Separação e briga em SC motivaram abalo psicológico de policial

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A recente separação da namorada, o envolvimento em uma briga no carnaval de 2021 em Santa Catarina e a morte de um amigo no ano passado por Covid-19 teriam motivado um abalo psicológico no policial federal Ronaldo Massuia Silva, de 43 anos, suspeito* de abrir fogo em um ponto de combustíveis no Cristo Rei, em Curitiba, na madrugada de segunda-feira (2).

Advogados de quatro escritórios fazem defesa de policial federal que atirou em posto de combustíveis em Curitiba.
Foto: Banda B.

É o que alega a defesa de Ronaldo para justificar os disparos de arma de fogo por parte do policial e que mataram o fotógrafo André Fritoli, 32, além de deixar outras três pessoas feridas. O advogado Roberto Bona Junior, que assumiu o caso, contratou outros três escritórios da capital paranaense para auxiliar na defesa: Nilton Ribeiro, Alexandre Salomão e Cláudio Dalledone Jr.

“A situação se agravou desde os fatos que aconteceram em Santa Catarina, a partir dali aquilo abalou ele psicologicamente muito, porque, na cabeça dele, ele era um réu – tecnicamente ainda não – e era inadmissível um agente de estado de segurança pública, policial exemplar, como ele sempre foi, ser colocado nessa posição”,

disse Bona Jr.

Na ocasião, Ronaldo passava o carnaval em SC e houve um desentendimento entre ele e alguns policiais. Ele, segundo o advogado, levou um golpe de cacetete nas costas. “Ele acabou revidando verbalmente e acabaram dando um flagrante nele por desacato. Levaram para a delegacia e descobriram que era policial federal.”

De acordo com o advogado de defesa, desde então ele teria começado a ter vários problemas psicológicos. “Passava mal, chorava. Aí, somado a isso, ele teve recentemente a perda de um dos melhores amigos dele, sócio do nosso escritório, que faleceu de covid. Então, aquilo ali também abalou ele muito emocionalmente. E a questão do fim do relacionamento recente, que também contribuiu para agravar toda essa situação.”

Os advogados afirmaram que Ronaldo chegou ao posto de combustíveis na companhia desta ex-namorada, que o levava para casa. Ele teria pedido para ela parar no local, pois ele estaria com fome e queria comprar algo para comer, disse Bona Jr, em entrevista na manhã desta terça-feira (3). O advogado confirmou que o suspeito havia ingerido álcool e que “já estava muito alterado” quando chegou ao posto de combustíveis.

Para comprovar a instabilidade emocional de Ronaldo e tentar isentar a culpa, a defesa pretende se apegar ao fato de o policial federal ser amparado por colegas de trabalho das forças de segurança por meio de um grupo no Whatsapp, que teria sido criado especialmente para dar suporte a Ronaldo, como afirmou Bona Jr.

“Temos provas pretéritas, um grupo no Whatsapp cuidando dele, se preocupando com a saúde dele. Isso me parece uma prova robusta para o convencimento de um juiz. Mas a gente vai ter que aguardar. O inquérito nem iniciou ainda. A gente vai precisar ver de que forma foi a agressão sofrida por ele no posto, o delegado vai precisar analisar as imagens para verificar essa agressão.”

Os advogados não souberam informar se a situação foi levada para conhecimento da direção da PF. “Vamos arrolar essas pessoas, para que respondam essa pergunta.”

Discussão por causa de isqueiro

Ronaldo Massuia Silva integra o quadro da Polícia Federal há mais de 20 anos, conforme a defesa, e atualmente tem função dentro do setor de inteligência. Segundo Bona Jr, o posto de combustíveis onde houve o ataque a tiros é caminho da residência dele.

Ao chegar ao posto com a ex-namorada, como relatou o advogado de defesa do policial, Ronaldo teria pedido um isqueiro, foi quando teria iniciado a discussão com um rapaz e ele recebido um soco.

“Ele acabou saindo do posto, entrou novamente e já entrou efetuando os disparos, como as próprias imagens demonstram. Ele foi encaminhado para o plantão da Polícia Civil. Cheguei logo depois. Ele estava irreconhecível, extremamente transtornado, não falava muita coisa conexa.”

Prisão domiciliar

As bancas de advogados de Ronaldo pretendem se reunir na tarde desta terça-feira para analisar a possibilidade de substituição da prisão na PF para a prisão domiciliar.

“É uma possibilidade. Ele está sendo analisado por um psiquiatra. Não sou médico, mas posso assegurar que a possibilidade de ele estar ainda numa situação complexa do ponto de vista psiquiátrico é muito grande. E a gente teme, sem medicação, sem atendimento adequado, um mal maior. Temos que zelar por sua segurança de todas as formas possíveis.”

Os advogados participam também de uma audiência à tarde, no Fórum de Curitiba, no Ahú.





Fonte: Banda B