Gato embaixo de maca, pacientes no corredor e falta de insumos; moradores reclamam de hospital no RJ: 'chiqueiro de bactérias'

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Segundo o Sindicato da Saúde, 14 pessoas morreram em dois dias no Hospital Ferreira Machado, em Campos. Prefeitura diz que foram 11 óbitos em três dias e que número está dentro da normalidade. Parentes e funcionários relatam drama de pacientes internados no maior hospital de Campos
Moradores de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, reclamam da precariedade do Hospital Ferreira Machado, principal unidade de atendimento de emergência e urgência na cidade.
Pacientes aguardando atendimento no corredor, gato embaixo de maca e falta de insumos são algumas das reclamações feitas pela população.
Uma mulher que preferiu não se identificar disse que o marido é diabético e está internado na unidade. Segundo ela, o marido foi diagnosticado com erisipela e vai ter que amputar a perna. Porém, ela afirma que os próprios médicos da unidade disseram para ela retirá-lo do local.
“Condição que é subhumana. Vocês não têm noção do que tá lá dentro. Os próprios médicos daqui disseram pra mim: ‘Isso aqui, tira ele daqui’. Imediatamente eu vou fazer a remoção dele porque isso aqui é um chiqueiro de bactérias”.
O Sindicato dos Servidores Municipais de Campos informou ainda que 14 pessoas morreram em dois dias na unidade.
“Trabalho há 20 anos no Ferreira Machado e nunca vi tanto óbito quanto segunda e terça-feira. Foram cerca de 14 óbitos em dois dias. É muita coisa. São óbitos, são vidas perdidas em dois dias. E isso não foi por negligência médica, isso não foi por mal atendimento. Isso foi por descaso do gestor que não está investindo na saúde pública de Campos como deveria investir com o tanto que ele recebe dentro da cidade”, afirmou Bira Santiago, diretor do Sindicato dos Servidores Municipais.
A Prefeitura disse que foram 11 óbitos registrados entre domingo (1) e terça-feira (3), que o número está dentro da normalidade e que não existe nenhuma bactéria resistente no hospital. (Veja a nota na íntegra abaixo).
Gato foi flagrado embaixo de maca no Hospital Ferreira Machado, em Campos, no RJ
Reprodução/ Inter TV
O registro do gato embaixo da maca e próximo a uma quentinha tombada foi feito pelo eletricista Fábio Silva Souza durante uma visita ao pai que estava internado na unidade.
O Secretário de Saúde da cidade, Abdu Neme, afirmou à Inter TV que não ficou sabendo da presença do gato na unidade, mas disse que ia apurar o caso.
Fábio relatou ainda que teve que ir até a Defensoria Pública pedir ajuda para transferir o pai para a UTI em outro hospital.
“[Ele] ficou no corredor dois dias. [O processo] Foi bem doloroso porque é uma corrida contra o tempo. Cada dia que passava descompensou mais porque ele adquiriu uma pneumonia. Por isso que eu fiquei bem preocupado. Acho uma vergonha ter que acionar a Justiça para conseguir uma UTI em uma cidade dessa com uma arrecadação tão grande”, afirmou Fábio.
Sobre o atendimento dos profissionais, ele disse que os médicos e enfermeiros dão o máximo para atender os pacientes.
“A impotência deles diante da gestão é grande e eu pude ver isso de perto”, afirmou Fabio.
Já Ana Barbosa está com a mãe internada na unidade desde a madrugada de domingo (1º) e disse que teve comprar até sonda para que a mãe pudesse se alimentar porque o hospital não tinha.
“Minha mãe chegou no sábado para domingo com todos os sintomas pra AVC. Fez uma primeira tomografia, o médico disse que numa primeira não acusa. Até agora não fizeram uma segunda pra ver. Ele [o médico] disse que talvez seja um outro vírus, mas também não fizeram exame de sangue ainda. Hoje já é quarta-feira”, disse Ana Barbosa.
Sobre as condições dentro da unidade, Ana afirmou que as paredes estão sujas, com mofo, soltando pedaços de tinta e afirmou ainda que a unidade estava superlotada.
“Isso é uma falta de respeito conosco. A gente paga nossos impostos em dia e deveria ter um hospital melhor”.
Equipe da Inter TV flagrou pacientes no corredor do Hospital Ferreira Machado, em Campos, no RJ
Reprodução/ Inter TV
Nesta quarta-feira (4), a equipe da Inter TV flagrou pacientes no corredor da unidade.
O G1 entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) para saber se o órgão está acompanhando a situação e aguarda resposta.
Veja a nota do hospital na íntegra
O Hospital Ferreira Machado em Campos, no Norte Fluminense, é referência em atendimento de Emergência e Trauma. Onde são recebidos todo tipo de paciente, sejam eles baleados, acidentados, paradas cardiorrespiratória, Acidente Vascular Cerebral, dentre outros. Ou seja, não só traumas, mas também emergências clinicas.
O Superintende do Hospital Ferreira Machado Dr Elbo Batista, esclarece que: Por recebermos uma grande demanda diária, os números de óbitos são proporcionas ao atendimento.
Como dados dos últimos dias podemos passar que no dia 01/12 foram registrados 02 óbitos, dia 02/12 3 óbitos e no dia 03/12 6 óbitos, em sua maioria por causas agravadas por AVC (Acidente Vascular Cerebral) e um desses que foi por motivo de atropelamento e isso não tem afetado de maneira nenhuma a qualidade do atendimento.
Informamos que os casos de óbitos estão dentro da taxa de normalidade prevista e não existe nenhuma bactéria resistente na unidade e nenhum caso de contaminação como foi falsamente divulgado.
Os leitos de UTI do HFM estão recebendo normalmente os pacientes de acordo com as necessidades. E informamos que os Hospitais Contratualizados voltaram hoje à regulação e transferência de pacientes, resolvendo assim as possíveis lotações da unidade.”
Veja outras notícias da região no G1 Norte Fluminense.


Fonte: G1