Justiça do Rio manda estado indenizar em R$ 150 mil viúva de eletricista morto em ação da PM

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Viúva de Leomir ganha direito a indenização e pensão, por decisão do TJ

A Justiça do Rio determinou o pagamento, pelo governo do estado, de uma indenização no valor de R$ 150 mil, à viúva do eletricista Leomir Ribeiro de Souza. O rapaz foi morto em agosto do ano passado numa ação da Polícia Militar na Rodovia BR-101,na localidade conhecida como Reta da Laranja, em Itaboraí. Leomir, que na época tinha 29 anos, e o técnico de refrigeração Diego de Souza Ferreira, de 31, que estava com ele no mesmo carro e também morreu, foram baleados ao serem confundidos com criminosos em fuga.

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A decisão foi dos desembargadores da 23ª Câmara Civel do Tribunal de Justiça do Rio que, por unanimidade negaram provimento ao recurso interposto pelo Estado. O governo ainda pode recorrer à instâncias superiores. Além de manter a indenização à viúva de Leomir, os desembargadores estabeleceram ainda que ela deverá receber uma pensão mensal e vitalícia no valor correspondente a um salário mínimo, retroativo à data da morte do marido até 2029, previsão do INSS para extinção da pensão previdenciária. A partir daí, o valor deverá ser majorado para dois salários mínimos.

No dia do ocorrido, a PM divulgou uma nota afirmando que dois homens abriram fogo contra policiais na BR-101 após tentarem escapar de uma patrulha. Com eles, segundo a polícia, foram apreendidos uma pistola, dois carregadores e um bloqueador de sinais. Ainda de acordo com a PM, na perseguição, os suspeitos bateram no veículo da polícia e em um carro com duas pessoas. As famílias sustentam que os dois eram inocentes e estavam indo para o trabalho.

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— É absurda a acusação contra meu filho. Os dois deviam estar muito assustados e correram por medo. Eu sou viúva, faço hemodiálise e era o meu filho quem cuidava de mim. O meu coração está em pedaços — disse na época Joselita Geralda Ribeiro de Souza, de 54 anos, ao contestar a versão dos policiais.

Também na ocasião, o irmão mais velho de Diego, Thiago Ferreira, de 32 anos, disse que os dois estavam uniformizados e indo trabalhar:

— Os dois trabalhavam juntos e estavam indo instalar um ar-condicionado na casa de um cliente em Rio Bonito. Vi meu irmão dentro de uma vala como se fosse um bandido. Nunca senti tanta dor na minha vida. É um absurdo a polícia dizer que meu irmão era criminoso, mesmo ele estando com o uniforme de trabalho. Até mesmo o carro deles estava com a logomarca da empresa — afirmou Thiago, na ocasião.

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De acordo com o relato da época, os dois colegas de trabalho estavam num carro, quando se viram em meio a uma perseguição policial a bandidos que estavam em outro veículo. O automóvel dos marginais colidiu com o das duas vítimas que, ao sair para buscar abrigo do tiroteio acabaram sendo atingidos.

Diego morreu na hora. Leomir foi levado ao Hospital Municipal Desembargador Leal Junior, mas não resistiu. Eles foram enterrados no cemitério Parque da Paz, em Itaboraí.

Procurada, a viúva de Leomir não quis se pronunciar sobre a decisão da Justiça. A mãe do rapaz, que também pediu indenização ainda não concedida, também não quis se manifestar.

A Procuradoria Geral do Estado (PGE) informou que o governo aguarda ser intimado da decisão, para avaliar o cabimento de eventual recurso para os Tribunais Superiores.



Fonte: Fonte: Jornal Extra