Vídeo mostra que suposto mandante deu fuga para atiradores de posto em Curitiba

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Vídeo divulgado pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no começo da tarde desta quarta-feira (17), mostra que Bruno Ramos Caetano teria dado fuga para os três atiradores envolvidos na morte do advogado Igor Martinho Kaluff e de Henrique Mendes Neto. Nas imagens, é possível ver o momento em que o trio embarca em uma SUV branca a poucas quadras do local onde o crime ocorreu.

Reprodução

De acordo com a delegada Tathiana Guzella, Bruno negou ter se reunido com os demais envolvidos no crime. “Ele [Bruno] admitiu ter ligado para um ourives para se reunir com ele diante de um advogado. Só que na versão desse ourives, Bruno estaria com os outros três envolvidos. Nós tínhamos dúvidas se essa reunião para combinar a versão que seria repassada à polícia teria acontecido, mas devido as imagens, é plenamente crível a versão desse encontro”, explicou.

O ourives não é considerado suspeito na investigação feita até aqui.

Na madrugada desta quarta-feira (16), a Polícia Militar prendeu mais dois envolvidos no crime: os irmãos Ilson Bueno de Souza Junior e André Bueno de Souza. Os dois teriam confessado o crime à PM, mas optaram por ficar em silêncio na delegacia por orientação do advogado.

A DHPP segue na busca pelo quarto envolvido no crime.

Depoimentos

Na manhã desta quarta-feira (17), os irmãos Ramos optaram por permanecer em silencio durante interrogatório na DHPP. O advogado Nilton Ribeiro afirmou os irmãos Bueno não foram contratados por ninguém. “O Bruno estava sendo ameaçado e o meu cliente era amigo dele. A situação fugiu do controle no dia dos fatos. Meus clientes vão explicar toda a situação, com detalhes, no momento adequado”, garantiu.

Na versão de Bruno Ramos Caetano, preso horas após o crime, Junior foi chamado para ir junto ao encontro com o advogado morto por se sentir ameaçado em mensagens e ligações. Junior, por sua vez, teria chamado outras duas pessoas que aparecem no vídeo. Segundo a defesa de Bruno, Cláudio Dalledone, ele não sabia que o trio estava armado.

Para a polícia, Bruno é o mandante do crime contra o advogado e o amigo dele. Segundo versão apontada pela DHPP, Bruno estava sendo cobrado por uma dívida de R$ 480 mil em pedras preciosas. O cobrador, um ourives, teria contratado o advogado Igor para que a cobrança fosse mais contundente, visto que Bruno estaria devendo o valor mencionado desde o ano passado. Pelas imagens, a polícia acredita que Bruno dá uma ordem a um dos atiradores.

Na manhã desta quarta-feira, Dalledone voltou a afirmar que a versão da polícia é fantasiosa. “O Bruno não mandou matar ninguém, isso é uma ilusão e uma fantasia, algo que a delegada não vai consegui sustentar. Eu pedi a acareação e Junior teve o celular apreendido, porque era para ser suspeito desde o início. A delegada não poderia eleger um como testemunha, um como anjo e outro como demônio, tanto que conseguimos colocar cada coisa em seu lugar”, disse.

Dalledone ainda acusou Igor Martinho Kaluff de ser uma pessoa perigosa. “As imagens mostram o advogado, que na verdade era um cobrador de contas, indo para cima de quem atirou. Foi um entrevero entre aqueles que estavam prestando segurança. De um lado, aqueles que foram socorrer o Bruno, que estava sendo ameaçado. Do outro lado, o capanga do Igor. Infelizmente o fim trágico”, concluiu.

Acusação

Advogado da família de Igor e assistente de acusação, Anderson Moreira afirmou que está claro que os quatro suspeitos participaram do crime. “O Bruno seria um picareta, não tem outra palavra para descrever. Uma terceira pessoa fez a contratação para fazer a cobrança e Bruno foi até lá com jagunços. É uma barbaridade e a família está triste e assustada, já que o dinheiro destruiu uma vida”, lamentou.

O caso

O crime, que matou do advogado Igor Martinho Kaluff e de Henrique Mendes Neto, aconteceu no fim da tarde da última quinta-feira (11) em uma loja de conveniências de um posto de gasolina na Avenida Vicente Machado com a rua Brigadeiro Franco, no limite entre os bairros Batel e Centro, em Curitiba. Ambos foram mortos a tiros e câmeras de segurança do local flagraram toda a ação, que ajudaram na identificação dos foragidos.

Nas imagens, é possível ver que Ilson Bueno, o homem de barbas longas, sem máscara e que usa camiseta com uma caveira estampada, é o segundo a atirar. Quem chega, disfere coronhadas contra uma das vítimas e atira primeiro, seria André.


Fonte: Banda B