Jovem que atirou em ex se apresenta à polícia e alega legítima defesa: “era ela ou ele”, diz advogado

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A jovem, de 24 anos, que atirou duas vezes contra o ex, após uma tentativa de invasão a sua residência, no bairro Tatuquara, em Curitiba, se apresentou à Polícia Civil. Em depoimento realizado nesta sexta-feira (15), aos investigadores da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a mulher alegou que agiu em legitima defesa e também não esperava que o fim do relacionamento, de quase um ano e meio, fosse marcado por tanta violência.

 

Foto: SESP/Divulgação

 

“Este caso, na verdade, é o ‘clássico’ da legítima defesa. Uma mulher que vinha sofrendo ameaças do seu companheiro e pediu medida protetiva. Havia outros pedidos de medidas protetivas e várias ameaças. Infelizmente, naquela noite, ele acabou invadindo a casa para tentar atingi-la, agredi-la. Então, ela usou dos meios que possuía para evitar a agressão dele”, comentou o advogado da jovem, Elias Bueno, à Banda B.

Bueno ainda revelou outras informações dadas pela jovem aos interrogadores. Segundo o advogado, ela também foi questionada sobre a origem da arma que usou para se defender do ex. A mulher afirmou que recebeu a arma de uma amiga justamente para se proteger de uma possível invasão. “Ela tinha acabado de pedir a medida protetiva das ameaças. Como ela mesmo falou, era ela ou ele”, ressaltou Bueno lamentando que isto tenha acontecido. “Uma situação que pegou todos desprevenidos. Ela não esperava este fim trágico que teve e está conturbada”, completou.

Investigações

Em entrevista à Banda B nesta quinta-feira (14), a delegada Camila Cecconello ressaltou que a legítima defesa poderá ser confirmada somente depois que ambos prestarem as suas versões sobre o caso.

“Tudo será analisado no inquérito. Como ela poderia se defender sendo ele, homem; ela, mulher. Temos a diferença física e se realmente ela precisava utilizar de disparos de arma de fogo para conter esta ameaça. Não conseguimos contato com a vítima, o homem. Ele está em estado gravíssimo no hospital e não é capaz de dar a sua versão dos fatos. Mas nós precisamos da versão dela aqui dentro do inquérito policial”, destacou Ceconello.

O rapaz que foi baleado segue internado em estado grave no Hospital do Trabalhador.

A Polícia Civil, por meio da DHPP, segue investigado o caso.

Caso

O jovem, e ex-companheiro da mulher, teria tentado invadir a residência onde ela morava na rua Conceição Maria Vieira da Rosa, no Tatuquara, na noite da última terça-feira (12). Ele, que usava tornozeleira eletrônica em decorrência de uma tentativa de feminicídio, em junho de 2020, apresentava um comportamento agressivo logo após o casal decidir morar juntos. O relacionamento durou um ano e meio.

Horas antes da invasão, a mulher teria ido até a Delegacia da Mulher pedir ajuda diante das ameaças que sofria do rapaz. Além disto, de acordo com a polícia, ela também já possuía boletins de ocorrência denunciando a violência doméstica que sofria durante o relacionamento e pedidos de medidas protetivas contra ele.

Ainda de acordo com a polícia, o rapaz teria sido intimado um dia antes por um oficial da justiça sobre o processo de feminicídio que está em curso. Ele, no entanto, afirmou que voltaria para matá-la.

O caso aconteceu e, após os disparos, a mulher fugiu do local não sendo mais encontrada. O rapaz foi socorrido e levado ao hospital.



Fonte: Banda B

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