“Pode ter reviravolta”, diz defesa de família de advogado morto em posto de combustível

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A defesa da família do advogado Igor Martinho Kalluf, 40 anos, um dos mortos no posto de combustível, no Centro de Curitiba, disse que pode haver uma reviravolta no caso. A declaração de Anderson Moreira, também assistente de acusação, aconteceu depois do encerramento do novo depoimento do ouvires – testemunha-chave no inquérito policial. “Depoimento cansativo, exaustivos, não foi dos melhores. Houve algumas inverdades, depoimentos que vão acontecer depois poderão esclarecer isso. Pode trazer uma reviravolta, não é descartado por ninguém. Há inconsistências no depoimento dele, vamos aguardar o restante, mas ele também não trouxe nada de diferente”, disse Moreira.

 

Imagens gravadas pelas câmeras de segurança do posto de combustível, no Centro de Curitiba. Foto: Divulgação PC

 

O depoimento do ouvires durou cerca de oito horas, aconteceu na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e terminou pouco depois da meia noite. Ele foi acompanhado por todas as partes envolvidas no processo.

O advogado da dupla de irmãos Ilson Bueno de Souza Junior, de 40 anos, e André Bueno de Souza, presa na madrugada de ontem, acompanhou o depoimento do ourives e defende que ele passe de testemunha para suspeito. “O que ficou bastante claro aqui é que essa testemunha foi o grande artífice do que aconteceu. Na verdade enganou as duas partes, disse que estava cobrando e que também estava sendo cobrado. Essa pessoa é que provoca e faz o encontro, dando entender que todos estariam armados, fazendo com que ambas as partes tivessem medo. Aqui foi um barril de pólvora e ele causa o descontrole, ele é o grande causador dessa tragédia. Ele contrata o Igor para que ele cobre o Bruno e também o cobre, então, ele faz uma trama e essa emboscada para os grupos”, disse à Banda B.

Cláudio Dalledone, que representa Bruno Ramos Caetano, acusado de ser o mandante do crime, vai na mesma esteira do advogado dos atiradores e vê a versão da Polícia Civil como frágil. “Quando o depoimento é muito longo ele está visando extrair alguma coisa que não acontece. O objetivo desse depoimento por parte da delegada, muito embora ela tenha falado o contrário, era extrair a origem da dívida e isso não ficou consignado. Se fala em R$ 500 mil em dívida que não se tem, não há nenhum documento, um cheque, uma garantia de uma pessoa que ele conheceu há um mês. Esse homem faliu em 2009, não tem carro, mora de aluguel e fazia o que com alguns restos de pedras preciosas?”, indaga.

Polícia

Depois de acompanhar o depoimento da testemunha-chave, a delegada Tathiana Guzella, responsável pelas investigações na DHPP, também falou à imprensa e garantiu que o depoimento corroborou com a versão já dada por ele.

“Nesse depoimento ele ratificou ipsis litteris o que ele já tinha dito nessa mesma unidade na madrugada do dia 12. Ele trouxe mais riqueza em detalhes o relacionamento dele para com o primeiro flagranteado, que é empresário, bem como não conhecia os três homens armados. Falou que sabia que Igor iria acompanhado de um amigo, disse que não viu arma nenhuma com os dois, contou toda a cena criminosa, informou sobre as ligações que recebeu depois e todas as demais mensagens que ele já tinha contado. O celular dele foi apreendido, mesmo ele sendo testemunha para que não reste dúvidas. Relatou sobre outros fornecimentos de diamante bruto e lapidado, também recebidas pelo empresários e que já havia dificuldade em garantir o pagamento”, finalizou.

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Fonte: Banda B