Tiro que atingiu menino na cabeça no Morro do São João partiu de traficantes, diz polícia

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O tiro que atingiu a cabeça do pequeno Arthur Gonçalves Monteiro Esperança, de 5 anos, em janeiro deste ano enquanto o menino jogava bola com o pai, no Morro do São João, no Engenho Novo, Zona Norte do Rio, partiu da armas de criminosos que atuam na favela e não de agentes da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade. A constatação está no inquérito feito pela 25ª DP (Engenho Novo) e remetido à Justiça. Pelo menos dez bandidos da localidade foram identificados e indiciados. Cabe agora ao Ministério Público do Rio pedir ou não à Justiça a prisão dos suspeitos. Arthur Esperança chegou a ficar em estado gravíssimo. No entanto, um mês após ser alvejada a criança deixou o Hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha.

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De acordo com o inquérito, uma viatura da Polícia Militar passava na parte baixa da favela quando criminosos da favela atiraram. Os quatro policiais que estavam no veículo revidaram e iniciaram uma troca de tiros. No momento do confronto, Arthur estava com o pai, Paulo Roberto Monteiro, de 36 anos. Para proteger o filho, ambos se jogaram no chão e, antes de a criança ser atingida na cabeça, o disparo pegou na mão esquerda de Paulo, o que teria amortecido o impacto.

Pai, mãe e filho voltam para casa após alta Foto: Arquivo Pessoal

O documento produzido pelo delegado Alan Luxardo diz que, pela localidade onde pai e filho estavam — a parte alta da comunidade, com casas que impediriam o trajeto das balas disparadas pelos PMs — seria impossível que o tiro de pistola que acertou a cabeça da criança tivesse partido dos fuzis dos militares. Outro documento que corroborou para a conclusão da Polícia Civil foi o laudo balístico feita nas armas dos militares que foram apreendidas.

— A perícia de local foi a mais importante, porque constatou que o disparou partiu da arma de um criminoso e não do armamento da Polícia Militar. Identificamos todos os traficantes que estavam ali no dia e indiciamos todos — diz Luxardo, que pediu a prisão preventiva dos traficantes envolvidos no fato.

Num primeiro momento, parentes de Arthur Esperança acreditavam que o disparo que atingiu a cabeça do menino havia partido dos fuzis dos agentes da UPP do São João. À época, eles chegaram a criticar a postura dos PMs, que não teriam ajudado a socorrer a criança.

Entretanto, testemunhas ouvidas pela 25ª DP afirmaram que o confronto começou por parte dos criminosos. Todos os suspeitos foram indiciados por tentativa de homicídio.

Alexander de Jesus Carlos, o Choque
Alexander de Jesus Carlos, o Choque Foto: Reprodução

Polícia descobre que São Carlos está arrendado

Durante as investigações sobre o caso do pequeno Arthur Esperança, o delegado Alan Luxardo e a equipe descobriram que o chefe do tráfico no Complexo do São João, o traficante Fábio Pinto dos Santos, o Fabinho São João, preso no final do ano passado, arrendou parte das bocas de fumo do complexo de favelas — quem são compostas por São João, Matinha, Quieto e Matriz — para Alexander de Jesus Carlos, o Choque ou 220 Volts, chefe do tráfico de drogas de Manguinhos e do Alemão.

Choque chegou a ser transferido para o Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, em 2008, mas retornou para o Presídio Gabriel Ferreira Castilho, conhecido como Bangu 3. Foi nessa cadeia, reduto da maior facção criminosa do estado e que abriga os principais nomes da organização criminosa, que o pacto de arrendamento teria sido selado.

Fabio Pinto dos Santos, o Fabinho São João
Fabio Pinto dos Santos, o Fabinho São João Foto: Reprodução

De acordo com a Polícia Civil, houve um “acordo de cavalheiros” entre Fabinho São João e Choque — cada um ficaria com uma parte da favela e, quando necessário, ambos lutariam juntos contra invasões de facções rivais. Testemunhas contaram à polícia a ligação entre ambos.

— Identificamos esse arrendamento durante a investigação do Arthur. Todos os traficantes que atuam naquela comunidade foram identificados e indiciados 51 criminosos. Além disso, pedimos a prisão de todos eles — contou Luxardo.

Ainda de acordo com o inquérito — que tem três volumes e dezenas de páginas e foi entregue ao Ministério Público em 28 de julho — o comando do tráfico de drogas do São João autoriza que criminosos da comunidade cometam crimes em vias como a Avenida Marechal Rondon e Rua Vinte e Quatro de Maio, que cortam diversos bairros da Zona Norte e são rotas de fuga para o São João.

O inquérito diz ainda que os roubos cometidos em bairros como Tijuca, Grajaú, Méier e Engenho Novo são praticados por ladrões da comunidade.

— Detectamos também que a comunidade é palco de descarga de produtos roubados naquele entorno — contou o delegado Alan Luxardo.



Fonte: Fonte: Jornal Extra

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