“Justificadamente abandonamos o plenário”, diz defesa de Manvailer; para acusação “postura é lamentável”

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O advogado Cláudio Dalledone Júnior disse em entrevista à Banda B que a defesa de Luís Felipe Manvailer abandonou o plenário do Fórum de Guarapuava, nesta quarta-feira (10), “justificadamente” e após não restarem mais alternativas. O assistente da acusação no caso, o advogado Gustavo Scandelari, classificou a atitude como “lamentável”. O júri foi cancelado e agora o juiz deve definir uma nova data para o julgamento.

Manvailer e Tatiane (Reprodução)

Esta era a primeira sessão do júri popular que julgava a morte da advogada Tatiane Spitzner, que aconteceu no dia 22 de julho de 2018, dentro do apartamento em que vivia, com Manvailer, seu marido, em Guarapuava, no interior do Paraná. Manvailer é réu por crime de homicídio com as qualificadoras de motivo fútil, meio cruel, asfixia, dificuldade de defesa da vítima e feminicídio e também responde por fraude processual.

O abandono da plenário aconteceu após o juiz Adriano Scuissiato não permitir que um vídeo, que não estaria juntado aos autos, fosse exibido na sessão. Segundo Dalledone, as imagens já faziam parte do processo desde 2018, inclusive a acusação já teria veiculado alguns trechos do material. “A defesa foi impedida de usar os 8 TB de imagens que foram apreendidos pela polícia. Eles passaram pelo Ministério Público que pinçou só aqueles trechos que lhe eram convenientes. Pedimos para subir no processo eletrônico o material e o juiz disse que não teria condições de suportar os 8 TB. As imagens sempre estiveram nos autos. Ficamos quase 40 minutos sustentando ao juiz e pedindo reconsiderações, mas ele disse que não poderíamos utilizar as imagens. Isso não nos deu alternativa e justificadamente abandonamos o plenário para que ele [Manvailer] possa ter o direito de defesa”, explicou o advogado.

As imagens, de acordo com Dalledone, mostrariam momentos no dia e após os fatos. “As imagens mostram, por exemplo, pessoas violando a cena toda; pessoas combinando versões; pessoas, as quais fizemos leitura labial, falando que viram ela se jogar, entre outras coisas”, descreveu.

Acusação

Para Scandelari, a “postura é lamentável, pois gera prejuízo aos cofres públicos, com toda a movimentação dos servidores, jurados, testemunhas e todos os envolvidos”.

Ainda segundo o assistente de acusação, o juiz já havia orientado a defesa sobre o respectivo vídeo em novembro. “O juiz havia, em novembro, orientado a defesa sobre a juntada desse vídeo no Projudi. A defesa não juntou, o juiz então não permitiu, com base na lei, que esse vídeo fosse apresentado em plenário. Assim a defesa abandonou o plenário”, relatou.

Uma multa de seis salários mínimos foi aplicada aos advogados do réu. O juiz alegou que a ação é “uma afronta ao processo, ao réu e à Justiça”. Com a saída dos advogados, o conselho de sentença acabou dissolvido e, para o próximo julgamento, novos membros do júri popular serão sorteados.

A família segue confiante na sentença condenatória.

Véspera

Na véspera, os advogados de Manvailer já haviam tentado adiar o júri. A Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) negou o pedido para o cancelamento da sessão do júri marcada para ocorrer nesta quarta-feira (10). O argumento indeferido é de que haveria imparcialidade na composição do júri e que seria necessário o desaforamento, pedido também já negado anteriormente pela Justiça.

Na decisão, o desembargador Paulo Edison de Macedo Pacheco considera “inviável a concessão da ordem liminar”. Em relação à segurança, a defesa alega que haveria riscos à realização da sessão plenária devido ao clima de hostilidade na cidade. Contudo, o magistrado afirma que “infere-se dos autos que o MM. Juiz-Presidente vem adotando todas as medidas necessárias à realização do ato”.

O crime

Tatiane Spitzner foi encontrada morta na madrugada do dia 22 em julho de 2018, após queda do 4º andar do apartamento em que morava com o réu, na cidade. Ele afirma que ela se jogou, mas o Ministério Público sustenta que foi assassinada.

Manvailer está preso na Penitenciária Industrial de Guarapuava (PIG) desde o dia seguinte da morte da advogada. Ele afirma que ela se jogou da sacada do edifício onde o casal morava.

Após a queda do quarto andar do edifício na madrugada de 22 de julho de 2018, o acusado recolheu o corpo de Tatiane, limpou marcas de sangue do elevador e fugiu, momento antes da chegada da polícia, toda a ação foi flagrada por câmeras de segurança.



Fonte: Banda B

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