Polícia identifica suspeitos que estariam em carro que raptou estudante na Urca; um deles havia recém deixado a prisão

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A Polícia Civil revelou, nesta segunda-feira, o nome de mais três pessoas que, de acordo com as investigações, teriam participação direta na morte do jovem Marcos Winícius Tomé, sequestrado na Urca, na Zona Sul, e encontrado morto dias depois, em 8 de outubro, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Além do dono de uma camionete usada na empreitada, já preso no fim de semana, também estão na mira da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense: Igor Moreira Dantas, Victor Hugo dos Santos Moraes e Denner Dias Barcia Alves, que estariam no carro branco que atropelou e raptou o rapaz. Eles já são considerados foragidos da Justiça. Há ainda outros dois suspeitos, mantidos sob sigilo.

Preso por receptação de joia roubada

Filho do dono de uma joalheria, Igor Moreira Dantas, conhecido como Gordinho, chegou a ser preso, em janeiro de 2019, acusado de receptar joias roubadas da casa de uma médica, vítima de sequestro relâmpago, na Barra da Tijuca. De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), Gordinho deixou o presídio em maio de 2020, após ter a liberdade concedida pela Justiça, cinco meses antes do crime. Agora, por conta do assassinato do estudante, ele voltou a ter a prisão temporária decretada pelo Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ).

Segundo investigações da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), Igor seria o homem que estava no banco do carona de um carro branco, usado para interceptar a bicicleta elétrica do estudante, na entrada do bairro da Urca. Imagens de câmeras de segurança, obtidas pela Polícia Civil, mostram que dois homens saíram do automóvel e arrastaram o estudante para dentro do veículo, após atropelá-lo. A ação contou ainda com a cobertura de ocupantes de uma caminhonete. O mesmo veículo teria sido visto horas antes na entrada de um shopping, onde estava Marcos Winícius. A DHBF trabalha com a hipótese de que o estudante tenha tido seus passos monitorados por seus executores. Outro suspeito identificado, Denner Dias Barcia Alves já respondeu por parte ilegal de arma de uso permitido.

A investigação: jovem foi a festa em hotel com criminosos

A polícia afirma que Marcos Winícius participou com um amigo da simulação feita por uma quadrilha de uma negociação de carga de skank avaliada em R$ 80 mil, cuja intenção era seu roubo. Em seguida, o amigo do estudante e outras três pessoas do bando, incluindo um policial militar, encontraram com os traficantes em Copacabana e roubaram a carga da droga. Por fim, foram para um hotel comemorar, onde a Marcos Winícius já estava, embora, segundo os investigadores, não tenha participado do roubo.

A DHBF descobriu que este grupo vinha realizando diversas ações semelhantes, não apenas no Rio de Janeiro, mas também em outros estados, sendo conhecidos como grupo dos “Boteiros”, já conhecidos entre traficantes e usuários de drogas de classe média alta nos bairros da Zona Sul (Botafogo, Urca, Copacabana, Ipanema, Leblon) e Zona Oeste (Barra e Recreio). A quadrilha, com ajuda de policiais militares, simulava a compra de uma carga grande de drogas sobretudo maconha de alta qualidade como skank e haxixe, quando efetuavam o roubo da carga no momento do encontro. Também agiam fazendo o inverso, realizando a venda de uma carga de drogas que sequer existia e roubavam o dinheiro do comprador no ato da entrega, simulando flagrante por parte dos policiais militares envolvidos.

O corpo de Marcos Winícius Tomé Coelho, de 20 anos, foi encontrado nesta segunda-feira, dia 12 Foto: Reprodução / Redes sociais

Bicicleta recolhida horas depois

No dia do crime, Marcos Winícius saiu do Shopping Rio Sul em sua bicicleta elétrica e foi abordada na entrada da Urca, quando um carro branco bateu contra a bicicleta para jogá-lo no chão, descendo dois ocupantes armados, que o renderam e colocaram dentro do carro. Ao mesmo tempo, uma camionete saía da Urca dando cobertura a este veículo. As câmeras mostraram aos policiais, também, que a mesma camionete voltou naquela madrugada e recolheu a bicicleta elétrica da vítima, horas depois.

Carro apreendido pela polícia e que teria sido usado no crime
Carro apreendido pela polícia e que teria sido usado no crime Foto: Divulgação

Investigação paralela sobre ‘boteiros’

A Polícia Civil afirma que a investigação prossegue para identificar demais participantes e esclarecer detalhes importantes, como o local exato onde ocorreu o crime, porque sabe-se até o momento apenas o local em que o estudante foi sequestrado e onde o corpo foi encontrado.

Com relação ao grupo que atuava nos chamados “botes”, existia uma divisão ordenada de tarefas com os responsáveis por arrumar o “trabalho”, aqueles que realizavam o contato, o responsável pelo transporte e o responsável pelo falso flagrante. Uma investigação paralela irá apurar os crimes de tráfico de drogas e organização criminosa. Foi cumprida uma prisão temporária contra um integrante deste grupo na última quinta-feira, que conseguiu relaxamento de pena, e outro está foragido. A DHBF afirma que, embora não tenham relação direta com o homicídio a ação realizada sobre o roubo da droga foi a motivação do crime e as ações sobre este grupo até o momento possuem objetivo de esclarecimento deste fato.



Fonte: Fonte: Jornal Extra