MC Poze é atração de baile funk na Vila Ipiranga, em Niterói, com aglomeração e traficantes armados

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Em meio à pandemia da Covid-19 e com a alta do número de casos, houve muita aglomeração em um baile funk irregular na Vila do Ipiranga, no Fonseca, em Niterói, entre a noite de sexta-feira, dia 26, e a madrugada de sábado, dia 27. A principal atração do evento intitulado “Paraguai Fantasy” foi MC Poze do Rodo. Em vídeos compartilhados nas redes sociais, ele aparece sem qualquer proteção enquanto se apresentava no local, que estava lotado.

Em uma das imagens, é possível ver um traficante com um fuzil levantado para o alto. Nenhuma das outras pessoas que aparecem nos vídeos estão com máscara de proteção ou parecem se preocupar que o baile está lotado. O evento foi amplamente divulgado durante a semana passada, principalmente com a foto do MC Poze para atrair mais fãs do funkeiro e pessoas.

Ao EXTRA, a advogada do funkeiro, Silvia de Oliveira Martins, defendeu que o artista tem família e que precisa trabalhar. Segundo a defensora, ele estava há meses sem exercer a profissão por causa da pandemia e que está retomando aos poucos. Ainda segundo a advogada, MC Poze tem tomado todos os cuidados, mas que não cantou de máscara “por motivos óbvios”. Conforme a defesa, o cantor não foi infectado pelo Coronavírus.

— Eles precisam trabalhar. Roubar e traficar ainda é crime. Se foi contratado, ele é artista e tem dois filhos e família. Se foi convidado, tem livre arbítrio. Deixem os artistas trabalharem — diz a defensora do funkeiro. — Mc Poze, explica que ficou por meses sem poder trabalhar. Mas que, no atual cenário, diante da flexibilização, está retomando aos poucos e tomando os devidos cuidados. Lembrando que não inclui cantar de máscara, pois não seria viável, por motivos óbvios.

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Cartaz apresentando MC Poze como uma das atrações de um baile funk irregular na Vila Ipiranga, no Fonseca, em Niterói Foto: Reprodução

A área de policiamento em Niterói está sob responsabilidade do 12ºBPM. Indagada sobre uma ação dentro da comunidade para evitar o evento irregular, que contou com a presença de traficantes, a Polícia Militar disse que precisa de cautela e informou que “as ações da corporação são desencadeadas de maneira planejada e estratégica, visando a preservação de vidas”.

“Em comunidades em situação de vulnerabilidade, muitas vezes eventos culturais são preenchidos por criminosos armados, que reagiriam a uma intervenção policial de maneira inconsequente, expondo a vida de inúmeros moradores. Diante deste cenário, a Polícia Militar busca agir sempre de maneira prévia, desarticulado os eventos sem autorização antes de seu início, ainda em sua fase inicial de montagem. Para isso, a colaboração da população é de suma importância, realizando denúncias detalhadas através do Disque Denúncia – (21) 2253-1177 – que corroboram diretamente com a identificação e prisão dos criminosos que persistem em fazer parte destes eventos. O anonimato é garantido”, diz a nota da corporação.

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Responsável pela fiscalização de locais com aglomerações, a prefeitura de Niterói ainda não respondeu aos questionamentos do EXTRA.

Suposto envolvimento com o tráfico, diz MPRJ

Em julho deste ano, o MC Poze do Rodo foi denunciado, pelo Ministério Público Estadual (MPRJ), por associação para o tráfico. A defesa conseguiu a revogação do pedido de prisão preventiva. De acordo com o inquérito do MPRJ, o funkeiro integra a maior facção criminosa do Rio. Dois meses depois, em setembro, a Polícia Civil descobriu que o miliciano Wellington da Silva Braga, o Ecko, ofereceu R$ 300 mil para que o policial militar Igor Ramalho Martins sequestrasse e executasse MC Poze.

Em setembro de 2019, o cantor chegou a ser preso no Mato Grosso, por apologia ao crime, corrupção de menores e tráfico de drogas. MC Poze tem 20 anos e é nascido na favela do Rodo, em Santa Cruz, na Zona Oeste dp Rio. Um dos seus hits ‘Tô voando alto’ tem mais de 60 milhões de visualizações no Youtube.

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Um ano depois, em setembro de 2020, a Polícia Civil descobriu um plano da milícia chefiada por Wellington da Silva Braga, o Ecko, para sequestrar Poze. De acordo com as investigações, Ecko — o miliciano mais procurado do estado — ofereceu R$ 300 mil ao PM Igor Ramalho Martins, preso por envolvimento com a milícia, pelo sequestro. O cantor seria executado. Igor teria esperado o funkeiro próximo à Favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio, com uma viatura da Polícia Militar, mas não conseguiu concretizar o crime.

Já em novembro do ano passado, Mc Poze teve a casa assaltada no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. Três criminosos usando máscaras de proteção invadiram a casa, em um condomínio de luxo, e levaram joias e dinheiro. Os bandidos algemaram o MC, que estava dormindo no quarto. Na sala do imóvel, a esposa, a sogra e a filha do cantor, de apenas 1 ano, também foram rendidos. Ninguém ficou ferido. Os criminosos conseguiram fugir em um carro.



Fonte: Fonte: Jornal Extra

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