Maior e mais violenta quadrilha de roubos de carga do Rio usa Complexo da Maré como esconderijo

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Uma investigação da Polícia Civil revela que a maior e mais violenta quadrilha especializada em roubos de cargas e de centros de distribuição de mercadorias usa comunidades da Favela da Maré, na Zona Norte do Rio, como esconderijo e ponto de partida para suas ações. De acordo a polícia, homens armados de fuzis que usaram a estrutura do tráfico das Favelas Parque União e Nova Holanda, em Bonsucesso, estão por trás de pelo menos 82 roubos e tentativas de assaltos, ocorridas entre 2017 e 2020, totalizando no período um prejuízo estimado em R$ 200 milhões. A ação mais recente ocorreu na última quinta-feira, quando um PM morreu durante o roubo de um caminhão carregado de eletroeletrônicos, em Duque de Caxias, na Baixada.

Dez dias antes, no dia 14, a mesma quadrilha tentou roubar uma carga de eletroeletrônicos, na Rodovia Washington Luís, também em Caxias. Na ocasião, a Polícia Civil e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) chegaram a fechar a rodovia por 17 minutos. Com auxílio de um helicóptero, quatro suspeitos foram presos. Dois deles estavam numa van roubada, que foi perseguida e interceptada, após se envolver em um acidente. A polícia também descobriu que o bando age várias vezes num curto espaço de tempo, sempre na Região Metropolitana do Rio.

Material apreendido na ação na Rodovia Washington Luís, em Caxias

Entre os ataques feitos pelo grupo, estão dois assaltos ocorridos, com um intervalo de apenas oito dias, no último mês de junho. O primeiro aconteceu no dia 22 , quando pelo menos 20 homens atacaram um centro de distribuição do Grupo Pão de Açúcar, em Xerém. Na ocasião, foram roubados cerca de R$ 15 minhões em mercadorias, e um vigilante foi morto. Oito dias depois, bandidos da mesma quadrilha atacaram o terminal de cargas do Aeroporto Santo Dumont e levaram mais de 80 notebooks. Os criminosos são investigados pela 21ªDP (Bonsucesso) e pela Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas. Já se sabe que o bando é organizado e que usa fuzis cedidos pelo tráfico. Para evitar a identificação de seus veículos roubados, os bandidos usam carros com placas clonadas de automóveis legais.

— O chefe do tráfico costuma receber cerca de 50% do valor roubado na ação — explicou o delegado Hilton Pinho, da 21ª DP.

Traficantes serão indiciados

O delegado Vinicius Domingos, da DRFC, disse que os chefes do tráfico das comunidades usadas como base pelo assaltantes também serão indiciados por cada um dos roubos do bando:

— É uma atividade de protocooperação, em que os roubadores e o chefe do tráfico se beneficiam com o produto final. Na medida que a quadrilha rouba a carga, se utiliza do domínio territorial do tráfico para garantir o transbordo da carga. O chefe do tráfico será indiciado por cada roubo e estará sujeito a uma pena que varia a 10 a 16 anos em caso de condenação.

A polícia já identificou que, na Favela Parque União, há uma gerente do tráfico designado para cuidar exclusivamente do roubo de cargas. Ele seria o encarregado de ceder armas para os assaltantes e de receber parte do lucro da ação. O tráfico na comunidade é comandado por Jorge Luiz Moura Barbosa, o Alvarenga. Já na Nova Holanda, de acordo com as investigações, Rodrigo da Silva Caetano, o Motoboy, é suspeito de comandar o tráfico no local.

Polícia está à procura

Pesquisa feita no site do Conselho Nacional de Justiça revela que, em em nome de Alvarenga e Motoboy, há mais de oito mandados de prisão expedidos pelo Tribunal de Justiça do Rio. O Disque-Denúncia (2253-1177) oferece recompensa de mil reais por informações que levem às prisões de Alvarenga e Motoboy.

A quadrilha especializada em roubo de cargas também tem ligações com outra facção criminosa do Rio. De acordo com as investigações da 21ªDP e da DRFC, na madrugada do último dia 10 de dezembro, o bando usou clones de duas viaturas da Policia Civil e camisas da corporação para tentar roubar um centro de distribuição, na Pavuna, na Zona Norte do Rio. Na ocasião, vigilantes do local desconfiaram da ação e reagiram a tiros a tentativa de entrada dos bandidos ao estabelecimento. Os bandidos fugiram. Os clones foram abandonados pelos bandidos na altura da Penha. Um deles foi parcialmente incendiado.

Investigações revelam que a clonagem teria sido feita no Complexo da Penha. O comércio de drogas no local é chefiado por Edgar Alves de Andrade, o Doca. Com oito mandados de prisão expedidos em seu nome pela Justiça, Doca ocupa o terceiro escalão na maior facção criminosa do Rio.



Fonte: Fonte: Jornal Extra