“Já era esperada e todos sabiam”, desabafa presidente de sindicato após morte de agente penitenciário

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“Estamos nos sentindo como pessoas que estão na fila do abatedouro, só aguardando a hora para ser executado”. Este é o sentimento de amigos e colegas de trabalho de Lourival de Souza, de 49 anos, agente penitenciário morto no inicio da tarde desta quarta-feira (12), em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A declaração é do presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), Ricardo Miranda, que comentou o caso em entrevista à Banda B, pouco tempo depois do assassinato.

 

 

Indignado, Miranda foi enfático ao dizer que a morte de Lourival já era esperada. O presidente revelou que o agente, atuante na função por 17 anos, convivia com constantes ameaças e afirmou que o Depen sabia destas ameaças de morte. “A execução dele já era algo previsto, o Departamento Penitenciário (Depen) sabia o que estava para acontecer. A Inteligência sabia que isto estava para acontecer. Infelizmente, mais uma vez, deixaram que o crime organizado executasse um policial penal”, desabafou.

Também de acordo com o presidente, por conta das ameças que sofria na rotina de trabalho, a morte de Lourival pode ter sido ordenada por uma facção criminosa. Miranda ressaltou que a própria vítima sabia que corria perigo e, ainda, teria deixado isto bem claro aos colegas. “Ele recebeu estas informações que estava para ser executado. Por isto, o Lourival procurou o Departamento Penitenciário. Infelizmente, isto acabou acontecendo. O Governo do Estado não conseguiu cuidar da vida deste profissional”, lamentou.

Mudanças

Após a morte do amigo e colega de trabalho, o presidente do Sindarspen garantiu que o objetivo dos agentes agora é se mobilizar em busca de melhorias para o ambiente de trabalho. Em nome dos colegas, ele reivindicou uma reunião com o governador Ratinho Júnior para tratar de todos estes assuntos. A morte de Lourival, no seu ponto de vista, é o estopim para a busca por melhorias em todos os aspectos.

“Nós precisamos de uma medida drástica do governo. Não estamos mais em condições de trabalhar com segurança. Vamos travar todas as penitenciárias do estado e só vamos liberá-las a partir do momento que o governo começar a atender as nossas demandas. Lourival foi morto enquanto tomava banho, no banheiro de sua casa. É algo extremamente grave”, criticou.

Miranda ainda deixou um recado ao Depen. Segundo ele, não será surpresa se o Departamento dizer que a morte de Lourival foi um latrocínio. Algo que, de acordo com o presidente, é comum ser concluído toda vez que a vida de um policial penal é retirada. “Recentemente, nós tivemos a execução de outros dois policiais penais, um em Ponta Grossa e outro em Curitiba. Este de Curitiba trabalhava na mesma penitenciária do Lourival. Portanto, precisamos de medidas de segurança, que melhorem o nosso trabalho e a qualidade da nossa vida”, concluiu à Banda B.

Depen

A Banda B procurou o Depen, que respondeu às declarações feitas pelo presidente do Sindarspen por meio de nota. Leia na íntegra:

“O Departamento Penitenciário esclarece que todos os registros de ameaças a servidores públicos são devidamente apurados pelo setor de inteligência do Depen. Sobre esse caso, todas as medidas cabíveis foram adotadas pela penitenciária em que o policial penal estava lotado. Inclusive, por precaução, o servidor foi afastado da carceragem para que não tivesse contato com presos e, ainda, estava em processo de transferência para atuar em outra unidade penal. O Depen acompanha de perto as investigações e irá auxiliar no que for possível para esclarecer a morte do agente público”.

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Fonte: Banda B

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