Mãe de Emilly fala sobre aniversário de 5 anos que seria nesta quarta: ‘festinha no céu’

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A menina Emilly Victoria dos Santos, morta aos 4 anos a tiro junto com a prima Rebeca Beatriz Rodrigues dos Santos, de 7 anos, faria aniversário nesta quarta-feira, dia 23 — apenas 18 dias depois. A comemoração vinha sendo planejada pela família, mas foi interrompida quando uma bala perdida atingiu as crianças que brincavam em frente de casa em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

“Agora, ela vai ter a festinha dela no céu porque eu ia fazer aqui para ela”, contou Ana Lúcia Silva Moreira, mãe de Emilly, para a equipe da ONG Rio de Paz, que visitou parentes das vítimas com doações no dia que a pequena completaria 5 anos de vida.

Ana Lúcia Silva Moreira, mãe de Emilly Victoria Foto: Divulgação / Rio de Paz

O vestido de princesa que a menina usaria na festa de aniversário acabou recebendo a função de ser a roupa fúnebre com que Emilly foi sepultada, ao lado da prima.

Emilly Victoria e Rebeca Beatriz foram sepultadas lado a lado
Emilly Victoria e Rebeca Beatriz foram sepultadas lado a lado Foto: Divulgação / Rio de Paz

“Ia ser festa de pobre, dignamente, mas ela ia ter a festinha dela. Eu só quero justiça e eu vou conseguir essa justiça, a de Deus porque a do homem eu não tenho”, lamentou Ana, que ainda mantém as roupas da filha, assim como as bonecas. “Não consigo tirar. Vai doer”.

Bonecas de Emilly Victoria são mantidas guardadas
Bonecas de Emilly Victoria são mantidas guardadas Foto: Divulgação / Rio de Paz

Articulador social e mobilizador político do Rio de Paz, João Luis Silva cobrou mudanças na política de segurança do estado.

“Ao chegar aqui (no local do crime, no Barro Vermelho, em Jardim Gramacho), um misto de sentimentos absorve a gente: raiva, revolta, tristeza porque a gente chega numa casa e se depara com a dor de uma família que perdeu duas crianças”.

Mãe de Emilly encara local onde filha foi atingida por disparo
Mãe de Emilly encara local onde filha foi atingida por disparo Foto: Divulgação / Rio de Paz

Tia de Emily e avó de Rebeca, Lídia da Silva Moreira Santos, que presenciou o crime enquanto chegava do trabalho, disse que a família quer se mudar dali.

“Não tem condição mais de viver aqui por causa das lembranças. Elas nasceram aqui. Se eu pudesse, não viria mais aqui”, afirmou, com um apelo.: “Senhor governador, até onde, até quando isso vai acontecer? Mudou tudo na nossa vida. Eu costumo dizer para os meus irmãos que esse acontecimento foi um efeito dominó que fizeram na nossa vida: colocaram todos nós em fila e deram um soco para atingir todo mundo, dos pequenos aos maiores”.

Parentes de Emilly e Rebeca prentendem se mudar
Parentes de Emilly e Rebeca prentendem se mudar Foto: Divulgação / Rio de Paz

Segundo o laudo de necropsia, o projétil encontrado no corpo de Rebeca é compatível com fuzil 762, mas foi classificado como inconclusivo. Parentes e vizinhos relataram que Emily e Rebeca foram baleadas quando policiais militares tentaram abordar duas pessoas que estavam em uma motocicleta. Ninguém foi preso pelo crime.

Leia mais: Parentes de Emilly e Rebeca se encontram com governador em exercício, Cláudio Castro

Segundo levantamento da ONG, só em 2020, 12 crianças foram mortas por armas de fogo no estado do Rio, gerando estatística de uma vítima por mês.

Como forma de homenagem, a Rio de Paz incluiu em memorial duas placas temporárias, enquanto as definitivas não ficam prontas, com os nomes das meninas na Lagoa Rodrigues de Freitas, na Zona Sul do Rio, onde a ONG tem uma instalação permanente com nomes de crianças e policiais mortos vítimas da violência.

Homenagem às meninas Emilly e Rebeca pela ONG Rio de Paz
Homenagem às meninas Emilly e Rebeca pela ONG Rio de Paz Foto: Divulgação / Rio de Paz



Fonte: Fonte: Jornal Extra

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