidente do Conselho Deliberativo, Marcelo Abranches Pupo Barboza faça a primeira análise. Para que haja a destituição de Leco do cargo, dois terços dos conselheiros tem que aprovar o documento – portanto, 160 dos 240 membros. O presidente seria afastado e seria convocada uma Assembleia Geral para ratificar o impeachment. Caso isso não haja a ratificação, Leco poderia voltar a suas funções.

O grupo de 50 conselheiros pediu o afastamento apenas de Carlos Augusto de Barros e Silva, mas não do vice-presidente, Roberto Natel. A dupla está rachada desde março de 2018 e tem uma relação apenas protocolar. O mandato de Leco como mandatário do São Paulo vai até dezembro de 2020.

O clube soltou uma nota oficial sobre o pedido de impeachment protocolado contra o presidente:

Carece de fundamento o pedido de destituição protocolado ontem contra o Presidente do São Paulo Futebol Clube e sua Diretoria, conforme noticiado pela imprensa.

O requerimento é uma peça discutível e equivocada, obra de uma parcela de conselheiros movida pelo intuito de criar factoides e tumultuar o ambiente do clube. A manobra ocorre, não por acaso, na véspera de decisiva partida contra o Internacional pelo Brasileirão – o que deveria ser momento de união entre as forças são-paulinas -, servindo para esses senhores de janela de oportunidade contra a gestão.

O documento, divulgado por alguns órgãos de comunicação, baseia-se num suposto descumprimento na execução do orçamento de 2019, ainda com o ano em curso, o que, de saída, desqualifica de forma clara a argumentação. O simples fato de o ano ainda não ter terminado torna o documento insustentável perante a gravidade daquilo que está sendo requerido. É, pois, expediente oportunista de seus signatários.

Esta administração, pautada por condutas sempre corretas e transparentes, está, como sempre esteve, aberta ao diálogo franco e irrestrito, mas não vai tolerar arroubos como os perpetrados. A disputa política precisa, acima de todas as diferenças, respeitar regras e processos, e não enveredar para um vale-tudo oportunista e demagógico. Esse caminho não atende aos objetivos do São Paulo, nem está em concordância com as tradições da nossa instituição.


Fonte: Veja Esportes