Polícia acha restos mortais em rio na Baixada onde mergulhadores buscam corpos de meninos desaparecidos

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Uma equipe da perícia foi acionada, na manhã desta sexta-feira, para examinar restos de uma ossada encontrados dentro de um saco plástico, que foi retirado do Rio Botas, na Baixada Fluminense, pelos bombeiros. De acordo com o perito Artur Couto, trata-se de pedaços de uma coluna além de fios semelhantes a cabelo. O material foi recolhido para ser analisado em um laboratório da Polícia Civil. Ainda não se sabe se são restos humanos ou de animal.

— Foram encontrados alguns ossos e a gente não sabe precisar quais partes eles representam. Vamos para a análise para saber se é material humano. Encontramos também alguns fios que podem ser de cabelo. A gente vai fazer uma comparação com o DNA da família das crianças e também com o que tiver de material dos meninos — disse o perito Arthur Couto.

Policiais da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense ( DHBF) e mergulhadores e outros profissionais do Corpo de Bombeiros realizaram a partir de 10h buscas pelos corpos dos três meninos desaparecidos desde dezembro do ano passado. A operação começou pelo Rio Botas, no trecho entre os bairros São Bernardo e Recantus, e foi finalizada às 12h30m. Policiais e bombeiros decidiram não estender as buscas até o Bairro Amapá, próximo ao Arco Metropolitano, na divisa entre os municípios de Belford Roxo e Duque de Caxias.

Equipes buscam em rio corpos de meninos que desapareceram em dezembro na Baixada Foto: Agência O Globo

Os bombeiros usam uma garateia para vasculhar o fundo Rio Botas. É uma ferramenta em forma de âncora que traz o que está no fundo. O local foi apontado por uma testemunha que denunciou o envolvimento do próprio irmão no sumiço das crianças como sendo o ponto onde teriam sido jogados os sacos com os corpos. O suspeito foi localizado pela polícia. Ele prestou depoimento e negou o crime. Mas, confirmou ter jogado sacos que foram entregues por traficantes embaixo da Ponte de Ferrro 38. O delegado Uriel Alcântara, da DHBF, pediu a prisão dele, mas a Justiça não a deferiu, e ele continua em liberdade.

De acordo com a denúncia feita pelo o irmão do suspeito, os meninos que desapareceram no dia 27 de dezembro teriam sido espancados e mortos a mando do traficante José Carlos dos Prazeres Silva, o Piranha, que tem a prisão decretada por tráfico. O motivo do crime, segundo o denunciante, seria que uma das crianças estaria envolvida no furto de uma gaiola de passarinho.

No depoimento prestado pelo suspeito, ouvido na DHBF, nesta quarta-feira, ele afirma que não sabia o que havia no interior dos sacos que foram jogados no rio, próximo à Estrada Manoel de Sá.

Lucas Matheus, de 9 anos, Alexandre Silva, de 11 e Fernando Henrique, de 12, sumiram no dia 27 de dezembro. Eles foram vistos pela última vez em uma feira do Bairro Areia Branca, também em Belford Roxo. Moradores do Morro do Castelar, localidade que tem o comércio de drogas controlado pelo traficante Piranha, os meninos ainda foram flagrados por uma câmera de segurança quando estavam a caminho da feira.

Pelo menos duas testemunhas também afirmaram, ao prestar depoimento na DHBF, terem os visto os garotos no local. A polícia trabalha com a hipótese de que os meninos tenham desaparecido logo após sairem da feira ou nas proximidades da comunidade em que moravam.

Silvia Regina da Silva, avó de dois dos três desaparecidos demonstrou incredulidade sobre a nova vesão apresentada pela testemunha sobre o que teria acontecido com as três crianças.

— Como que uma pessoa pega três corpos em sacos sem saber do que se trata? Criança pesa, ainda mais três. E os corpos não subiram depois, ninguém viu? É um relato muito estranho, parece inventado. Estão tentando despistar a polícia — disse Silvia Regina ao EXTRA, antes de continuar: — Para mim, ele estão vivos. Isso é história pra boi dormir.

‘Chamado pelos traficantes’

O homem que teria jogado os corpos de três meninos em um rio teve um encontro com traficantes em um bar, no Morro do Castelar, em Belford Roxo, no dia em que as crianças desapareceram. De acordo com o depoimento prestado pelo irmão do suspeito na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), os dois estavam em um bar quando um bonde de carros com traficantes parou no local e chamou um deles para uma missão. A testemunha contou que o irmão saiu com os bandidos e voltou uma hora e meia depois.

Após alguns dias, o irmão teria contado à testemunha que a tarefa dada por homens do tráfico era a de ajudar a desaparecer com os corpos das três crianças. Nesta quarta-feira, ele procurou o 39º BPM (Belford Roxo) para denunciar o caso. De lá, a testemunha foi encaminhada para a DHBF

Ao depor, contou que estava sofrendo por guardar o segredo. Além de denunciar o irmão, ele disse que os meninos desaparecidos no dia 27 de dezembro teriam sido espancados e mortos a mando do traficante José Carlos dos Prazeres Silva, o Piranha, que tem a prisão decretada por tráfico. O motivo do crime, segundo o denunciante, seria que uma das crianças estaria envolvida no furto de uma gaiola de passarinho.



Fonte: Fonte: Jornal Extra