ONU será comunicada sobre crianças mortas a tiro no Rio, diz deputada Renata Souza

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Parentes das meninas Emilly Victoria, de 4 anos, e Rebecca Beatriz, de 7 anos, mortas a tiro enquanto brincavam em frente de casa em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, participaram de uma reunião na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) nesta segunda-feira, dia 7.

O encontro foi organizado pela deputada estadual Renata Souza (PSOL), presidente da comissão, que se comprometeu a enviar um comunicado à ONU com uma atualização sobre o número de crianças e adolescentes assassinadas no Rio. Segundo dados da ONG Rio de Paz, neste ano já são 12 crianças mortas por balas perdidas, em média uma por mês. Desde 2007, são 79 crianças assassinadas no estado.

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Os parentes das primas assassinadas na última sexta-feira, dia 4, que estiveram presentes na reunião são Ana Lúcia Silva Moreira, mãe de Emilly, e o pai e a avó de Rebecca, Michael e Lidia Santos. A parlamentar ofereceu a eles acompanhamento psicológico e anunciou que encaminhará o caso à Defensoria Pública para assegurar assistência jurídica.

A avó de Rebecca afirmou que busca justiça pela neta e “por todos os demais”. Ela destacou que na maioria das vezes a violência contra a população parte daqueles que a deveriam defendê-la. “Aqui o Estado mata os seus”.

Reunião com parentes de Emilly e Rebecca na Alerj Foto: Divulgação

A família das vítimas e vizinhos afirmam que o tiro partiu da Polícia Militar. A corporação nega. No entanto, os cinco fuzis e as cinco pislotas da equipe que estava na região naquele período foram apreendidos pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que investiga.

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“Eles só sabem fazer isso, dar tiro. Olhou, dá tiro. Quando percebi, eu só peguei o documento. Porque eu já sabia, minha filha já estava estirada. A minha filha levou tiro de fuzil na cabeça. A minha filha já estava morta. A minha sobrinha deu tempo de correr e morreu ao lado da caixa d’água da mãe dela. Os moradores estão comigo. Não é vereador, não é prefeito, não é governador. São os moradores”, afirmou Ana Lúcia.

Rebecca e Emily foram assassinadas quando esperavam a avó chegar do trabalho. Elas estavam na calçada de casa, pois pretendiam fazer um lanche com Lidia. Emily foi alvejada com um tiro de fuzil na cabeça e Rebecca com um tiro no abdômen.

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Renata Souza disse que nada que o Estado fizer vai reparar a dor das famílias, e ressaltou a necessidade de se fazer Justiça, reafirmando a urgência de mudanças na política de segurança do país.

“Já fizemos um comunicado à ONU quando o João Pedro foi assassinado na comunidade do Salgueiro. Agora vamos atualizar a comunicação.”



Fonte: Fonte: Jornal Extra