‘Muita dor em saber que ela não volta mais’

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Moradora de Brasília, a psicopedagoga Jaqueline Tavares Campos, veio ao Rio prestar depoimento à polícia e tentar ajudar de alguma maneira a elucidar o desaparecimento da filha, a manicure Thaysa Campos dos Santos, de 23 anos, grávida de 8 meses, que havia desaparecido na última quinta-feira. Foi numa sala da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), na tarde desta quinta-feira, no entanto, que ela recebeu dos parentes a notícia que tanto temia: a jovem foi encontrada morta, na estação de trem de Deodoro, na Zona Norte, bairro onde vivia.

A família havia escolhido dar a pior notícia apenas em casa, mas os policiais aconselharam que eles contassem na própria especializada, devido principalmente à presença de repórteres nos corredores. Muito abalada, Jaqueline atendeu os jornalistas, agradeceu o apoio da imprensa e pediu por justiça pela morte da filha.

— É muita dor no meu coração saber que a minha filha não volta mais. Milha filha, infelizmente, foi embora dessa maneira; eu só quero justiça e saber quem matou a milha filha — disse aos prantos, após prestar depoimento.

Investigação

Segundo a delegada Ellen Souto, titular da DDPA, o corpo de Thaysa não apresenta sinais de aborto. Ainda de acordo com ela, há o envolvimento do tráfico na morte da jovem e a polícia acredita que ela possa ter sido vítima de uma emboscada dentro da Favela do Triângulo, onde foi assassinada.

— A investigação apurou que na quinta-feira, por volta das 22h, ela foi para a favela do Triângulo pegar uma bolsa de maternidade com uma pessoa que já foi ouvida pela polícia. Ela saiu da casa dessa pessoa à 1h e, por volta das 4h, acessou o Facebook utilizando uma rede wi-fi dentro da favela — contou.

Polícia reconstitui últimos passos de Thaysa Foto: Reprodução

Souto afirmou ainda que o chefe do tráfico de drogas da favela do Triângulo será indicado por homicídio e teoria do domínio do fato — ou seja, sabia do crime e deu apoio.

— Nenhuma morte ou crime acontece dentro de uma comunidade sem a anuência do tráfico. Por isso, além do homicídio, o gerente do tráfico daquela comunidade será indicado por homicídio duplamente qualificado e teoria do domínio do fato — destacou. — É inaceitável você perder uma filha assim, imagina perder a filha e a neta.

Há ainda a possibilidade de envolvimento do pai do bebê e da mulher dele. Eles têm parentes na comunidade da Zona Oeste.

— O pai era um homem casado e, de acordo com os parentes, a esposa do pai do bebê disse que essa criança não viria ao mundo. É uma linha muito forte de investigação, mas há outros lados a serem investigados também e que podem estar ligados — afirmou a delegada.

A delegada Ellen Souto, titular da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA)
A delegada Ellen Souto, titular da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) Foto: Rafael Nascimento de Souza / Agência O Globo

O corpo, encontradao na estação de Deodoro, estava em estágio avançado de decomposição. A delegada afirma que a vítima tinha o hábito de frequentar favelas de outras facções criminosas do Rio, o que costuma ser comum como causa da morte de algumas pessoas nessas localidades.

— É um crime cruel, porque ela foi morta a poucos dias de ganhar a sua criança. Ela estava feliz porque planejava o enxoval da filha. Causa perplexidade, ela estava na reta final da gravidez. Uma pessoa que mata uma mãe grávida tem a plena ciência de que ela está matando duas pessoas.


Fonte: Fonte: Jornal Extra

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