Um acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU) reconheceu graves irregularidades na execução de emendas por parte do Instituto Leo Moura, como falsificação de orçamentos a partir de empresas fantasmas, superfaturamento e sobrepreço, além de ausência de comprovação de que os projetos foram executados e, os produtos contratados, entregues.
A ONG, liderada pelo ex-jogador de futebol Leo Moura (hoje embaixador da Conmebol), não foi ainda julgada, à espera de o Ministério do Esporte terminar de analisar as prestações de contas de 22 convênios. Onze deles já tiveram as contas reprovadas, com abertura de oito tomadas de contas especiais no tribunal.
Entre 2020 e 2022, durante o governo Jair Bolsonaro (PL), o Instituto Leo Moura foi, de longe, quem mais firmou contratos com a Secretaria de Esporte. Depois de este colunista, então no UOL, revelar irregularidades no credenciamento da ONG e indícios de superfaturamento e sobrepreço nas contratações, a entidade se tornou a campeã do orçamento secreto, como denunciou o também colunista do Metrópoles André Shalders, à época no Estadão.
Em um período de dois anos, o Instituto Leo Moura firmou 22 termos de fomento com a então Secretaria de Esporte (que depois voltou a ser um Ministério), no valor global de R$ 69,2 milhões, todos oriundos de emendas parlamentares. Sozinha, uma ONG ficou com 14% dos repasses para o esporte no país todo.
Os projetos, no auge da pandemia, visavam a instalação de escolinhas de futebol na região dos Lagos, no Rio de Janeiro, reduto eleitoral do deputado federal Luiz Lima (Novo-RJ), e no Amapá, tendo como padrinho o senador Davi Alcolumbre (União-AP), apesar de o financiamento ter vindo de uma emenda do orçamento secreto.
Em 2020, este colunista mostrou que o dinheiro enviado à ONG era, na verdade, administrado por uma empresa, a Costa & Moura, que tinha Leo Moura como sócio. E que a própria era a própria Costa & Moura quem atestava a capacidade técnica da ONG.
Fonte: Metrópoles







