‘Meu irmão foi arrastado como um cachorro’, diz irmão de entregador morto em Niterói

0
9


“Acabaram com a minha família”. Foi assim que Letícia Ribeiro, mulher do entregador Elias Lima de Oliveira, de 24 anos, definiu em uma rede social a perda do marido. Elias foi baleado e morto, nesta quarta-feira, durante uma incursão de policiais militares, no Morro do Palácio, no bairro do Ingá, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Pouco depois do crime, moradores chegaram a fazer um protesto pelas ruas do bairros pedindo justiça. Nesta quinta-feira, durante o velório do entregador, no Cemitério de Marília, em Niterói, parentes e amigos de Elias negaram que os PMs tenham sido recebidos a tiros na comunidade.

Queda de aeronave: Poltrona retirada do mar pode pertencer ao avião bimotor que caiu entre Rio e SP

Segundo Leonardo Lima de Oliveira, de 34 anos, relatos de testemunhas deixam claro que seu irmão Elias foi vítima de um assassinato. Ele também disse ter sido informado de que não houve nenhuma troca de tiros na comunidade.

— Somos uma família evangélica. Meu irmão era tranquilo e não usava drogas. Tinha uma filha de pouco mais de um ano e ganhava a vida como entregador freelancer de pizzaria e de aplicativos de comida. Essa era a maneira dele para manter a filha e a família. Testemunhas contaram que o Elias foi enquadrado. Estava vivo. A polícia enquadrou e matou. Não teve nenhuma troca de tiros. E outra coisa. Testemunhas disseram que três policiais estavam sem farda e num carro descaracterizado. Meu irmão foi arrastado por eles como um cachorro para dentro de um carro. Isso não foi uma ação de policiais. Foi uma ação de criminosos — disse Leonardo, chorando.

O entregador Elias Lima de Oliveira foi morto na noite destaqurta-feira em Niterói Foto: Reprodução

Ainda durante o velório do entregador, um carro da Polícia Militar chegou a parar em frente ao cemitério. Amigos de Elias denunciaram que os PMs estariam fazendo fotos de quem estava no sepultamento. O veículo da PM deixou o local quando moradores, com cartazes nas mãos pedindo justiça, apontaram a presença dos militares. Segundo Leonardo Oliveira, o assassinato do irmão impediu que o entregador realizasse o sonho de acompanhar a educação da filha.

— Meu irmão estava preocupado com a educação da filha. O sonho dele era acompanhar a educação e o crescimento da menina. Infelizmente este sonho foi destruído — disse.

Procurada, a Polícia Civil disse que o caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e de Itaboraí, onde um inquérito foi instaurado. A nota enviada pela corporação diz ainda que testemunhas estão sendo ouvidas e informações coletadas para que os fatos sejam esclarecidos.



Fonte: Fonte: Jornal Extra