Família de Caroline diz que “não há perdão”; motorista terá defesa que acusou Carli Filho

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A dor e a indignação marcaram o velório da estudante de Arquitetura da UTFPR, Caroline Beatriz Olímpio, de 19 anos, que morreu atropelada na manhã desta quinta-feira (12), no momento em que atravessava a Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, no Campo Comprido, em Curitiba. Para a polícia, não há dúvidas de que dois motoristas disputavam um racha na hora do atropelamento. Os dois estão presos.

Caroline morreu aos 19 anos – Arquivo pessoal

Tios da jovem, moradora do Tatuquara, emocionados, disseram que não aceitam o pedido de perdão feito pelo motorista atropelador Fernando Rocha Fabiani, ainda no local do acidente. “Só Deus para perdoar, aqui não existe perdão. Nada vai trazer a Caroline de volta. Ela era uma jovem cheia de sonhos, sempre estudou em escola pública, passou em várias faculdades e o que fazia era estudar. Daí vem um, com uma máquina de matar, e acaba com tudo”, protestou o tio, Benedito dos Reis.

O pai e a mãe da jovem não falaram com a imprensa diante do grande abalo. Amigos participam do velório na Igreja Metodista no bairro Pinheirinho.

Local do velório de Caroline – Foto Banda B

Prisões

O delegado Edgar Santana, da Delegacia de Delitos de Trânsito, disse que os dois motorista envolvidos no acidente foram autuados em flagrante pela prática do crime de homicídio doloso. “Os dois indivíduos estão na unidade policial sendo autuados em flagrante pela prática do crime de homicídio doloso. Também estão sendo autuados por participarem da direção de veículo automotor em corrida ou disputa não autorizada, cuja pena pode chegar a 3 anos de prisão”, explicou o delegado

O motorista que fugiu do local após o atropelamento se apresentou à polícia no início da tarde desta quinta-feira. ” O indivíduo que se evadiu do local, também responderá ainda por ter se afastado do local do acidente”, completou Santana.

Carro que atropelou Caroline – Foto Banda B

O caso

O atropelamento aconteceu, por volta das 9h30, nesta quinta-feira (12), em frente ao campus Ecoville, da Universidade Positivo, em Curitiba. As primeiras informações de testemunhas apontam que dois motoristas estariam apostando um racha, quando um deles, Fernando Fabiani, que estava num UP TSI, acertou a menina que voltava da faculdade, após a tentativa de tirar um xerox. O segundo suspeito, que estava em um Citroen Preto, fugiu.

Caroline morreu na hora. Ela estudava no campus da UTFPR, que fica próximo.

Defesa atuou na acusação de Carli Filho

A notícia de que o motorista Fernando Rocha Fabiani contratou o escritório “Elias Mattar Assad & Advogados Associados” para defendê-lo causou indignação na família de Caroline. Assad atuou como assistente de acusação no caso do ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho, condenado 7 anos e 4 meses pela morte de Gilmar Yared e Carlos Murillo de Almeida, em maio de 2009. O caso teve grande repercussão e ocorreu em uma rua próxima. A acusação argumentava que Carli Filho dirigia em alta velocidade e embriagado, o que foi determinante no acidente. Carli Filho, mesmo condenado, não cumpre pena em regime fechado.

“Já soubemos que o motorista contratou um advogado top, que acusou o Carli Filho. E nós vamos ter dinheiro apra contratar quem?”, questionou o tio da vítima.

Posição da defesa

O escritório “Elias Mattar Assad & Advogados Associados” divulgou nota sobre o caso:

Nota à Imprensa

A família do motorista Fernando Rocha Fabiani, questionado pelo acidente desta quinta-feira (12/3/2020), na rua Pedro Viriato Varigot de Souza (em frente a Universidade Positivo), lamentavelmente com vítima fatal, mobilizou o nosso escritório “Elias Mattar Assad & Advogados Associados” para promover a defesa técnica, que será levada a efeito pelos advogados criminalistas Vicente Bonfim e Thaise Mattar Assad.

Quanto as primeiras indagações dos meios de comunicação, a advogada criminalista Thaise Mattar Assad esclareceu que:

1. O ideal seria que não tivesse ocorrido esse fato lamentável;

2. Que, tendo vítima fatal, o inquérito vai dar as respostas técnicas;

3. Que nosso cliente vai colaborar com as investigações no que for possível;

4. Pelas regras processuais ele ficará preso até o juiz da custódia deliberar sobre responder ou não em liberdade, e;

5. Pelas circunstâncias, optou a defesa para que ele seja ouvido apenas em Juízo”, diz a nota.

 


Fonte: Banda B