OPINIÃO – Ruth de Aquino: Búzios fecha praias e condomínios interditam piscinas e churrasqueiras

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Búzios, o município mais charmoso e turístico do Norte fluminense, com um litoral que atrai estrangeiros, especialmente franceses e argentinos, interditou suas praias para combater a propagação da Covid-19. E quem ousa transgredir a norma e passar por baixo ou por cima das tiras de isolamento, achando que uma caminhadinha matinal não vai dar na vista, é convidado a se retirar pelos guarda-vidas. Não importa se tenta andar às 6h da manhã ou às 18h.

Fiz hoje a foto que abre esse texto, em uma das entradas da praia de Geribá, que fica a 15 minutos do centro de Búzios, e é uma das mais populares entre surfistas e turistas. A ação rigorosa dos guarda-vidas, associada às faixas de isolamento, mostra que a prefeitura de Búzios agora encara com seriedade o combate ao contágio. Restaurantes foram obrigados a colocar mesas a uma distância de dois metros, reduzindo assim em mais da metade o número de clientes. Donos de bares e restaurantes aguardam a qualquer momento um decreto fechando de vez todos os estabelecimentos, que serão forçados a cozinhar apenas para entrega a domicílio.

No tradicional restaurante mineiro Gisele, em Geribá, que lota servindo feijoadas aos sábados, além dos famosos pastéis de camarão e pratos de peixe e frutos do mar, só havia cinco pessoas comendo hoje. Sobre as mesas de comer, e nos banheiros e no balcão junto ao caixa, garrafas de álcool 70o. Até ontem, ainda havia álcool gel. Agora, é só álcool líquido. A dona, Gisele, encontra dificuldades para comprar máscaras para quem está na cozinha. Forneci duas aos cozinheiros. A maioria dos restaurantes já fechou, mesmo sem decreto, por dificuldade de manter o serviço em funcionamento.

Até o sol se escondeu. Os boatos são de que haveria infectados (um estrangeiro que teria aportado num cruzeiro e um morador local) internados no hospital local, mas as autoridades não confirmam oficialmente. E há quem diga que isso não passa de fake news.

Até menos de uma semana atrás, proprietários de casas de praia em Búzios pensavam em vir para cá tirar “férias” da pandemia e não ficar isolados em quarentena. Achavam que não haveria problema algum em se reunir nas piscinas e churrasqueiras comuns. Os conselhos queriam deixar “a cada um” a decisão de frequentar ou não áreas de lazer, apelando à “consciência social e cívica”. Tipo de coisa que não funciona no Brasil. Deve ter sido o que ocorreu na Itália.

Os síndicos finalmente acabaram com a irresponsabilidade e frearam a aversão a restrições. Muitos deles, nessa tarefa de coibir, contaram com a ajuda do noticiário da imprensa e com as entrevistas a associações de síndicos. Que deram a eles autoridade necessária em momentos de exceção e calamidade. No condomínio em que tenho casa, e que está praticamente deserto, todos receberam a seguinte circular. (as maiúsculas estão no texto original).

Prezados Síndicos, Condôminos, inquilinos e colaboradores,

Estamos recebendo diversos telefonemas, e-mails, com dúvidas de como proceder neste momento caótico que estamos vivendo.

A Breca Búzios Administradora de Condomínio, zelando pelo bem-estar de todos, apresenta abaixo orientações, recomendações importantes. 

(…) 

A primeira recomendação é: EVITEM vir para Armação dos Búzios!!!  Aqui também há casos suspeitos do Coronavírus e acreditamos também que possa haver ocultação de casos confirmados para evitar alarde numa península que recebe turistas do mundo inteiro.

O hospital de nossa cidade não têm condições de atender a demanda de infectados. Há apenas 16 leitos, com equipamento respirador para entubar e não sabemos se já estão sendo utilizados.

Nos condomínios, salutar a adoção de medidas que evitem o possível contato com o vírus, dentro daquilo que já foi recomendado pelas autoridades. É importante que o síndico tenha o seu papel firme na tomada de decisões, e mesmo que alguns condôminos discordem, mantenha-se rígido para proteger a coletividade.

Direito de Vizinhança, o artigo 1.336, IV, do Código Civil Brasileiro (CCB) determina que é dever do condômino não prejudicar a saúde dos demais.

(…)

Com o intuito de resguardar a saúde dos ocupantes do Condomínio, uma vez que o coronavírus é altamente contagioso e uma das recomendações da OMS e das esferas governamentais brasileiras é evitar aglomerações, recomendamos o fechamento temporário das áreas comuns, em especial: piscinas, saunas, churrasqueira, salão de festas, quadras poliespotiva, etc.

Cabe ressaltar que em caso de confirmação de coronavírus, por parte de algum condômino, o síndico deverá ser informado imediatamente, para que sejam tomadas providências adicionais de desinfecção das áreas e evitar a contaminação dos demais moradores e funcionários. 

Estamos vivendo um momento muito difícil e contamos com a colaboração de todos.

Neste momento nada é mais importante do que a nossa saúde e a de quem amamos, então, #FIQUE EM CASA!

Portanto, vamos todos ficar em casa e dar o bom exemplo, sem festinhas nem reuniões. Deixemos o mau exemplo para o Planalto porque a Covid-19 está muito longe de ser uma “gripezinha”, como temos testemunhado no mundo inteiro.

©Plantão dos Lagos
Fonte: Ruth de Aquino
Fotos: divulgação