PM suspeito de matar bicheiro trabalhou por quase dois anos na carceragem do TJ do Rio

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O cabo Rodrigo Silva das Neves, suspeito de matar o bicheiro Fernando Iggnácio, bateu ponto por quase dois anos na carceragem do Fórum do Centro do Rio. De 2015 até meados de 2017, o agente — que atualmente está foragido — trabalhava em contato direto com traficantes e milicianos presos que iam participar de audiências no Tribunal de Justiça. Entre os presos que passaram pelas celas do fórum na época em que Neves dava expediente lá está o ex-PM Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, apontado como um de seus comparsas no assassinato.

Em junho de 2015, Onofre foi preso pelo homicídio do taxista Carlos Paredes Dias Neto, ocorrido após uma briga num pagode. A polícia investiga se os contatos com presos levaram o PM Rodrigo das Neves — que é lotado no 5º BPM (Centro), responsável por patrulhar a área onde fica o fórum — a se aproximar da milícia de Realengo, na Zona Oeste, área onde atua o bando investigado pelo homicídio de Iggnácio. Além do PM e de Onofre, a Delegacia de Homicídios (DH) já identificou Ygor Rodrigues Santos da Cruz, o Farofa, que também tinha envolvimento com a milícia de Realengo, segundo a polícia.

Rodrigo da Silva Neves é suspeito de participar da morte de Fernando Iggnácio Foto: Divulgação

Em nota, o TJ do Rio alegou que o cabo Neves “foi designado pelo batalhão para trabalhar na carceragem” de 2015 até 2017. Segundo a nota, ao fim desse período, ele foi “deslocado pelo batalhão para outra função”. Segundo a PM, não há “indicação específica de policiais” para o TJ: também por nota, a corporação alegou que os agentes que trabalham no fórum “são lotados no 5º BPM e são escalados em apoio ao órgão do Poder Judiciário de acordo com as necessidades estratégicas”.

O cabo Rodrigo das Neves está prestes a ser considerado desertor na PM. Depois do homicídio de Iggnácio, na tarde do último dia 10, ele compareceu normalmente ao serviço até o dia 15, quando escoltou urnas eletrônicas durante as eleições. Depois, não apareceu mais para trabalhar. Pelo Código Penal Militar, a ausência do local de trabalho por mais de oito dias configura crime de deserção, que pode culminar até na expulsão do agente da corporação. Hoje, completam-se dez dias desde o último dia em que o PM compareceu ao batalhão.

Fernando Iggnácio era genro de Castor de Andrade
Fernando Iggnácio era genro de Castor de Andrade

Ex-soldado quer voltar à PM

O ex-soldado Pedro Cordeiro, um dos suspeitos do crime, quer voltar à PM. O agente, expulso da corporação em junho de 2015 por ter desacatado um superior, entrou na Justiça em 2018 para anular o ato que o demitiu. Dois anos antes de processar o estado, no entanto, Cordeiro foi absolvido do homicídio de um taxista, em Realengo, porque uma perícia apontou que ele tinha “psicose, apresentando delírios e alucinações”.

O processo de Cordeiro para retornar à PM corre até hoje na Auditoria de Justiça Militar. Em julho, a 22ª Câmara Cível negou recurso do ex-PM para ser reintegrado antes da sentença.

Fernando Iggnácio Miranda foi morto num heliporto no Recreio dos Bandeirantes
Fernando Iggnácio Miranda foi morto num heliporto no Recreio dos Bandeirantes Foto: Reprodução

Pouco depois da expulsão, Cordeiro respondeu por ter matado a tiros Carlos Paredes Dias Neto após uma briga num pagode, em Realengo. À Justiça, sua defesa alegou que ele tinha problemas psiquiátricos e, por isso, não podia responder pelo crime. Em novembro de 2016, a juíza Elizabeth Louro, da 4ª Vara Criminal, o absolveu.

O ex-PM havia sido expulso sob a acusação de, em junho de 2013, quando era lotado na UPP Parque Proletário, ter discutido com um cabo na favela. De acordo com o processo que culminou na exclusão, ele chamou a atenção de um colega de trabalho, que trabalhava na UPP Vila Cruzeiro e estava na área sob responsabilidade de sua unidade. “Eu não vou na sua área mexer na tartaruga de vocês, então não venham aqui mexer na minha”, teria dito o então soldado. Para a PM, a expressão indicava um “vínculo do agente com as atividades ilícitas desempenhadas naquela localidade”. Cordeiro alega que, como foi absolvido na Justiça pelo crime de desacato, não poderia ter sido expulso.



Fonte: Fonte: Jornal Extra

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