Morador morto durante operação da PM em Tomás Coelho estava saindo de casa para trabalhar

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Era pouco depois das 5h, desta sexta-feira, quando Bruno Leonardo Vidal de Almeida, de 39 anos, se preparava para seguir para o trabalho, como técnico em lubrificação, em um posto de gasolina no Caju, na Zona Portuária. Um tiro o acertou antes de deixar a garagem do prédio, no Morro do Urubu, onde morava com a esposa e os dois filhos — um rapaz de 19 anos e uma menina de 8. Naquele momento a Polícia Militar fazia uma operação contra o roubo de cargas em Tomás Coelho.

Os colegas estranharam a demora — já que ele era o primeiro a chegar no posto de gasolina, onde trabalhava há pouco mais de dois meses. O gerente do estabelecimento, Rafael Salles, e o amigo, que indicou Bruno para o emprego, contam que souberam da morte do técnico por um cliente que abastecia o carro nesta manhã.

— O Bruno estava aqui há dois meses. Era novo. O que sabemos é que ele estava vindo trabalhar quando foi atingido. Ele sempre foi um dos primeiros a chegar. Ele chegava às 5h30. Quando deu 6h e nada, a gente pensou que tinha se atrasado por ter acontecido alguma coisa. Às 6h30 um cliente passou aqui para encher o tanque e disse que ele havia morrido. Pensamos que fosse brincadeira. A gente não acreditava. Quando a gente viu na TV, era o carro dele e o corpo estava lá no chão — conta Rafael, que completou.

— Não vai acontecer nada. Morreu mais um. Amanhã vai morrer mais outro e nada se resolve — lamentou.

Bruno Leonardo Vidal de Almeida, de 39 anos, morreu durante operação da PM em Tomás Coelho Foto: Reprodução

O técnico em lubrificação Leonardo Cunha da Silva, de 37, era amigo de Bruno desde 2012, quando se conheceram em um posto de gasolina na Linha Amarela. Desde então, eles não perderam a amizade. Foi ele quem fez a indicação para o novo emprego, já que Bruno estava desempregado desde o ano passado.

— O Bruno conquistou todo mundo pelo seu jeito alegre e comunicativo. Ele era motorista de aplicativo até três meses. Devido à pandemia ele perdeu o emprego. Como ele disse que não estava gostando, ele me pediu para arrumar alguma coisa. Então, quando surgiu essa oportunidade, eu indiquei e ele foi contratado. Estava muito feliz. Mas infelizmente a realidade do Rio é essa. Você sai para trabalhar e pode não voltar. Todo dia eu temo pela minha vida — lembra Leonardo.

Por volta das 10h, agentes da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) chegaram ao local para a perícia. O corpo está no chão desde as 5h.

Um policial militar foi baleado no pé e levado para o Hospital municipal Salgado Filho, no Méier, também na Zona Norte. Um suspeito, que também foi ferido durante a operação, foi levado para a mesma unidade de saúde.

Veículos estacionados e paredes dos apartamentos do Residencial Correios ficaram marcados de balas.



Fonte: Fonte: Jornal Extra