Traficantes armados usam oficina de trens no Rio como rota de fuga e chegam a roubar caminhão para escapar

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Traficantes estão usando uma oficina de trens da SuperVia localizada em Deodoro, na Zona Oeste do Rio, como rota de fuga. Desde abril do ano passado, funcionários da Oficina da Gerência de Mecanização (GEMEC) são ameaçados por homens armados que entram no local principalmente durante operações policiais. Em um dos episódios, os criminosos chegaram a roubar um caminhão de uma prestadora de serviço da SuperVia para fugir do local.

Uma investigação foi aberta na 30ª DP (Marechal Hermes) para investigar as invasões. A suspeita é de que os criminosos sejam da quadrilha do traficante Bruno da Silva Loureiro, conhecido como Coronel, chefe do tráfico na favela do Muquiço, comunidade vizinha ao centro de manutenção da concessionária. Desde abril, já foram registrados ao menos 17 episódios de invasão ao local por bandidos armados e ameaças ao funcionários, todos comunicados à Polícia Civil.

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O primeiro caso ocorreu no dia 6 de abril de 2020. Na ocasião, segundo relatado pela SuperVia à polícia, criminosos armados chegaram ao local em uma moto e um carro, exigindo que os funcionários dessem a eles um alicate grande. Após conseguirem o objeto, eles fugiram. Naquela mesma semana de abril, em outros dois episódios, criminosos obrigaram empregados da concessionária a abrirem as portas da oficina para utilizarem o local como rota de fuga.

Em outro registro, no dia 2 de junho, sete criminosos armados invadiram a sede do centro de manutenção por volta das 17h30, após terem mais uma vez exigido que os funcionários abrissem o portão. Eles se abrigaram no local, e depois escaparam pelos fundos. Na mesma semana, no dia 5, por volta das 15h, colaboradores da SuperVia conseguiram impedir uma nova invasão. Após saberem da presença de homens armados na proximidade da oficina, eles dispensaram as equipes que trabalhavam e fecharam o local por completo, usando lacres e cadeados.

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Nas informações passadas à Polícia Civil, a SuperVia esclareceu, inclusive, que não consegue instalar câmeras no local, pois quando há tentativa de implementar o monitoramento, funcionários são ameaçados por bandidos.

Uma das entradas da oficina em Deodoro Foto: Reprodução

Criminosos roubam caminhão

Em dezembro do ano passado, a ousadia foi ainda maior. Os criminosos não apenas invadiram a oficina, mas ainda roubaram um caminhão de uma prestadora da SuperVia para fugir do local. Naquela mesma semana, outros quatro episódios de invasão foram registrados pela concessionária.

Procurada, a SuperVia informou que a Polícia Militar foi acionada e os fatos foram registrados na Polícia Civil. A concessionária acrescentou ainda que a segurança dentro do sistema ferroviario é uma atribuição do Governo do Estado do Rio, “que atua por meio de seu policiamento ostensivo e investigativo” e frisou que os agentes de controle da concessionária não têm poder de polícia.

“A empresa conta com a atuação do poder público para garantir a segurança dos seus clientes e colaboradores e manter a operação dos trens, especialmente nas diversas áreas conflagradas pela violência ao longo da malha ferroviária, e entende que tais fatos devem ser tratados com atenção e urgência, de modo a não prejudicar a rotina do transporte e a integridade dos colaboradores e milhares de passageiros dos trens do Rio”.

A delegacia de Marechal Hermes afirma que está investigando o caso e já identificou traficantes que participaram das invasões. Já a Polícia Militar alega que a região da oficina conta com rondas frequentes.



Fonte: Fonte: Jornal Extra

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