Imagens aéreas mostram operação para prender Tio Comel, o maior clonador de carros do Rio; vídeo

Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on whatsapp


Acusado de ser o maior clonador de carros do estado, Thiago Fernandes Virtuoso, conhecido como Tio Comel, foi preso pela Polícia Civil nesta sexta-feira em uma favela da Zona Norte do Rio, com o uso de um equipamento no valor de R$ 5,5 mihões recém-comprado pelo estado, o Flir. Trata-se de uma câmera termográfica, com alcance de cinco mil metros de distância, que é acoplada ao helicóptero. A ação no Morro do Turano ocorreu sem confronto.

À noite ou em lugares com pouca ou nenhuma luminosidade, o calor do corpo e dos armamentos em utilização é captado pelo Flir em imagens térmicas e nítidas, pemitindo aos agentes uma vigilância de 24 horas.

Tio Comel foi preso no Morro do Turano e agia principalmente sob encomendas de veículos importados. Um dos casos terminou com a morte do médico Cláudio Marsili, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, em 20 de outubro do ano passado.

Oequipamento utilizado para vigilância, o Flir, estava parado no Rio Grande do Sul. O Serviço Aeropolicial da Polícia Civil alertou o comando da corporação, que o comprou.

— Durante uma década, não houve investimentos na Polícia Civil. Por isso, o Flir só chegou nesse momento. É um equipamento que estava parado no Rio Grande do Sul e, ao saber disso, eu fui ao governador Cláudio Castro e ele liberou os recursos. De dois meses para cá, as investigações subiram consideravelmente de qualidade e os resultados são maiores — avaliou o secretário de Polícia Civil, Allan Turnowski.

Tio Comel, de 35 anos, estava sob vigilância da Polícia Civil há três meses, mas as investigações duraram dois anos. Durante o período em que foi monitorado, a polícia traçou toda movimentação do criminoso. Comel praticamente não deixava a comunidade. Ele encomendava o modelo de carro conforme os pedidos que recebia e integrantes da quadrilha traziam o veículo até ele, que em pouco tempo conseguia fazer a clonagem e revender. De acordo com a polícia, a movimentação financeira das ações do criminoso girava em torno de R$ 2 milhões por mês.

— A prisão dele é um duro golpe na quadrilha que controla o Turano, que controla o Jacarezinho, a mesma quadrilha que matou um policial civil na ação do ano passado no Jacarezinho, a mesma quadrilha que matou as crianças de Belford Roxo, e que matou o médico na Barra da Tijuca. Ele tem uma expertise nessa ação de clonar e era muito requisitado para esse tipo de serviço. Até os peritos tinham dificuldades para reconhecer os veículos clonados por ele — Turnowski.

O Flir é capaz de captar imagens até 5 quilômetros de distância
O Flir é capaz de captar imagens até 5 quilômetros de distância Foto: Reprodução

O governador Cláudio Castro falou sobre o uso da tecnologia ao comemorar a prisão do criminoso:

“A @PCERJ, com a utilização do recém-comprado equipamento Flier e sem disparar tiros, acaba de prender Thiago Fernandes Virtuoso (Comel), no Turano. O maior clonador de carros do RJ é também responsável pela encomenda de veículos importados e pela morte do médico Cláudio Marsili”, escreveu.

Preparativos para festa

Tio Comel, de 35 anos, se preparava para comemorar seu aniversário neste sábado, com uma grande festa no Turano.

— Foi um presente para ele! Fizemos a operação hoje por que era data propicia. Tudo deu certo, todo o planejamento foi de acordo com o que a gente queria. A gente sabia que o aniversario dele era amanhã. A gente estudou e chegou muito rápido. Ele estava acompanhado da esposa, duas filhas, cunhado. Entramos e ele foi encontrado no quarto — disse o delegado Marcio Braga, titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA).

Choro ao ser cercado

No momento em que os agentes entraram na casa, Comel estava no quarto abraçado à filha menor. Ele não esboçou reação, mas segundo o delegado Jefferson Ferreira chorou no momento da prisão e no trajeto até a Cidade da Polícia, dizendo-se apenas um clonador de carros.

— Ele estava com a família. Tinha uma sensação de total impunidade e proteção na comunidade e não esperava ser preso. Quando os agentes chegaram e ele se viu cercado, chorou. Tentou se defender dizendo que apenas clonava os carros, que não era ladrão e ficou chorando — contou Ferreira.

Tio Comel estava foragido, com 10 mandados de prisão, somando 48 anotações criminais. De acordo com a polícia, ele participa de pelo menos 20% das adulterações de veículos no Estado do Rio. A DRFA, por meio de inquéritos, identificou a preferência do grupo criminoso por roubar carros de luxo do modelo Sport Utility Vehicle (SUV) — utilitários esportivos que costumam ter porte avantajado, além do interior espaçoso —, avaliados em mais de R$ 100 mil.

O criminoso foi preso pela primeira vez em 2004, por tentar matar um policial civil durante um assalto no Centro do Rio. A partir daí, foi preso mais duas vezes em flagrante e duas outras preventivamente, por roubo a pedestre, disparo de arma de fogo e porte ilegal de arma. A lista em que é apontado como autor de crimes é longa, como adulteração de sinal identificador de veículo automotor, associação criminosa, associação para o tráfico de drogas, organização criminosa, receptação, roubo a instituição financeira, roubo após saque em banco, roubo a transeunte, roubo de carga, roubo de telefone celular e, a principal, roubo de carro.

Tio Comel é considerado o maior especialista em clonagem de carros no estado e apontado como um dos maiores ladrões de carros em bairros como Tijuca, Jardim Botânico, Gávea, Lagoa e Barra da Tijuca.Aapós os roubos, os veículos eram levados para o alto do Morro do Turano. Nas oficinas da quadrilha, a numeração original dos chassis, motores e vidros era retirada com uso de produtos químicos. Um laser então era usado para as novas informações, em processo semelhante ao das montadoras. No local eram feitos também os documentos falsos, com os novos dados. A revenda dos veículos, dentro e fora do Estado do Rio, ocorria com um valor 30% abaixo do preço original.

O veículo do médico Marsili, um Toyota Hilux, avaliado em cerca de R$ 250 mil, foi levado pelos criminosos no momento do crime, sendo localizado horas depois no Morro do Turano, local de ação da quadrilha especializada.



Fonte: Fonte: Jornal Extra