Estado descumpre duas decisões judiciais e paciente com tuberculose morre em UPA

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Com todos os olhos voltados para a pandemia do coronavírus, que já é realidade na vida de milhares de pessoas no Rio de Janeiro, situações também delicadas, de pacientes com risco de vida, também não dão trégua. Este ano, o feriado de Páscoa não teve o mesmo sentido para a assistente de administração, Nubia Lucena (foto), de 36 anos, e sua família. Na quinta-feira (09/04), o pai dela, Mario Braz de Lucena, de 66 anos, deu entrada na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da Tijuca, na Zona Norte, onde foi diagnosticado com um quadro grave de tuberculose e insuficiência renal. O drama se tornou ainda maior quando ela foi comunicada que, mesmo com seu pai lutando pela vida, não havia leito de UTI para que ele fosse transferido. Seu Mário não resistiu ao quadro grave e morreu na manhã desta terça-feira (14/04)

– Eles alegam que não tem vaga. Repetem que ele já está no sistema estadual, mas que não tem vaga. Eu estou desesperada, ele (seu pai, Mario) está entubado, não consigo leva-lo para nenhum outro lugar. Todos os hospitais dizem que não tem leito, inclusive os particulares. Ele está com o rim sem funcionar, a situação é desesperadora – contou, muito abalada, a filha do aposentado na segunda-feira (13/04). Ela diz que, durante todo o tempo de tentativas frustradas, que já durava cinco dias, ouviu de profissionais da unidade a justificativa de que a reserva de leitos para casos de Covid-19 seria o motivo para toda esta dificuldade. – Já ouvi várias coisas, tanto de médicos, quanto de enfermeiros, que me relatam que os hospitais estão todos com leitos separados para casos de coronavírus. Já ouvi que não há vaga mais em lugar algum – relatou Nubia, que, nas redes sociais, encontrou em seus posts, um grito por socorro.

Na madrugada de sábado para domingo, ela relatou, o que parecia uma luz no fim do túnel para a família, acabou não sendo: através da Defensoria Pública, Seu Mario conseguiu uma liminar na Justiça que obrigava que ele fosse prontamente transferido para uma unidade de saúde pública ou particular – caso não houvesse vaga na primeira –, o que não foi cumprido. Na segunda-feira, a família conseguiu uma nova liminar contra o estado e o município, prevendo multa de R$ 50 mil por descumprimento. – É uma situação muito pesada para mim… eu já perdi minha mãe num hospital público por uma negligência após ela ter sido mandada para casa sem nem fazer um eletro (eletrocardiograma), e agora isso com meu pai – desabafa, – Com toda a preocupação e nesse vai-e-vem diário até a UPA, meu marido já está com febre, assim como meu irmão. Mesmo com toda proteção, nos cobrindo com álcool em gel, não sabemos nem se não contraímos coronavírus – concluiu.

Procurado e questionado sobre o motivo pelo qual Seu Mario continuava entubado na UPA da Tijuca, sem transferência para uma UTI, mesmo após duas decisões judiciais, o Governo do Estado, responsável por gerir as UPAs fluminenses, afirmou apenas que a Central de Regulação (CER) informa que o paciente está “regulado” e que “faz busca ativa de vagas para a indicação clínica do paciente”. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) também não respondeu se a mobilização em função da pandemia do coronavírus está de fato afetando o serviço a pacientes com outros problemas graves. Continuamos aguardando as repostas pelo plantaodoslagos@gmail.com.

 

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©Plantão dos Lagos
Fonte: Jornal Extra
Fotos: divulgação