Polícia prende 20 pessoas em operação de combate a adulteração de veículos para revenda

0
46


Vinte pessoas foram presas, na manhã desta segunda-feira (9), durante operação de combate a um grupo criminoso que adulterava a quilometragem de veículos para revenda em Curitiba. De acordo com o delegado André Feltz, da Delegacia de Crimes Contra a Economia e Proteção ao Consumidor (Delcon), o balanço é parcial, mas 48 mandados de busca e apreensão também foram cumpridos.

Foto: Djalma Malaquias/Banda B

“Os mandatos de busca e apreensão foram executados nas casas dos alvos e empresas onde identificamos possíveis pontos de adulterações dos veículos em via de regra. As equipes documentaram e identificaram os veículos objetos de fraude nestes locais. Duas pessoas foram presas em flagrante pelo crime de exposição a venda de produtos impróprios ao consumo, em empresas que nós já encontramos os problemas nos automóveis”, informou à Banda B.

As investigações, que estão em segredo de Justiça, começaram há 4 meses, a partir de uma identificação da adulteração de um veículo que estava sendo comercializado por um investigado em uma outra operação da Delcon.

“A partir deste momento, começamos a monitorar diversos investigados e descobrimos que todos faziam parte de uma organização criminosa que era composta por diversos membros. Dois deles eram responsáveis por confeccionar o software e os aparelhos usados para cometer as fraudes e moravam fora do Paraná. Nós não podemos dar detalhes dos investigados por conta da lei de abuso de autoridade”, explicou Feltz.

Ainda de acordo com o Feltz, a dupla revendia os aparelhos para todo o país. Então, a polícia descobriu que seis pessoas em Curitiba eram responsáveis por cometer estas fraudes e começou a fazer as vistorias, perícias, vigilâncias em empresas. Depois de um tempo, os investigadores constataram que a prática era reiterada. Segundo o delegado, isto mostrou que o fluxo de veículos que chegavam para ser feita adulteração era muito grande nestes locais que as fraudes eram realizadas.

“Eles eram proprietários de oficinas mecânicas e prestavam serviços para concessionárias de revendas de carros semi-novos. Isto chamou atenção, apesar da gente saber que isto era uma prática recorrente aqui no mercado de Curitiba. Mas, o tamanho e a extensão da fraude acabou surpreendendo as equipes de investigação”, revelou.

Atuação

A Polícia Civil confirmou que a atuação da organização criminosa ocorria em três frentes: na produção dos softwares usados para fraudar a quilometragem; com os donos, nas oficinas; e com as empresas de revenda dos seminovos. O delegado disse que, para a pessoa executar a fraude, ela deveria ter conhecimentos específicos, mas, em muitas situações, as pessoas tinham problemas em concluir o procedimento.

“Então, eles contavam com o auxílio remoto dos desenvolvedores que mostravam o passo a passo para fazer a adulteração. Eles atuavam como intermediários entre quem fornece o software e as empresas de veículos que contratavam o serviço. A gente também percebeu que os desenvolvedores de softwares compravam, de tempos em tempos, a licença de uso e ela tinha que ser atualizada”, afirmou.

A polícia disse ainda que os valores pagos por quem pedia o serviço criminoso era variável. Para carros mais populares, os valores estavam entre R$ 150 a R$ 200 por veículo. No entanto, entre os automóveis modernos e recentes, o pagamento chegava a atingir R$ 1 mil e R$ 3 mil por carro. Com isto, Feltz afirmou que é possível imaginar o valor que as empresas conseguiam lucrar ao vender os veículos mais baratos, porém adulterados.

“Dá para ter um indicativo do benefício financeiro que as revendas tinham se elas estavam dispostos a pagar estes valores aos executores. No fim, o trabalho era feito de duas formas. Tinha aqueles que faziam o serviço mais completo, deixando menos rastros, e outros mais de forma superficial. Porém, em todos os trabalhos, os registros de quilometragem em todos os modos de componentes do veículo eram apagados”, informou.

Prejuízo

O delegado ainda mencionou que já existia uma relação próxima entre as pessoas que realizavam as fraudes e os revendedores porque havia o interesse conjunto de que a prática criminosa não fosse descoberta pelos clientes. Portanto, a Polícia estimou que diversos clientes eram lesados porque a organização criminosa adulterava a quilometragem de carros dos mais populares até os mais luxuosos.

“Por meio do monitoramento, nós percebemos que eram feitas de 10 a 15 adulterações de carros por dia nas lojas. Em alguns locais, na própria empresa que revendia os veículos. Até veículos luxuosos, de marcas conhecidas e recém-fabricados eram alvos das fraudes. O software utilizado era atualizado anualmente para que fosse abrangidas uma maior quantidade de modelos. Então, desde os carros mais populares até os mais caros eram revendidos de forma adulterada, justamente na questão da quilometragem, para facilitar a venda e conseguir o maior lucro”, pontuou.

Cuidados

No fim, o delegado deu dicas para que o consumidor não caía em armadilhas de carros semi-novos que aparentam estar em bom estado por um bom preço, mas que são adulterados.

“O primeiro ponto é sempre desconfiar da quilometragem do veículo se for muito discrepante do ano do carro. É claro, a quilometragem pode variar do proprietário, mas a gente percebeu que um parâmetro usual de mercado, em um veículo pouco rodado, é de 10 à 12 mil km por ano. Se você pegar um carro com cinco anos de uso e ele estiver registrando  talvez 20 a 30 mil km, já é algo que chama a atenção”, iniciou.

Ainda, o delegado disse que você procure a origem deste veículo porque, a maior parte dos veículos fraudados vem de outros estados. Segundo Feltz, a intenção é fazer com o comprador tenha dificuldade de chegar ao proprietário anterior caso o cliente desconfie de algum problema. “É importante também prestar atenção na credibilidade da revendedora do veículo. Há sites e órgãos de defesa do consumidor onde as pessoas podem buscar informações. Se for possível, leve em um mecânico de confiança e/ou na concessionária da marca do veículo porque lá eles conseguem checar se houve registros de manutenções que se contraponham a quilometragem que foi anunciada”, concluiu.

Vídeo

O repórter Djalma Malaquias esteve na Delcon na manhã desta segunda-feira (9) e acompanhou o trabalho dos Polícia Civil.



Fonte: Banda B

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui