Suspeito de mandar matar dois em posto nega dívida e diz que não sabia que atiradores estavam armados

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O empresário Bruno Ramos Caetano, suspeito de ser o mandante dos assassinatos do advogado Igor Kalluf e do amigo dele, Henrique Mendes Neto, disse em interrogatório na sede da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na última sexta-feira (12), que a dívida pela qual estaria sendo cobrado não existe. Ele disse ainda que não sabia que os homens que o acompanhavam estavam armados. A Banda B teve acesso à íntegra do depoimento. (assista na íntegra)

Segundo versão apontada pela DHPP, Bruno estava sendo cobrado por uma dívida de R$ 480 mil em pedras preciosas. O cobrador, um ourives, teria contratado o advogado Igor para que a cobrança fosse mais contundente, visto que Bruno estaria devendo o valor mencionado desde o ano passado.

Mas de acordo com Bruno, ele não deve nenhum valor para o ouvires ou outra pessoa. “Não devo valor nenhum para ele. Tudo o que ele trazia, ele entrava com o material e ele fazia a permuta (…) de imóvel ou por outra pedra. (…) Às vezes eu intermedio o negócio”, disse o acusado.

Durante o depoimento, o suspeito também relatou que teria sido ameaçado por telefone pelo advogado. “Ele me ligou, me destratou, me xingou, falou que sabia onde eu morava, quem era minha esposa, onde minha mãe morava, quem era meu pai. Ele fez um levantamento da minha vida nos últimos dois dias pra me ameaçar. Disse que queria conversar comigo e meu ‘comparsa’ (o ourives)”, conta.

A conversa, teria adiantado Igor, seria relacionada a uma dívida de aproximadamente 700 mil reais. “Você vai cagar esse dinheiro”, disse o advogado de acordo com o interrogado.

Segurança

Para ir ao encontro do advogado, o empresário afirma que chamou para acompanhá-lo um antigo funcionário chamado ‘Júnior’ que trabalhava como segurança em um posto de gasolina na rua Treze de Maio. O antigo funcionário teria sido o responsável por trazer outros dois homens para a reunião e o fato deles estarem armados não seria do conhecimento de Bruno.

No posto de combustíveis no Centro de Curitiba, onde o crime aconteceu, o advogado foi agressivo, segundo o depoimento. “Eu não vim aqui pra conversar, eu já esperei vocês demais, vocês vão cagar o dinheiro. Eu não vim aqui pra bater papo. Vocês são muito folgados. Daqui é sequestro até a conta ser quitada, como vocês vão fazer eu não sei’”, conta Bruno sobre as palavras de Igor.

Na sequência, o advogado teria ficado irritado com o antigo segurança de Bruno. “Ele olhou para o Júnior e falou bem assim: ‘o que você tá me cuidando desde a hora que chegou?’”. A pergunta foi seguida por xingamentos, ânimos exaltados e o trágico final.

Bruno está preso após a Justiça decretar, na tarde deste sábado (13), a prisão preventiva dele. A equipe da DHPP segue investigando o caso.

O caso

Dois homens em um posto de combustíveis, limite entre Batel e Centro de Curitiba, foram mortos a tiros por dois suspeitos armados. O caso aconteceu no final da tarde desta quinta-feira (11). Câmeras de segurança no local registraram toda a ação dos atiradores. Nas imagens, é possível ver um dos suspeitos tirando uma arma da cintura e apontando contra um grupo de quatro pessoas sentadas ao redor de uma mesa do estabelecimento, entre elas o advogado Igor Martinho Kaluff.

(Foto: Reprodução)

Outro suspeito armado, com uma garrafa na mão, se aproxima e acompanha a discussão que se desenrola. Duas pessoas que estavam sentadas na mesa saem do posto durante a briga e na sequência um terceiro suspeito armado entra no local. Nesse momento dois atiradores entram em ação e as duas vítimas são mortas dentro da loja de conveniência.


Fonte: Banda B