Um ano após morte da pequena Ágatha Félix, Rio teve 28 crianças baleadas; oito delas morreram

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Há um ano a pequena Ágatha Vitória Sales Félix, de 8 anos, voltava para casa com a mãe, Vanessa Sales Félix, em uma Kombi na comunidade da Fazendinha, no Complexo do Alemão, quando foi baleada por um tiro de fuzil nas costas. O disparo partiu da arma do cabo da PM Rodrigo José de Matos Soares. O militar responde em liberdade.

A pequena entrou para uma triste e cruel estatística de crianças que foram vítimas da violência no estado que só cresceu nos últimos doze meses. Depois de Ágatha, outras 28 crianças foram alvejadas. Oito delas não resistiram aos ferimentos e morreram.

Levantamento do aplicativo Fogo Cruzado mostra que, durante esse período, a maioria das vítimas foi atingida por balas perdidas (21). Entretanto, há casos que a criança foi o alvo do tiro. É o caso do pequeno Douglas Enzo Maia dos Santos Marinho, de 4. No dia 7 de junho deste ano, o menino comemorava seu aniversário na casa onde morava com a família, em Magé, na Baixada Fluminense, quando foi baleado no peito. De acordo com as investigações da Polícia Civil, Pedro Vinícius de Souza Pevidor, 21, teve a intenção de matá-lo. Pevidor está preso.

Um ano da morte da menina Agatha Vitória Sales Félix, de 8 anos Foto: Arquivo

Ainda de acordo com os dados do Fogo Cruzado, nove crianças foram baleadas em situações em que havia a presença de agentes de segurança. Duas delas morreram. É o caso do adolescente João Pedro Mattos Pinto, 14 anos, atingido por um tiro de fuzil na barriga durante uma operação das polícias Civil e Federal no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSGI) apura o caso. Três policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) são investigadores pela morte de João Pedro. Eles foram afastados das ruas.

Municípios que registraram mais casos

O Fogo Cruzado afirma que os municípios do Rio (6), São João de Meriti (2) e São Gonçalo (1) foram os que mais tiveram menores baleados, em um ano, durante ações que tinha a presença de agentes do estado.

A capital fluminense é a região com o maior número de crianças baleadas em um ano. Foram 14, quatro não resistiram aos ferimentos e morreram. Em seguida, vêm São Gonçalo (4), Belford Roxo (3), São João de Meriti (2), Duque de Caxias (2) e Magé, Maricá, Guapimirim e Nova Iguaçu com um baleado cada.

O EXTRA apurou que, em mais da metade dos casos, as investigaçoes da Polícia Civil não prosseguiram. Em muitos dos inquéritos, testemunhas ainda não foram chamadas para prestarem seus depoimentos.

Em nota, a Polícia Civil disse que o novo secretário da instituição, o delegado Allan Turnovisk, determinou prioridade nas “investigações relacionadas ao óbito de crianças”. Ainda de acordo com a pasta, “a Polícia Civil mantém a investigação de todos os casos”. Por fim, o comunicado salienta que “nenhuma apuração será interrompida ou terá atrasos em decorrência da recente troca de gestão”.

Confiira a íntegra da nota da Polícia Civil:

“A Secretaria de Estado de Polícia Civil informa que irá apurar e levantar o detalhamento de cada ocorrência apresentada pela reportagem, mas que este é um levantamento feito pelo jornal. A Polícia Civil mantém a investigação de todos os casos, principalmente dos relacionados ao óbito de crianças. Nenhuma investigação será interrompida ou terá atrasos em decorrência da recente troca de gestão da Secretaria e de titulares de delegacias. Pelo contrário, investigações relacionadas ao óbito de crianças ganharão fôlego novo e são prioridade. A Polícia Civil na busca constante de aprimoramento irá trabalhar para reduzir ainda mais o número de homicídios, que segundo números divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) recentemente tiveram redução de 20% no período dos últimos 12 meses.”

Manifestação
Manifestação “Parem de nos matar”. Foto: Bruno Kaiuca / Agência O Globo



Fonte: Fonte: Jornal Extra

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